sexta-feira, 6 de julho de 2012

Relato Brevet 600 - Maicon Gonçalves


Nesta temporada tentei compartilhar com amigos as vitórias e provações de um ciclista de longa distância. Já no início do ano, Paulo Ney Lira de Moraes, Paulo Henrique Pereira “blokinho” e Sérgio Rosencwaig  “Bula” inscreveram-se para o brevet 200 urbano, uma prova singular pela beleza da cidade e pelo stress da mesma. A intenção de todos era seguir o calendário, paulatinamente, até que chegasse o último deles: Brevet 600.
Durante os meses porvir todos tiveram seus motivos para deixar a sequência Audax 2012. Alguns por compromisso de trabalho, outros por acidente com fraturas importantes, enfim ao término do brevet 400 persistiam apenas eu e minha namorada, Silvia Batalha, que integrava a equipe de Randonneurs. Também haviam os companheiros de Audax como : Manoel Andrade e todos os outros inscritos. Digo todos inscritos, pois mesmo quando estamos em grupos distintos durante a prova, sentimos uma unidade só: Audax - hora mais forte, hora mais fraca.
E foi assim que iniciamos o brevet 600: Eu, Sílvia Almeida Batalha e Manoel Andrade Oliveira as 22:06h do dia 22/06/2012 na praia da baleia, local já consagrado como largada da temporada Audax, juntamente com mais 21 ciclistas “entusiasmados”, ansiosos e “pilhados”. A ida para Macaé, onde estava o PC 1 foi bastante tranquila, pois o vento estava favorecendo-nos e pela primeira vez cheguei num PC tendo acabado de ser aberto. A velocidade média há de ter sido em torno de 25 a 28 Km/h e vários sorrisos no rosto. Esse “empurrãozinho” da natureza durou praticamente a noite toda até o amanhecer quando já chegávamos a Farol de São Tomé (PC 3).

Silvia e Maicon no PC 1 - Macaé

Daí em diante começou uma das provas mais “duras” que já realizei nessas temporadas (2011 e 2012). O mesmo vento que ajudou-nos na vinda, agora “cobrava com juros e correção monetária” cada km da volta a Barra do Furado, tendo sido estimado por alguns dos ciclistas presentes com intensidade de 36 Km/h - contra nós. Os 38 Km que separam Barra do Furado de Quissamã pareciam “eternos” momentos que cada audacioso olhava no seu ciclocomputador e constatava que, apesar de toda força aplicada, movíamos a 8 km/h ou menos. Finalmente quando alcançamos Quissamã (PC 4), todos cansados, renovamos a energia com a tradicional macarronada e pedal em frente para Rio das Ostras. Ao deixar o perímetro urbano de Quissamã, um dos raios da minha roda traseira soltou e, para o meu desespero vi o grave empeno que resultou. - Pensei: fim de prova! E desabafei com Silvia a minha angústia. Passado alguns minutos surgiram dois audaxiosos: Cláudio e Maurício Helman, que prestativos emprestaram uma chave de regulagem de raio e se foram, não sem antes dizerem que dava pra continuar no brevet com a roda empenada desde que afrouxasse o freio traseiro. Segui a recomendação, mas em verdade retirei as pastilhas do freio e tive que reposicionar a roda enviesada, para que não encostasse no quadro da bicicleta e estragasse minha “magrela”.

O casal no PC 3 - Farol de São Tomé 

Seguimos viagem e quando entramos em Macaé, Sílvia, querido “morinho”, chorava de dores no ombro esquerdo (lesionado após uma queda em fevereiro deste ano) devido ao esforço para guiar a bike durante aproximadamente 100 Km com vento contra. Aquele era meu segundo momento de angústia e graças a ajuda do Fernando Thomaz Gangoni, que efetuou o resgate e deu uma carona pra Sílvia até o hotel Atlântico, pude seguir no cumprimento do brevet, mais sereno e tranquilo, sabendo que ela estaria segura e abrigada.

Davi e Maicon no PA de Iguaba.

