terça-feira, 10 de julho de 2012

A temporada de um fixeiro no Audax Rio


Quando fiz meu primeiro Audax (Rio das Ostras), não tinha a pretensão de brevetar, apenas de completar os 200 km, pois nunca eu havia rodado tal distância. Na prova conheci pessoas muito bacanas, a galera de Campos, os fixeiros e verdadeiros exemplos de superação, como o Fernando Thomaz Gangoni! Sou de São Paulo e junto com alguns amigos daqui, Tati, Bruno, Michele, Ricado Yasuda e Igor, realizei a prova. Estava um dia ensolarado e bem quente, o que nos judiou um pouco. No caminho fui conhecendo pessoas e percebendo o que é um Audax: amizade, colaboração, risadas e superação. Não estive com nenhum grupo, ia no meu ritmo, ficava com uma galera, logo depois com outra, e por vezes sozinho. Nos últimos kms, saindo de Macaé, me juntei ao Fernando, fomos até o último PC em Cantagalo e largamos com os campistas que estavam animados para terminar a prova. A estrada era boa e por vezes brincávamos de “tiro” (disparada). Percebi que o Fernando ficou para trás numa dessas brincadeiras e decidi terminar a prova com ele. Brevetei e sai dizendo que seria o meu primeiro e único Audax. 

Marcello e sua fixa amarela na largada do Brevet 200.

De volta a São Paulo encontrei meus amigos que também breveteram e eles já estavam planejando fazer os 300 km. Eu ainda não sabia ao certo se faria ou não e me lembrava do que foi Audax 200 km, das coisas boas, das pessoas, da cooperação e da superação. Me inscrevi para os 300 km! Já na rodoviária, encontro dois ciclistas, o Tux e o Davi, que iriam embarcar para a prova, e em Rio das Ostras os demais amigos de São Paulo. Antes da largada, vejo rostos conhecidos e o Fernando me dizendo “Teve gente que disse que não faria mais Audax!”.

Aí a 'máquina' do Marcello no PC de Macaé.

Fiz uma boa largada e mantive uma média boa até chegar a Quissamã. Estávamos eu, o Igor, o Ricardo e o Combat seguindo para Barra do Furado quando meu pneu furou e eu havia esquecido minha bolsa com ferramentas e passaporte no PC de Quissamã. Como eu ando com uma fixa, minha roda traseira não possui blocagem, e justamente foi o pneu traseiro que furou. Quem teria uma chave 15??????? Os fixeiros!
Tive que voltar a pé, empurrando a bike, no breu. Andei por mais de uma hora e via os faróis de ciclistas se aproximando, todos me perguntavam se estava tudo bem e eu dizia que sim, sem maiores problemas. O Cezar, da reclinada, parou e verificou se alguma chave serviria, mas não teve jeito. Quando estava perto da cidade, reconheci a bike vermelha da Bibi e pensei “Fixeiros!!!” e já gritei: “Marquinhos, Marquinhos, me empresta a chave 15???” Eles pararam, o Marquinhos me passou a chave e, não satisfeito, enquanto eu trocava a câmera ele voltou ao PC para buscar minha bolsa. Que é que eu posso dizer sobre um cara desses?!! “Marquinhos, se eu fosse mulher eu dava pra você!” Foi o meu jeito de agradecê-lo!
Prosseguimos num ritmo um pouco mais lento e quando chegamos de volta a Quissamã encontrei com alguns amigos de São Paulo. Tirei um cochilo, mas realmente não sei dizer por quanto tempo fiquei cochilando. Quando acordei o pessoal de São Paulo já tinha pegado a estrada e os fixeiros ainda estavam por lá. Seguimos viagem e após alguns pneus furados, brevetamos.

