terça-feira, 24 de julho de 2012

Relato Brevet 600 - Edu

Voluntário gosta de ver todo mundo saindo de seu PC assim, pedalando rumo à chegada! Em 2013 estarei aí com vocês.

Fui voluntário nos brevets de 200 e 400 desta temporada e ao final do 400 já me perguntava: quem seria mais fanático? O randonneur ou o voluntário? É porque o páreo é duro em termos de 'insanidade ciclística'. Bem, ao final do 600 a balança está pendendo mais para o voluntário, hehehe. É notório o valor da solidariedade praticada quase como regra pelos randonneurs em situações que um companheiro está necessitado. Pois o voluntário não pedala, só ajuda, então 100% do tempo ele exercita esta solidariedade. E no Brevet 600 ela é levada ao extremo. Mas no bom sentido é claro, e com uma sensação de satisfação difícil de descrever.
----------------------------------------
O planejamento para sexta-feira era perfeito, e havia sido pensado e repensado. Pura perda de tempo pois é lógico que as coisas fogem ao controle logo no começo. Me atrasei para sair do trabalho, as medalhas só ficariam prontas à tarde e até mesmo o carro era pequeno para 4 voluntários grandes e uma voluntária, que foi espremida até Rio das Ostras. Pior foi demorar 45 minutos para percorrer 400 metros na praça do pedágio da ponte Rio - Niterói. Mas deu tempo de chegar no meio da reunião técnica, que pra variar tinha só metade dos atletas inscritos. Até parece que o randonneur que chega ao Brevet 600 ainda não sabe o valor dessa reunião para os avisos de última hora. E não foi de propósito, mas desta vez tinha um erro na planilha (acontece nas melhores famílias) e a reunião foi fundamental para esclarecer que o pelotão não iria a Bara de São João.
Na largada, aquela animação e ansiedade que não escondiam o tamanho da aventura que vinha pela frente dos 24 bravos e loucos atletas com suas máquinas maravilhosas. Depois da largada eu, Michel, Thiago e Roberto jantamos e foi o último momento civilizado de meu fim-de-semana, dali pra frente só perrengue, hehehe.
Eu e Michel até paramos no PC 1 pra dar uma força, mas logo seguimos para Quissamã. Meu plano era dormir por duas horas na aconchegante Sala de dança do centro cultural onde fica o PC, mas ela ainda estava fechada. Além disso havia uma festa com música altíssima e tive que rodar à procura de um local com menos barulho. Ansioso, parti lá pelas 4:30 da manhã para o que seria o meu PC, no longínquo Farol de São Tomé. Ao chegar lá descubro que há um ponto de vans onde precisava deixar o carro, mas logo atrapalhei os motoristas e parei no local exato do PC 3, a Padaria Mineira.
Um a um os randonneurs foram chegando, alguns muito bem, outros nem tanto. Para o voluntário a maior satisfação é ver todos chegando e partindo de seu PC, mas dessa vez infelizmente houve abandono no meu turno. E mal sabia eu que o drama estava só começando, pois a volta seria marcada por um forte e inclemente vento contra. Fechei cedo o PC e fui pro PA de Barra do Furado. O Hotel do PA mudou de nome e muitos já iam passando direto se eu não os chamasse. Tentei descansar ali mesmo no carro, mas era impossível pois o pessoal estava chegando a toda hora.
Depois de receber os 2 últimos parti para o tão esperado descanso em Quissamã. No caminho encontro 4 randonneurs parados querendo desistir. Mesmo cansado e com fome reuni as forças que tinha para tentar levantar o astral de Ricardo, Ulisses, André e Samira. Eles voltaram a pedalar, mas decidi que ao chegar a Quissamã, voltaria para dar mais um suporte.
Engoli dois pratos de macarrão, comprei uma coca cola 2 litros e voltei pra estrada, mas ainda vi que André e Ricardo chegavam de ônibus ao PC 4 (Quissamã). Tinham abandonado. Que droga, mais 2 no meu turno!  Encontrei Ulisses e Samira e dei um pouco de coca cola a eles, segui e fiz o mesmo para Cleber e Clemar, os dois lanternas vermelhas da prova (últimos do pelotão).
Voltei para Quissamã e a essa hora eu já estava 'nos acréscimos'. O sol se pôs e descobri que já tinham fechado a sala de dança com que sonhei a noite toda para meu descanso. :-(
Fechamos o PC 4 e dormimos no carro do jeito que deu, até meia noite. Já não encontramos ninguém na estrada até Rio das Ostras e decidimos seguir até o PA de Iguaba. No caminho paramos para dar água e comida a alguns bravos que ainda estavam enfrentando o frio da madrugada. Ano passado ninguém abandonou nestes últimos 200 km de prova e parecia que a escrita se manteria, pois apesar de cansados dava para sentir a determinação de todos que apoiamos no PA do Posto Tigrão.
Lembro de ter pensado o quanto eu estava podre e muitos ciclistas passaram por ali bem mais animados que eu estava. E olha que eu não dirigi o tanto que eles pedalaram. Fico admirado!
Registrei em fotos e lembranças, que nunca serão apagadas, toda a força e coragem dos que se lançaram no desafio proposto, enfrentando frio, sono, fome, problemas mecânicos e físicos e ainda estavam, no Km 470 animados como se não tivessem tantos quilômetros marcados no ciclocomputador.
Não resisti a dizer a alguns o quanto gostaria de estar pedalando com eles e até por isso não medi esforços em ajudar em tudo que eu pude e com todos os recursos que conseguimos reunir.
Fiquei orgulhoso, honrado e grato a todos por ter participado como voluntário do maior brevet do estado, seja em distância como em bravura e perseverança de todos os atletas, tenham completado ou não, para mim são todos Super Randonneurs.
-------------------------------------
Só lamentei não poder ir à chegada para abraçar a todos, mas precisava voltar ao Rio. Michel dormiu no banco do carona por algum tempo, mas eu não tinha sono nenhum e isso me assustava um pouco. Ao chegar em casa já começava a receber torpedos de atletas chegando em Rio das Ostras. Realizado, tomei banho, comi algo e dormi. Foi um ótimo Brevet 600.

