segunda-feira, 4 de julho de 2011

Relato Brevet 600 - Ivan


“Esta prova teve tudo para ser especial e um marco para nós. Amigos, força, coragem, determinação, e luta. Muita luta. A começar antes mesmo do Audax.
Correrias para pagar a inscrição a tempo, e viajar de Cachoeira até o Rio às 7 da manhã de sexta-feira, chegando no Rio às 10h. Fiquei a passear na cidade e, logo depois, ir de carro com Marcus até Rio das Ostras. Saímos do Rio com pistas e rodovias congestionadas, e ainda passamos por Macaé, fazendo 190km em 3h de carro. Não fiquei em pousada e não dormi.
Fomos para a pousada onde estava Clemar e Ana, e conversamos bastante. Estava marcada uma macarronada (para energizar) mas não deu certo, demoraria muito e o Briefing já começaria. Muita animação, e havia gaúchos e paulistas no Audax. Agora eram 2 mulheres a tentar os 600km, Ana e Sílvia. A Tocolândia estava lotada de gente, e bicicletas.
O briefing foi no segundo andar, em ambiente rústico, com madeira, búzios e telhas antigas. Caminhávamos em ‘túneis’ de muro e madeira. Thiago dava instruções, e Thaís e 2 organizadores tiravam fotos. Thiago apresentou aos cariocas os audaciosos que vinham de fora (muito bem recebidos por todos), como gaúchos e paulistas. Thiago dizia: ’400 doeu. 600km vai ser melhor, vai anestesiar’.
Antes da largada, comi 2 pastéis de queijo ‘torrando de quente’. O vento já soprava (era contra? era a favor?). Alguns de reclinada se emparelhavam na partida. Apertei a mão de alguns, como Márcio, Cézar Barbosa e Sílvia. Desculpe se esqueci o nome de alguem, a animação era grande e tiravam fotos.
Zerei o velocímetro, e saímos 22:12min. Urras e gritos de ‘vamos lá!! Começou!!! Audax 600, rumo à estrada!’
Como o Audax começou à noite, teriam duas noites inteiras para percorrer. A prova acabaria às 14h de domingo. Saímos de Rio das Ostras em direção a Buzios, pois precisávamos percorrer 20km antes de entrar na Eco Rural, para o total passar dos 600km. Íamos até o Farol de São Tomé e voltaríamos (como o Audax 400), e teríamos que ‘percorrer um novo braço’, até Araruama ,voltando pela Praia Seca, atingindo a praia do Foguete, em Cabo Frio, e voltando pela Amaral Peixoto.
Eu e Marcus pedalamos juntos até Quissamã. Os primeiros 2 PCs (Macaé e Quissamã) foram tranquilos e esperados. Parávamos, estirávamos as pernas e continuávamos. Seguíamos, em ambientes escuros, os primeiros, que estavam de speed. Eram vorazes na velocidade, mas queríamos aproveitar a luz, e claro, o companheirismo. Filmava o percurso e não sabia o que nos esperava. Até já temia uma nova desistência por problemas mecânicos, o que seria o quarto DNF (Does Not Finished).
Passávamos por pastagens, campos abertos, montanhas ao longe, mas logicamente não se via nada. Vento lateral que logo ficava a favor, sons de cachorros, e aquele monte de farol branco iluminando a pista. Não passava carro e podíamos usar as duas faixas se quiséssemos. Parecia clima de piquenique. O tempo demorou a passar, e em Macaé, foi uma parada rápida, de 10 minutos. Tudo parecia muito distante (ainda faltavam 550km). Entrávamos nas rodovias dos bois (todos dormindo) e vento já gelado, deveria estar 18 graus.
No caminho, Marcus me alerta que o pisca vermelha desligou. Eu tinha dois piscas (que estavam fixos, pois em outros países, para não incomodar ciclistas, não pode estar piscando). Preferi retirar do selim e colocar no bolso atrás da camisa. Dava para ver, e não trepidava tanto. Se desligasse, eu veria, e religaria. Continuamos.
Em Quissamã, Km 125, havia pouca gente (bem diferente do Audax 400). Antes da prefeitura (o PC), um carro preto parado, e gente rindo e bebendo, conversando no meio da pista. Os funcionários haviam retirado o balão verde da prefeitura, onde tinha escrito ‘ESPORTES’. Senti falta. Entrei rapidamente. Eu quis ficar 5min apenas, e rapidamente comi um pouco de macarrão. Marcus disse que ficaria uns 20 min. Dali em diante, resolvi seguir sozinho. Algo estava me entusiasmando bastante, a expectativa e os exceeds Gel. Não queria que Marcus se esforçasse demais, ou o contrário, eu o limitar. Resolvi ir na frente.
