sexta-feira, 8 de julho de 2011

Relato Brevet 600 - Cezar Barbosa

O sempre sorridente Cezar Barbosa.
 
Gostaria de deixar minhas felicitações pelo relato do Pedro, e saibam que através desses relatos é que nós podemos voltar mais fortes, corrigindo nossos erros para uma nova prova. E como o assunto é esse, farei um breve relato sobre esse grande desafio de 600 km. 
Como vocês devem saber minha classificação para os 1200 km na França já estava garantida quando decidi fazer esse desafio, e por isso me habilitei a fazê-lo com a consciência de que realmente seria um treino e também para juntar forças com os Amigos Audaciosos e Relineiros Pedro e Ricardo. 
A Grande verdade é que eu não deveria ter ido pedalar, poderia ter ido sim, mas para dar força na presença Física e Mental, porque eu estava vindo de duas semanas de trabalho exaustivo fazendo Mergulho de Bounce Dive numa Profundidade de 53 metros em Fortaleza. Traduzindo tudo isso aí para quem não sabe, esse é o Mergulho mais exaustivo que pode ser feito pelo ser humano, acordando todos os dias as 04:30 hs da manhã e indo dormir às 21 hs, tudo em função desse embarque de duas semanas. 
Mesmo passando por isso tudo já tinha em mente que iria fazer esse desafio e enviei uma mensagem para o Edu fazer minha inscrição, pois minha volta de Fortaleza estava programada para um dia antes da largada e tudo aconteceu na correria. Assim que cheguei no Rio não tive tempo para nada, apenas montar na bike e seguir até a Rodoviária para pegar o ônibus das 15:20 hs na sexta feira juntamente com o Edu, Carol, Mauricio e Edson que estavam indo para Rio das Ostras. Chegamos lá às 20 hs indo direto para o Briefing, seguido do Check-in e logo em seguida a largada. Como vocês podem perceber o tempo estava correndo junto comigo e na semana anterior à minha viagem, eu havia trocado o banco da minha bike e não havia testado. E para animar mais a minha correria, na hora da largada quando estava ao lado do Pedro pude perceber que um dos parafusos de fixação do suporte do banco estava sem a porca de travamento. 
Como a largada foi dada, decidi sair junto com o grupo para não ficar como retardatário (é muito ruim ser retardatário nessa hora) e assim segui acompanhando o 1º Pelotão rumo a Barra de São João. Segui com o Grupo até o Primeiro PC em Macaé no Km 64 sem sentir nenhum problema. 
Fui o segundo a chegar juntamente com o Leandro, o audacioso do Paraná e esperamos o resto do pelotão chegar. Partimos para o PC 2 em Quissamã. Nessa segunda parte reduzi o ritmo porque os tarados de Speed estavam voando a 35 km/h e a prova estava apenas começando.  Cheguei a pensar que seria o pessoal do Desafio de 100 km e por isso estavam nessa adrenalina toda. Segui no meu ritmo de 25 a 28 km/h e na primeira descida da serrinha encontrei um audacioso do 1º Pelotão com o pneu furado e sem câmara sobresalente para trocar. Fique ali dando apoio e ajudando a clarear com minha lanterna para que ele fizesse o reparo e depois parti para o PC 2 113 Km, chegando por volta das 03 hs da madruga como se estivesse vindo de um grande Baile, feliz e tranquilo por ter percorrido esse trajeto bem. Encontrei somente o Fininho que estava descansando. 
A alegria era tanta que não me demorei muito e quando chegaram o Mauricio e Marcos, eu já estava partindo para o PC 3 no Farol de São Tomé, sozinho, acompanhado apenas pelas estrelas. E como nem tudo é maravilha em um desafio, como toda glória precisa ter um pouco de sofrimento, passei em frente a um clube com Baile Funk e sofri duplamente as gozações por estar pedalando àquela hora, e numa bike totalmente estranha para eles. Entrei na estradinha que leva a Barra do Furado. Para fazer jus ao nome deu-se início ao meu sofrimento.  Primeiro foi a chuva, depois foram os cachorros e em seguida o incômodo com o banco e as dores nas pernas. Tudo junto e a partir daí a alegria já não era a mesma. 