6 comentários:

  1. Esse cara foi excelente, sempre simpático, me recebia com um sorriso e já ajudava a acomodar a “Tá cedo!” e encher as caramanholas. Só tenho que te agradecer por todos estes breves. Você foi uma das pessoas que me viciaram no Audax.
    Abraço!

    ResponderExcluir
  2. Moro em Macaé e tenho acompanhado os Brevets na pipoca. A sensação de pedalar em grupo e sentir a empolgação da turma do AUDAX é muito legal. Agora estou me preparando para iniciar meu primeiro brevet. No AUDAX 600 de Rio das Ostras, me impus a meta de acompanhar o grupo até Quissamã, retornando de lá. Foi uma experiência indescritível. Cheguei bem a Quissamã, às 2:40 h, com um bom grupo. A velocidade média foi alta, pois o vento nos empurrou com força. Depois de comer o tradicional macarrão com molho de tomates, resolvi voltar para Macaé. O mesmo vento que nos empurrou na vinda, foi meu cruel companheiro por longos 64 km. Cheguei a Macaé às 7:00 h, depois de 175 km rodados em 9 horas de pedaladas. Fiquei feliz e acho que já consigo encarar o Brevet 200. Fiquei pensando na turma que encarou os 600 km e cheguei a uma conclusão:
    todos malucos! Entusiasmados, companheiros e saudáveis ciclistas, mas malucos! Parabéns a todos.

    ResponderExcluir
  3. Esse Eduardo é gente finíssima! Dotado de um ótimo astral e energia, que qualquer um randonneur pode constatar, fazendo um audax. Certamente irá encontrar o Edu, seja como voluntário ou atleta. Realmente sente-se a preocupação e a injeção de ânimo com a sua presença no PC. Um grande abraço pra ti.

    ResponderExcluir
  4. Vlw edu por td ajudou muito tanto nos PCs como na organizacao da prova, vc e toda a galera do audax rio esta de parabens, adorei ter completado minha primeira serie audax ai com vcs
    grande abc

    ResponderExcluir
  5. O Edu foi simplesmente sensacional!! Grande amigo!! Apesar de eu ter desistido, ele deu uma força espetacular na hora certa! Parabéns cara!

    ResponderExcluir
  6. Tenho muito a agradecer ao Edu. No Audax 200 ele retirou 2 raios quebrados e deixou a roda traseira "redonda" para que eu conseguisse terminar a prova. Depois ainda fiz o 300 e o 400 com ele dando apoio e no 400 quando, exaustos e pedalando de cabeça baixa, passamos da saída em Macaé e erramos o caminho de volta ele nos encontrou e avisou. Voltamos e ainda consegui brevetar, em cima da risca mas consegui. Forte abraço Edu! Infelizmente não pude fazer o 600 por motivo de agenda, mas farei em SP e espero encontrar por lá caras como você. Aproveito para agradecer também a todos os outros voluntários, foram todos nota 10!!!

    ResponderExcluir

Por favor escreva seu nome ao inserir comentário.