Agora era eu e Deus. Segui alguns de speed mais à frente, e vi outros passando de mim. Quando dava, dizia ‘opa tudo bem?’ , e vi alguns de pneu furados. Perguntava ‘está tudo ok por aí?’ . Sons de cães, grilos, um pouco de vento a favor e velocidades médias chegando a 28km/h. Passava nas ‘regiões indígenas’, que eu chamava assim pelo fato de serem locais desolados, e até sem cerca (canaviais). A noite ficou bem escura (lua minguante, que estava escondida). Fiquei muito tempo atrás de um de speed que tinha luz verde piscante. Tentava ao menos manter o ritmo dele para não ficar só.
Mas alguns problemas surgiram e logo ficaria só de qualquer forma. O alforge pequeno que eu levava começou a roçar no pneu traseiro e tive que aumentar a altura do selim. Mais uns KM, parei de novo e aumentei mais ainda. O velocímetro ‘resolve’ não mais marcar , principalmente depois da chuva moderada de 10min, antes de Barra do Furado. Fui a um ritmo bom, e preocupado com os buracos, mostrados no vídeo do Audax 400, mas recaparam quase tudo. Pude manter uma boa média, mas sem saber a quilometragem (só consertaria o velocímetro ao amanhecer). Depois, uma das 2 lanternas de 900 lumens deixaria de funcionar. Teria queimado? Não parei para ver, pois ia perder o ritmo. Liguei a auxiliar (MTE de 900 lumens). Estava fraca mas dava para ver. Durou 3 horas ainda.
Mesmo com relógio, pouco via as horas. Não queria ter muita noção de tempo, e sim manter a média. Continuava entusiasmado, e imaginando como seria o próximo dia. Os pneus pareciam esvaziar, mas estavam confortáveis. Eu levava 2 Schwalbes Marathon Plus COM MR TUFF para garantir. Alguns postes de luz iluminavam só um trecho da via. Logo, eu voltava à escuridão. Raramente, um carro passava e eu ia até para a grama (havia trechos sem acostamento).
Em Barra do Furado, paralelepípedos. Fui sentido Campos dos Goytacases. Estava sozinho e assim ficaria até o PC3, no Farol de São Tomé (km 220). As estradas não pareciam terminar. O tempo passava devagar demais, e eu ligava o mp3 para distrair (sempre usando apenas um ouvido). Buracos. Paralelepípedos. Bois na pista (soltos!) e alguns cães correndo atrás de mim (eles odeiam a alta frequência das catracas girando). Não via nenhum outro atleta. Meu pedal de sapatilha começou a ficar estranho (pensei: ‘lá vem problema’) mas a bike estava boa e revisadíssima. O problema era o braço do pedivela frouxo. Parei e usei a chave allen especial. Apertei bem.
Amanhecia ainda nessa estrada, antes de pegar a rodovia que passava por Saturnino e Amaral. Como não conhecia de dia, estranhei, e achei que havia passado do lugar para dobrar. Continuei em regiões realmente desoladas. Queria perguntar a alguem, ninguem aparecia. Às 6h, uma mulher aparece pedalando (parecia levar uma gaiola) e pergunto: ‘daqui vou até o Farol?’ , ela disse ‘Sim! É uns 30km’. Fiquei tranquilo.
Na rodovia, cheiro de café quente e pão, nas padarias da cidade. Mas não queria parar ali. Com média caindo a 25km/h, vislumbro muitas fábricas e usinas de tijolo, e bosques imensos, com florestas de eucalipto e palmeiras ao fundo e alguma neblina. Estábulos ao longe. A sensação era de 16 graus, senão menos. Não havia levado casaco. Apareciam peões pedalando sem capacete, e levantando as mãos para outro peão, que segurava um boi branco, dizendo ‘eia, opa, como vai?’ , e outro, com um cavalo preto, andava a esmo, arrastando o chinelo ante tanta areia que esvoaçava quando um caminhão passava.  
Eu pedalava sem parar. As pernas ficavam repetindo as voltas, intermináveis.
Felizmente não havia carros de som, das 10 bicicletas e dos 10 bezerros.  