A madrugada começava a ir embora dando inicio ao amanhecer que sentimos ao acordar de ressaca. Depois de umas duas corridas da cachorrada e com a redução da chuva segui meu intinerário, sendo alcançado pelo Mauricio Helman e Marcos fui com eles até Barra do Furado. Quando eles resolveram parar para descansar eu segui até o PC 3 no km 212, no Farol de São Tomé. 
Até aí minha dor não era tão intensa e minha parada no PC também foi muito rápida. Tão rápida que quando saí esqueci o capacete no PC, só fui me dar conta quando o pelotão que estava indo para o PC me sinalizou e o Pedro gritou que eu estava sem capacete. Fiquei tranquilo e liguei para o Thiago pedindo para que ele arrumasse um jeito de levar meu capacete porque já estava muito distante. Combinamos para eu pegar no PC 4 em Quissamã. Aproveitando a parada para ligar decidi fazer uma regulagem no banco e pude observar que ele estava muito inclinado verticalmente, fiz a regulagem e parti rumo ao PC 4 km 309 Quissamã. Minha chegada não foi com tanta alegria como na ida, porque sabia que tinha um grande problema para conviver durante o pedal que seria o desconforto de pedalar e a dor. Minha chegada no PC foi por volta das 13:00 hs, estava com muito tempo para descansar e fazer a mudança necessária na Bike. Depois de muita zoação no PC fiz os devidos ajustes e segui rumo ao PC 5 em Rio das Ostras no km 413, com um porém que deixei para falar só nesse final do relato. 
Quando parti para fazer a prova não havia tido 100% de aprovação da minha companheira para vir pedalar, e como a preoucupação era grande ela me ligava de hora em hora para saber se estava tudo bem. Na saida do PC 4 durante uma ligação fui relatar o que estava acontecendo e aí recebi algumas palavras de conforto me fazendo lembrar que não havia necessidade de estar me sacrificando tanto, porque já estava com o Passaporte na mão, e que pelo EGO DE QUERER SER UM SUPER-HERÓI iria acabar colocando em risco as minhas conquistas anteriores com uma lesão muscular ou mesmo um acidente por pedalar em desconforto. 
Depois disso minha mente passou a funcionar para pedalar apenas os 413 km e assim o fiz, mesmo chegando às 18 hs no PC 5 e sabendo que teria quase que um dia todo para percorrer os 192 km restantes. Confesso que ao chegar no PC e entregar o passaporte a minha vontade era continuar, e foi travada uma batalha imensa entre a Razão e a Vontade de terminar, mas graças a um pequeno momento de descanso na sala de Briefing pude ouvir a voz da Razão lembrando que eu estava a quase 48 hs sem dormir desde a minha saida do trabalho. Acredito que esse desafio valeu mais uma vez como experiência e que uma coisa eu aprendi. "É preciso ter um tempo hábil para você antes de começar qualquer coisa, porque assim você vai poder observar algo que esteja precisando antes de realmente começar sua jornada, seja ela qual for."
Abraço Reclinado a Todos.
Cezar Barbosa

Um comentário:

  1. lailton


    para grande cezar barbosa obrigado por ter me dado apoio quando furou o pneu da minha bike
    obrigado pela ajuda vc foi o unico que ficou me dando apoio que o resto ficou comedo de eu deixa pra trás o pessoal de novo o ritmo estava muito forte entre 40 a 50 km por hora eu puxando o pilotão desde rio das ostras ate macae o primeiro pilotão nao teve forca pra aconpanha meu ritmo quem me aconpanhou foi um ciclista da espeed merida o coroa ate macae proximo audax eu vou conpleta os 600 abracos a todos

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