quarta-feira, 20 de julho de 2011

Uma pesquisa sobre equipamentos no Paris - Brest - Paris 5

Retomando a série de textos traduzidos sobre o estudo acima citado:
Cerca de 30% dos ciclistas RUSA (Randonneurs estadunidenses) não concluíram o PBP 2007. A causa mais comum foi ligada à saúde, como lesões e doenças. Houve relativamente poucos ciclistas RUSA com problemas mecânicos que tornaram impossível continuar a pedalar. Três atletas responderam que não conseguiram consertar luzes com defeito. Dois tiveram problemas com rolamentos, um de cada teve problemas com uma roda, pneus, corrente e quadro.
Entre os que tiveram problema de doença ou lesão, o mais comum foi problema digestivo, seguido por problemas no pescoço. Resfriados, em alguns casos hipotermia, causaram inúmeros abandonos.
DNF (Did Not Finished - Abandonos) e equipamento
Para analisar como as taxas de DNF foram afetadas pelas escolhas de equipamentos, observamos o grupo das 90 horas, já que muitos DNFs ocorreram entre estes atletas.
Quase metade dos ciclistas que usaram mochila (de carga ou hidratação) não terminaram a prova. As razões primárias que eles deram para o seu DNF foram 'doença/lesão' ou 'excederam o tempo limite', mas entre as doenças/lesões, não havia uma correlação clara a uma parte específica do corpo. Uma mochila pode aumentar a tensão geral no corpo, ao invés de afetarem partes específicas do corpo, ou ciclistas que usam mochilas podem ser mais propensos a fazer outras escolhas que aumentam sua taxa de DNF.
Por outro lado, ciclistas que usaram bagageiros traseiros tiveram baixo índice de DNF. Nós não sabemos o por quê disso. O alto índice de finalização do PBP entre ciclistas com bagageiro traseiro não parece ser simplesmente uma questão de levar mais equipamentos: entre todos os ciclistas, não houve diferença significativa no número de bolsas entre os que terminaram e os que não terminaram.
Não houve diferenças nas taxas de finalização entre ciclistas de bicicletas convencionais com selins tradicionais de couro e modernos selins de corrida, mas usuários de outros selins, principalmente os de gel, tiveram quase o dobro de DNF. Entretanto, poucos destes ciclistas listaram problemas nos selins como o motivo do abandono. Uma variável que não foi considerada pode ser responsável pela relação. Por exemplo, é possível que ciclistas com menos treino sejam mais propensos a escolher selins de gel.
Em média, ciclistas que concluíram o PBP usaram pneus ligeiramente mais largos do que aqueles que abandonaram a prova (não está ilustrado na planilha). Nós achamos interessante que dos quatro ciclistas em nossa amostragem com pneus mais finos que 21 mm, apenas um concluiu o PBP.
As diferenças em taxas de DNF entre ciclistas com faróis a dínamo ou a pilhas/baterias não foram estatisticamente significativas. A diferença entre ciclistas cujas bicicletas estavam com para-lamas ou sem para-lamas na amostragem geral também não foi estatisticamente significativa.

Clique nas imagens para ampliar
Desde a preparação desta pesquisa, nós planejamos pesquisar um certo conjunto de problemas que podem estar relacionados ao spray de água das rodas em dias chuvosos: problemas com os pés, joelhos, tendão de Aquiles, 'assento' e resfriado/hipotermia. Nesta análise mais específica as diferenças foram muito significativas: entre os ciclistas sem paralamas ou com apenas um, 12,2 % não terminaram o PBP 2007 devido a um destes problemas específicos. Entre os ciclistas com dois paralamas, apenas 5,3 % não terminaram o PBP devido a esses problemas, ainda que muitos dos ciclistas com dois paralamas tenham utilizado os modelos tipo 'clip-on' que oferecem proteção limitada, e mesmo que nem todos estes problemas sejam atribuídos aos respingos das rodas.
Estes dados sugerem que os ciclistas sem paralamas ou com apenas um foram mais que duas vezes propensos a terem problemas devido ao spray da estrada. Se esta interpretação está correta, então bons paralamas podem ser fator determinante para que muitos ciclistas terminem o PBP ou não.

Entre as quatro pessoas de nossa amostragem que não terminaram devido a problemas nos 'assentos', nenhum usava selins tradicionais de couro. Dois usaram selins convencionais plásticos com espuma, um usou um selim gel, e um usava um banco específico em sua reclinada. Entretanto esses números são muito pequenos para serem conclusivos.

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