Paro no Farol (PC3), e fico 15min, comprando 2L de coca cola (mas tomando 1 litro na hora) e 2 bananas. Conversei com Thiago, da Pedal2, organizador Audax Rio. Parecia que ele trocava de camisa a cada hora, rs. Troco a pilha da lanterna de 900 e ela volta a funcionar (a pilha havia explodido). Conserto o velocímetro e o zero (“ok, zero km. Quando estiver no km 380, fiz 600km, pois estou no KM 220″). Parto para os próximos 200km, até Rio das Ostras (PC5), com o PC4 em Quissamã.
A rodovia estava com sol a raiar, e vento um pouco a favor. Logo eu veria quem? Meu companheiro Marcus, com toda a persistência! Saudamo-nos.
Logo, entraria à esquerda, para encarar mais de 30km até Barra do Furado. Agora eu veria tudo dessa região, durante um dos belos dias na paisagem fluminense.
Vento contra! E pista de terra! Começaria uma luta séria depois do nascer do sol. A sensação é que estava puxando a bike para trás de 5 a 10km/h, pois, forçando, não conseguia passar de 20km/h. Resolvi não me preocupar e fui assim mesmo. Passava agora na região de dia, via mais buracos, paralelepípedos, pássaros, gado, tratores, ônibus, e urubus. Pontes de madeira e cimento abandonados, e grandes bosques ao longe.
10km antes de Barra do Furado, sinto a bike escorregar. O pneu de trás furou. Uso a bomba para encher e ver se ‘furou mesmo’. A bomba não consegue encher. Achei ser problema na bomba e pensei ‘preciso de um posto de combustível para jogar ar. Não é possível que tenha furado’.
E pedalo 5km com ele furado (mas não totalmente vazio ainda).
Fiquei a 15km/h e em quase 20min, paro no borracheiro, que estava aberto! Abri o pneu e vi o furo. Preferi remendar (economizando a outra camara de ar). Demorei mais 20 min e parti. Não via ninguem pedalando por ali.
O trecho até Quissamã foi tranquilo e de muito visual. O vento ficou um pouco a favor. Vieram nuvens bem negras! 
Consegui passar delas a tempo. Mais tratores. Eu passava por grandes retas e curvas bem ao longe, com asfalto recapado. Aquela faixa cinza escura significava menos buracos. O sol começou a esquentar bem e parei 2x em postos e quiosques para molhar o rosto e a nuca. Ajudava muito! Comi banana passa, e mantive bom ritmo novamente .
Em alguns trechos, estava a 30km/h. Agora eram motoqueiros que apareciam. Um deles no acostamento esperando uma mulher. Depois, caminhões de madeira imensos passavam.
Ao chegar em Quissamã, comecei a me sentir cada vez melhor, e resolvo não comer macarrão lá. Fiquei menos de 10min. Alonguei, bebi água, guaravita, amendoins e banana, e parti. Só pensava em Rio das Ostras. Ainda passei em uma loja de bike para comprar outra câmara de ar, garantindo , caso furasse mais. Sei que essa volta seria complicada, pois no Circuito do Açúcar (canaviais) e a Eco Rural estavam com vento contra intenso! E com aquelas subidas… me fez sofrer.
Passei de Carapebus (agora, de dia, via melhor a cidade e parecia UM POUCO com Caxias-RJ). Duas subidonas logo de cara. Logo depois, saí da cidade, acostamento com buraco, e os canaviais. Cheguei em Ubás. Vi 3 de speed (seriam os primeiros?) Não me incomodava em passar ou não, para ‘ser o primeiro’. Mas segui o ritmo deles. Iam me deixando para trás, e chegaram a conversar. Eles parecem não ter gostado muito de eu ter filmado falando ‘Opa, lá vem eles, vou pegar, vou pegar!’ e me desculpei. Essas brincadeiras são bem aceitas no Audax Brasil (a gente acaba se estimulando um ao outro) mas não se pode agradar a todos. Cumprimentei-os e foram se distanciando. O sol estava forte, talvez 35 °C de sensação. Vento contra. Mais subidas. Carros apareciam mais vezes.
Passei por Macaé. Não teria PC.
Passei pela placa de Rio das Ostras, mas entraria na Eco Rural.
Na Eco Rural, um sol de rachar. Vi um de speed, não participante do Audax, subir rapidamente. Parecia um jogador de playstation (no melhor dos sentidos, bem boa-pinta, gente boa, risonho, fez um ‘ok’ ao passar por mim). O acompanhei e depois ele parou (tinha furado o pneu). Continuei. Passei pelas últimas retas da Eco Rural, e subia em pé.  