Largada do Brevet 400. Foto: Christian Sens

Os 400 km e aí? Meus amigos de São Paulo iriam para a prova e os fixeiros não. Me inscrevi sendo o único de fixa desta vez. Na largada me empolguei e mantive um ritmo forte, na Estrada do Contorno deixei todos para trás, mas por pouco tempo, pois os speedeiros e o Cezar logo me passaram. Me juntei ao Igor, e seguimos num bom ritmo. Na estrada para Barra do Furado ainda havia um sol no fim de tarde. No caminho, nos juntamos com o Helman, o Claudio e um grupo de Caraguatatuba, que pararam ao final do trecho esburacado. Eu e o Igor seguimos para o Farol de São Tomé. Paramos no PC e na padaria comemos muito. Quem não comeu pão com ovo e queijo branco, põe o dedo aqui! Ficamos uma hora parados no PC. Na volta percebi que eu só ando com o Igor quando ele quer, pois o moleque encapetado me deixou comendo poeira. Aumentei a velocidade, pois não queria chegar à Barra do Furado sozinho porque era madrugada e a estrada estava muito ruim. Passei por um grupo e quando estava me aproximando do Igor, logo me gritaram para virar à esquerda, pois estávamos indo em direção a Campos. De volta a Quissamã, fiz a minha maior parada em PC, dormi por duas horas e ainda fiquei uma hora parado. O Christian Sens não aguentava mais me ver por lá. Rs! Muitos já haviam seguindo e quando o sol estava nascendo, segui sozinho. No meio caminho encontrei um grupo e fui com eles até a ponte de Rio das Ostras. Brevetamos! Esta prova foi um pouco mais dura, me senti mais cansado e com um pouco de dor nos joelhos. Jurei que não faria os 600 km e as piadas começaram. “Eu já ouvi essa papo antes”, “Daqui a pouco vamos ver seu nome entre os inscritos”, “Se você vier a gente te dá umas catracas, um trocador e umas coroas...”

Marcello e Eber no PC de Quissamã. Foto: Christian Sens

Eles estavam certos, combinei com o Fernando para me dar um apoio e me inscrevi para os 600 km! Todos os dias eu dava uma olhada no blog para ver quem seriam os audaciosos. Fiz uma largada excelente e cheguei com o Igor para abrirmos o PC de Macaé. Seguimos para Quissamã num ótimo ritmo quando acelerei deixando o Igor para trás, e o mesmo ocorreu em Farol de São Tomé. ESTRANHO!!! Alguma coisa estava errada com o Igor. Quando voltávamos, novamente o Igor ficou para trás e voltei para ver o que estava acontecendo. Ele havia parado numa farmácia para comprar um Cataflan porque estava com dores nos joelhos. Encontramos o Maurício e o Claudio, e seguimos para Barra do Furado. Acelerei e segui um longo caminho só. O vento castigava e minha média de 27 km/h não passava de 12 km/h, fiquei horas pedalando num baixo e pesado ritmo. A distância era curta, mas o pedal não rendia. Meus joelhos começaram a reclamar e minhas mãos também. No caminho, passa por mim um carro com o Moisés e sua magrela. Cheguei a Quissamã pensando em desistir e não entreguei meu passaporte para o Michel. Ele me disse: “Me deixe anotar, esse PC ainda demora a fechar. Você pode mudar de ideia”. Tirei um cochilo enquanto a galera aos poucos ia chegando e acordei ouvindo o Ricardo Paiva dizendo: “Eu tô aqui de curtição e não estou curtindo mais”, era o meu caso também então me solidarizei com os demais e desisti. Eu ainda tinha perna para chegar a Rio das Ostras, porém não para terminar a prova. Voltei no carro do Fernando e em Macaé a Silvia Batalha voltou conosco. No outro dia, não acordei a tempo de ver os valentes brevetando, mas fui até o restaurante onde estavam almoçando, num clima alegre, os organizadores, o apoio, os brevetados e os desistentes. Não foi dessa vez que virei um super randonneur. Sem problema, ano que vem tem mais! Parabéns organizadores e deixo aqui meu “muito obrigado” a todos que fizeram parte dessa festa!

Saindo de Farol de São Tomé no Brevet 600. Ano que vem tem mais!

5 comentários:

  1. Fernando T Gangoni10 de julho de 2012 12:17

    É isso aí, Tá Cedo!! Ano que vem tem mais. Mas o ano que vem começa esse ano com o 200 Urbano. Quero te ver por aqui.
    Abraço,
    Fernando

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  2. Parabéns tá cedo! Fica mais um pouco! Nos encontramos nos próximos.
    Um grande abraço,
    Combat

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  3. Ê, Marcellooooooo!!! Você é meu orgulho!!!! Eu posso dizer que MEU AMIGO BREVETOU 400 DE FIXA!!! Parabéns!!! Nos vemos em Holambra???

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  4. Muito legal Marcello! Pedalar por prazer. Um abraço.

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  5. Galera, vocês não tem a noção do que me proporcionaram, e do grau de satisfação em participar desse evento. A gentileza da organização nos PCs, a companhia e incentivo dos participantes nos pedais, todos vocês são FODA! E que venham os próximos! \o/

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