Chegando ao hotel Atlântico (PC 5) em Rio das Ostras tomei um merecido banho, despedi de todos e partimos eu e Davi Stanley, um novo amigo ciclista que o Audax me trouxe e seguimos para os 200 Km finais de brevet. Esse trajeto consistia em pedalarmos até Araruama, darmos a volta em torno da lagoa e retornarmos para Rio das Ostras. Essa era nossa segunda noite em claro e para combater o cansaço cantávamos no meio da pista da rodovia Amaral Peixoto para afastar a exaustão. Passamos pelo ponto de apoio e continuamos até a praia do foguete em Cabo Frio (PC 6), onde chegamos pontualmente às 08:15h da manhã. Tomamos um café feito pela organização e partimos para a chegada, em Rio das Ostras. Quando tudo parecia ir bem, quebrou um segundo raio da roda traseira e agora sim, comprometendo a estabilidade da bicicleta. Isto se deu no Km 570 da prova e a determinação de completar aliado ao comprometimento da prova, pois estava num local ermo (meio da rodovia), diminui a velocidade e levei a “magrela” até a linha de chegada, juntamente com o Stanley. Feito realizado às 12:00h do dia 24/06/2012, terminando mais um épico AUDAX.
Agradeço a todos que ajudaram este “sonho” se tornar realidade: Organizadores, voluntários e minha namorada que acompanha e pedala comigo.

Relato Brevet 600 - 2011 - Maicon Gonçalves

8 comentários:

  1. Esta é uma história da vida real de um SUPER RONDOUNNER, mais uma vez orgulhoso de conhecer um GRUPO ESPECIAL DE PARCEIROS CICLISTAS, caro amigo Maicon e Silvia, bem como a Samira, o André e o Nino, que prova maravilhosa, LÓGICO COM TODAS AS DORES muito bem expressadas pelo colega Maicon. Parabéns a TODOS e vamos para 1.000

    ResponderExcluir
  2. Caramba!!! Que prova, hein?! Você e a Silvia foi d+ durante essa temporada. Ela provou sua garra e força de vontade. Lembro quando se queixava de subir paineira, que era muito puxado - hihihi.
    Parabéns ao casal e até a temporada 2013!

    ResponderExcluir
  3. Teve tudo para terminar. Depois que passa é apenas mais um "causo", mas na hora a impressão é horrível, passei por isto num brevet 200 que na última etapa um pneu furou e ficou murcho. Porém sempre acontece o inesperado e algo faz com que consigamos. Parabéns, mereceu. Alexandre Kona

    ResponderExcluir
  4. Grande dupla, Maicon e Sílvia! Parabéns aos dois, e a todos os randounners! Bravo! Os relatos nesta temporada foram poucos, mas como o seu relato, Maicon, são eles que conseguem transmitir melhor a sensação, a vibração desta aventura que é rodar as 4 provas do Audax (200/300/400/600km). A gente olha as fotos e até parace não ser tão difícil, né? Todo mundo rindo, um pouquinho de cansaço ali, nada demais... Quando a gente lê os relatos contando detalhes é que conseguimos mensurar melhor o alcance desta empreitada. Parabéns, Silvia! Parabéns, Maicon! (força mental 10, hein?!)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Grande amigo Ennio! Faltou você também nesta prova. Estou querendo um contato seu para marcar umas pedaladas e treinos juntos. Vê se anima, também, de fazer os 1000 km lá em PoA, no mês de outubro. Estou preparando-me. Um grande abraço e obrigado pela força!

      Excluir
  5. É isso aí campeão, venceu todos os desafios, e parabéns pelo teste da roda, só não completava se ficasse sem ela :) e vamos com tudo pro giro do chimarrão, háaa!!! já tem o trajeto lá site da SAC para ir adoçando o caminho.

    Claudio Guilherme

    ResponderExcluir
  6. Foi muito bom participar dessa temporada com vc, meu amor!! <3 Me sinto orgulhosa de pedalar com alguém obstinado, concentrado, positivo!

    Parabéns a todos os atletas q concluíram essa dificílima etapa! Guerreiros!!!!!
    Quem acha q o Audax do Rio é mais fácil, por não ter inclinação, não conhece o poder do vento contra de Rio das Ostras e região! Foi muito sinistro!

    Meu supraespinhoso do ombro esquerdo não suportou o esforço; mas, dos males o menor: uma injeção, dez fisioterapias e estou liberada para treinar e tentar os 600k em SP. Ou ano q vem novamente em Rio das Ostras.

    E, já me sinto vitoriosa por fazer parte da família Randonneur! ALLEZ RANDONNEUR!

    Beijos!
    Silvia Batalha

    ResponderExcluir
  7. Maicon e Silvia,

    Parabéns aos dois pela determinação, vocês são nota 1000!!!

    Silvia, juizo com esse ombro, cuide bem dele porque você tem muitos km´s pela frente.

    Abração para o casal,

    Renato Estrella

    ResponderExcluir

Por favor escreva seu nome ao inserir comentário.