A rodovia RJ do fim da Eco Rural até Rio das Ostras (uns 8km) estava com um vento contra forte, talvez 20km/h, sem exageros. Não passava de 15km/h na reta. E mais sobes e desces com aqueles tachões (tartarugas), de onde tínhamos que passar por um espaço pequeno, para não bater o pneu. Vi a ponte do Rio.
Logo, Rio das Ostras à esquerda! Estava passando pela ‘grande ponte’ a 16km/h, mas cheguei cedo, às 16h. Pensei ‘Putz! Estou bem! Está ainda de dia!’ Resolvi comer outro pastel de queijo (bem quente) e fico menos de 15min. Os de speed que cumprimentei estavam lá e logo iriam sair. Uma forma de me estimular é o ‘auto estímulo’ que faço comigo mesmo (puxa, eles logo vão me pegar). Sem maldade, essa ‘preocupação’ me deixou mais focado.
A saída foi com vento a favor. Finalmente! Fui a 28km/h na Amaral Peixoto, que estava repleta de buracos! Havia ido nela à noite, tanto na ida quanto na volta, com Marcus, no megaride ambiental de 500km. Agora a peguei de dia e não a reconheci, tudo diferente. À noite, parece a praia estar perto, mas de dia, é mato dos dois lados!
Passei pela entrada de Búzios. Os alforges começaram a incomodar e pensei: ‘ah vou subir mais ainda o selim’. Não mais teria problemas com os alforges no resto da viagem. Anoitecia. E o transito ficou infernal, tendo até trechos com engarrafamento e muitas buzinas!
Vi a grande ponte de Porto da Aldeia e segui em direção a Araruama, passando pelo viaduto que passa por cima da Via Lagos. Antes, parei em um posto de combustível 10min, para tomar uma coca-cola. Eu começava a sentir sono, mas logo o sono foi embora. Era devido ao barulho de carros.
E eles tiravam fina! Aparecia um fusca branco, fazendo ‘brugun brubrubrubrubru…’ e eu me assustava. Vinha um Buggy e fazia ‘pow!!’, e pensava ser um tiro. Acostamento com buracos e lascas de areia, pedra e lama. Eu avancei para o meio fio. Descia a 40km/h e subia a 15km/h. Passei por Iguaba Grande (muitas luzes amarelas) e depois de trechos sem luz, Araruama. Avenidas largas. O lago à esquerda. Muita gente bonita, e som ambiente. Hotéis e praças com luzes brancas e verdes bem fortes. Passei da cidade, entrando na rotatótia à esquerda, em direção ao centro. Novas avenidas largas. Descidas. Depois, mais subidas. Agora era procurar a entrada para Praia Seca (nunca fui para lá), e pedalei quase 10km (senão mais) depois de Araruama, já preocupado de ter passado.
Trechos totalmente sem luz, em rodovia movimentava com caminhões, ônibus e acostamento repleto de buracos , com mato crescido. Havia subidas onde quase empurrei. Ônibus passavam voando. Sinais fechavam mas continuavam a passar. Muito cuidado! Menos mal, havia alguns trechos com pardais de fiscalização 50km/h. A entrada tinha uns tachões indicando onde dobrar (à esquerda). Onde estão eles? Mais curvas. Trecho escuro. Buracos, cuidado!
Finalmente, entrei antes de um ônibus nos tachões, e agora seriam mais de 60km pela Praia Seca. Os pés não paravam de girar os pedais.
À noite, não dava para ver nada, então pus as lanternas no máximo. Nenhum ciclista passa por mim e eu não sei mais se sou o primeiro, ou se errei o caminho!! Passei por cidades que nunca ouvi falar! 3, 4, 5 cidades. Uma delas eu lembro o nome, Pernambucana. Eu pensava em minha família, e via meu irmão no meio do mato. Ele sumia (rs). Depois ia pensando nas speeds que eu testava nos Audax, e vi o nome Specialized… o pensamento mudava para Special Bike… Special …Espaço, estrelas. Mexia a cabeça. Acordava mais. Chegada em região iluminada. Tinha cidades até grandinhas, com quebra molas e avenidas. 30, 40, 50km percorridos desde Araruama ou antes dele… o vento contra aumentava a tal ponto que não passava de 18km/h. Uma sessão forte de musculação depois de ter pedalado 500km. Yes!
Antes de sair desse trecho (que terminaria no posto da PM, que vai a Arraial do Cabo), ainda vislumbrava, ao longe, o trecho iluminado do outro lado da lagoa. Eu estava numa espécie de restinga, asfaltada. Havia grandes depositos de sal e água (diques), corujas no meio da pista, que voadam ‘do nada’, e barulhos até de sapos (havia trechos com PONDS, ou pequenos lagos) mas tudo escuro, mal se via. A estrada parecia dar a volta na ‘super grande lagoa’, mas nunca parecia terminar. Horas e horas passavam. a 18km/h, 50km eram feitos em quase 3 horas! A noite caía com tudo, e logo seria 22h! Havia trechos com mato dos dois lados, e uma placa: ‘CURVA PERIGOSA’ e ‘TRECHO COM ALTO INDICE DE ACIDENTES’. 
Parei em um bar, numa cidade que não lembro o nome, para tomar uma coca cola 290ml. Alguns bebâdos ficavam me observando, alguem dizia ‘vem de onde?’ e eu: ‘Farol de São Tomé’, eles ‘Caraca…você bebeu?’ 
No km 550, vi o relógio perto das 22:10 e urrei: ’550km em 24h no Audax Rio 600!!’ Emoções (humanas?) Eu não queria parar, estava entusiasmado. Ah, mas não foi 606km em 24h como na viagem à Curitiba, ou os 700km de Cláudio Clarindo, mas e daí? O trecho piorou (buracos, mato alto dos dois lados, carros e caminhões apareciam com super fachos de luz. As lanternas ficavam cada vez mais fracas). Eu procurava usar 1 de cada vez, mas agora ambas estavam fracas.
Cheguei no posto da PM. UM VENTO INFERNAL! Vi o pórtico de Arraial do Cabo de cor verde e achei super maneiro! Ops, o pedal começou a afrouxar de novo. Parei, peguei a chave allen especial e apertei mais forte ainda. Não mais ocorreria problemas deste tipo.
Fui pela estrada dos depósitos de sal, lembrando dos megarides feitos com o atleta Bruno, meu braço direito, onde passávamos por essa região. Na praia do Foguete, vi uma placa ‘Audax Rio’ com uma luz vermelha piscando (uma ótima ideia deles), mas isso depois de passar por 4 nomes de praias, e preocupado em achar ter passado do local. Cheguei! PC6! Vento contra aumentava, e ficaria assim até o fim da viagem. Os últimos 63km seriam penosos, pedalando a 18km/h nas retas.
Mas isso eu vejo depois. Parei numa pousada. Thiago Gomes e 2 grandes organizadores do Audax me receberam bem e entrei em uma chácara praiana maneiríssima, com pranchas de Surf.  
Conversamos, havia música ambiente (Dire Straits?) e usei o banheiro. Comi 1 sanduiche e meio (caprichadíssimo , feito pelo Thiago!) e parto para os KM finais. Devo ter ficado 20min, e o total de paradas chegava a 2h, mais ainda devido àquele furo de pneu de Barra do Furado (essa é demais, rs), que me fez pedalar com ele furado.
Eram meia noite. Claro que fazer em 24h não era mais possível, pois já chegava nas 26h. A distância ia diminuindo. 50km restantes. Passei nos viadutos de Cabo Frio, via gente estranha passeando sozinha, e carros entrando ‘com tudo’ á direita, na rotatória, para Cabo Frio. Em Porto da Aldeia, grandiosas avenidas iluminadas, e barulho de carros e ambulâncias de alta velocidade. Pontes iluminadas e imensas.  
Dobrei à direita, na Amaral Peixoto. Subida com vento contra e buracos. Pensei ‘vou só calcular de 15 em 15km, minha próxima meta é ‘comer’ 15km’. Passei da entrada de Búzios. Perto de 1 da manhã.
O sono vinha com tudo. Molhei o rosto. Colocava música do Michael Jackson. E depois, Tunak Tunak (de um indiano que fala ‘tonico com guaraná’), de onde me sentia bem e ria bastante. Mais subidas com pedregulho. Descia com vento contra, assim, pedalava direto. Pernas ficando dormentes. Joelho doía mais. Não usei o cataflam que tinha levado (‘bah, faltam menos de 20min, vou assim mesmo’). Apareceram pontes, e uma graaaaaaande reta de quase 10km, antes de Rio das Ostras. Filmava ainda, e mostrando as palmeiras um pouco ‘tortas’ pelo vento. Via festas, gente saindo de pizzarias, e surfistas epilépticos. Comecei a ver Bruno! Não era Bruno, era um poste com um desenho de uma bola.
Usava as mãos no bar end….. agora no guidão (manete). Agora no bar end…. mãos adormeciam e ‘davam choque’. Tomei mais um exceed e banana. Opa caminhão perto. BIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII…. O sono sumiu. Bem vindo à Rio das Ostras. 1h 30min. Nenhum ciclista.
Segui , segui e segui…..reta, reta, reta. Placas de Rio das Ostras (no caso, ‘bem vindo ao JAZZ e BLUES’), algumas curvas leves, a praia ao longe, mais surfistas.  
Vi a ponte, iluminada, a mesma próxima da largada! Estava feliz, realizado! Finalmente!! Dobrei à direita, e os últimos KM fui quase parado, pois muita gente estava saindo do jazz. Jovens, cheiro de maconha (sim, eu senti), sons de guitarra, sujeira no chão, cheiro de pizza, alguém se beijando por aí. Continuei. Polícias me vendo. Baixei as lanternas, fui quase desmontado da bike.
Entrei à direita nos paralelepípedos. OPA , VENTO A FAVOR NO ULTIMO KM! Cheguei a mais de 30km/h no PC final, às 1h 45min ou um pouco mais, não sei se já fui entregando o passaporte ou se fiquei fazendo hora.
Encontrei muita gente ali, a dormir , que iriam encarar o trecho de Araruama. Desejei sorte, e muita gente não acreditava em eu estar ali, mas falei que me sentia muito bem. Sílvia, de Sampa, dizia ‘não, você não terminou né? Tá de brincadeira?’. Disse à ela ‘Silvia, tudo é possível quando queremos’. Ela terminaria, mais tarde, esta prova de 600, e junto com mais 29 ciclistas, incluindo, claro, meu grande companheiro e amigo Marcus cavalcanti, que fiquei sabendo pelas ligações de celular e pelos organizadores. Com febre, fraco, e espirrando, ele se superou, tomando medicamentos.
Fiquei no PC final por 20 minutos, tirei algumas fotos, e o sono agora vinha forte. Mas , estranhamente, desapareceu. Liguei para meu pai, que saiu da pousada perto de Cabo Frio e ali chegou. Pus a bike no bagageiro, e viajamos até o Rio. Do Rio, peguei a direção do carro (meu pai havia bebido) e fui até Cachoeira Paulista (240km), sem dormir ao volante e sabendo dos riscos.
Em casa, guardei tudo, retirei a bike, tomei um banho demorado, e dormi algumas horas. Amanhecia. Era domingo, 26 de junho de 2011. Uma nova manhã para mim.
Abraços a todos, obrigado de coração a todos que torciam por mim, e agradeço muito ao trabalho dos organizadores e voluntários desta prova!! Vi que tudo é possível quando não deixamos de lutar, e principalmente, quando pedalamos com as bicicletas com as quais estamos acostumados. Nunca me dei bem com speed, a MTB e a híbrida estão em minha veias e esta prova mostrou isso. Cheguei em primeiro, mas sempre reforço que Audax não é competição, e a gente acaba pedalando querendo superar a si mesmo e a própria velocidade, buscando parar cada vez menos.
Em breve, postarei os mais de 4gb de vídeos da prova!
Senti falta imensa de meu braço direito Bruno Bernardo, do qual não pode participar, mas que venha 2012 para ele e para todos nós!
Agora sou Super Randonneur (já não era sem tempo) e que venham novos horizontes!
Queria ver muito estas provas serem comuns, tal como finais de semana de futebol, pois pedalar é saudável e é a nova ‘onda’ do país da tecnologia GREEN e da vida auto sustentável. Você faz o bem a si, gera o bem, e cultiva o bem.
Provavelmente, sim, eu devo ir à França em agosto, tentar os 1200km!
Parabéns a todos os 29 atletas que completaram (fora eu), no Audax Rio, que teve 200km de vento contra frontal! Mesmo os que não terminaram, estão de parabéns, e sabem muito bem que Audax não é só completar, é VIVENCIAR esta incrível aventura!!!
Ivan Rolim”
Leia o relato com fotos no Blog Megariders

Um comentário:

  1. meeeun q lindo esse seu post!!!! parabens mais uma vez!!! eu estou a tentar escrever o meu o logo mais, (assim q ele ficar bom posto pra vcs tb!) me emocionei e parece q pedalei td d novo com vc! lindo!!!!

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