terça-feira, 7 de junho de 2011

Relato Brevet 400 - Robledo Einstein

Rio das Ostras-RJ, 14 de Maio de 2011
Dia 13/05 pela tarde passei na casa do Marcelo, organizamos tudo no carro e seguimos para o Rio de Janeiro.
Na saída de São Paulo aquele engarrafamento básico, o que fez com que saíssemos efetivamente da cidade depois das 18:00h.
Passamos na cidade do Rio de Janeiro, levei o Marcelo pra conhecer umas poucas coisas, abastecemos e seguimos para Rio das Ostras.
Depois que passamos a ponte Rio-Niterói um novo engarrafamento. Um acidente na BR101 fez com que perdessemos um pouco mais de tempo.
Chegamos a Rio das Ostras às 2:30AM.
Pode-se imaginar que meu maior medo neste momento não era com a distância, mas com o sono que poderia sentir durante a madrugada. Oh trauma!
Ainda bem que a largada seria as 11:00AM. Perfeito, tendo em vista a hora que chegamos.
Deixamos tudo organizado, fomos dormir e acordamos bem no dia seguinte.
Como é diferente o clima de uma cidade litorânea! Ar puro e fácil de respirar. Não estava quente, mas o céu estava limpo e prometia ser um dia agradável.  
Após um café da manhã reforçado seguimos para a reunião técnica, que aconteceu num restaurante ao lado do Shopping Tocolandia. 
Chegando no local da largada e da reunião técnica.

Encontramos na reunião mais dois ciclistas de São Paulo: O Ivan Rolin e o Flavio. O Ivan também teve imprevistos em Boituva e iria, como nós, tentar o Brevet 400 no Clube Audax Rio.

Reunião técnica
Após a reunião ainda tivemos um bom tempo pra comprar água, conversar com outros participantes e até voltar na pousada e pegar corta-vento e calça, a ser utilizado no trecho noturno. 
Momentos antes da largada
Às 11:00h foi dada a largada. O sol apareceu, mas a temperatura continuava agradável. Eu e o Marcelo tinhámos um pequeno problema: Não conhecíamos o percurso e seria bom seguir alguém do Rio. E assim fizemos. 

Uma bela estrutura nos apoiava. Batedores da polícia fecharam os cruzametos e nos escoltaram até a efetiva saída da cidade. 

Largada

Acostumados com as belas, porém movimentadas, estradas de São Paulo, nós estávamos impressionados com a tranquilidade e beleza do lugar. Pedalamos forte neste primeiro trecho. Durante os últimos quilômetros em direção ao primeiro PC pedalei seguindo o Pedro Zöhrer, que pedalava numa reclinada criada por ele mesmo.Chegamos a Macaé (PC1 – 52 km) antes mesmo da sua abertura. Média de 31 km/h. O Marcelo chegou alguns minutos depois. 
Comemos, enchemos as caramanholas e assim que o PC abriu seguimos, num grupo de seis ou sete ciclistas. O Décio, um dos ciclistas deste grupo, teve problema com os fones de ouvido (enroscou na roda); outros não acompanharam o ritmo e em poucos quilômetros estávamos só eu, o Marcelo e o Nei.
O Nei é um ciclista muito forte. Revesamos na “puxada” até Quissamã (PC2 - 103 km), aonde chegamos também antes do horário de abertura.  Média de 32 km/h.
Neste PC nos aguardava um belo macarrão, servido pela organização. Fabuloso. Carboidrato era o que precisávamos!
Três daqueles ciclistas que partiram conosco do PC1 chegaram, enquanto comíamos. Comeram e rapidamente partiram. Antes de nós.
Organizamos as coisas e seguimos rumo ao PC3, que estaria na metade do caminho (200 km). Ou seja, estávamos a cerca de 100 km do próximo PC.
Continuamos “socando a bota” e rapidamente passsamos pelos três ciclistas que sairam em nossa frente. Nesta passagem o Marcelo achou mais prudente acompanhá-los e deixou que eu e o Nei seguíssemos num ritmo mais forte.
Às 18:30h, pouco depois que começou a escurecer, chegamos ao Forte de São Tomé (PC3 – 200 km). Agora era só voltar!
Einstein e Nei (PC3 - 200Km)
O PC era numa “padoca”. Repomos as energias e senti pela primeira vez um pequeno sinal de cansaço.
Dez minutos depois chegaram os três ciclistas mais o Marcelo. Resolvemoms que seria prudente voltarmos juntos, estava começando a parte noturna do pedal. Depois que todos descansaram pegamos a estrada, num grupo de seis pessoas.
Passamos por vários ciclistas, no sentido contrário, se dirigindo ao PC3. Mas, num determinado momento, paramos de cruzar com ciclistas. O asfalto ficou ruim, uma movimentação estranha de carros e pessoas... Alguma coisa parecia estar errada. Não nos lembrávamos de ter passado por ali!
Paramos pra analisar e verificamos que passamos da entrada que nos levaria de volta a Quissamã (PC4). Calculamos que havíamos andado dez quilômetros além do posto de gasolina onde deveríamos ter entrado.
Não havia o que fazer. Só nos restava voltar e pegar o caminho correto.
Vinte quilômetros pedalados em vão!
Isso abalou um pouco o psicológico. Mas era necessário continuar. Em poucos instantes chegamos ao grande trecho onde as condições do asfalto não eram das melhores.
Durante o dia a boa visibilidade minimizava os riscos. A noite a atenção precisava ser redobrada. O pedal fica mais cansativo e tenso. Diminuimos o ritmo. O plano de chegar de volta a Rio das Ostras até as três da manhã começava a ir por água a baixo.
Em Barra do Furado nós paramos num trailer para repor as energias. Cometi um erro: Com muita fome eu pedi um “xis egg tudo mais bacon”.
Caiu na barriga como uma bomba. Logo que retornamos à estrada eu comecei a sentir uma forte queimação. Ah azia maldita!
Sabia que a forma mais rápida de melhorar era colocando aquilo tudo pra fora, mas ao mesmo tempo ficaria sem combustível pra chegar ao PC4. Lá teríamos novamente aquele belo macarrão pra saborear.
O Marcelo ficou preocupado (conhece bem esses problemas de estômago) e me ofereceu um remédio.
Passado alguns minutos, o remédio não fazia efeito. Então parti pra solução mais rápida.
Pedalar com a barriga vazia foi horrível, mas bem menos incômodo do que com aquela forte azia.
Às 00:20h chegamos a Quissamã (PC4 – 298 km). Comemos bastante e descansamos. A organização oferecia colchonetes e edredon para aqueles que quisessem tirar uma soneca. Eu passei longe deles! Mas realmente não estava com sono.
O Nei e alguns outros que pedalavam conosco retornaram à estrada. Nós ficamos um pocuo mais. Vesti um corta-vento, que deixei com a organização. O Marcelo achou que não seria necessário reforçar a vestimenta. Seguimos em um grupo de cinco ciclistas.
Em poucas horas estávamos novamente em Macaé (PC5 - 350 km). Meu “garmin” registrava 370km, por causa dos 20 Km errados. O relógio marcava 3:30 AM. Pela primeira vez bateu um pouco de sono. Deitamos, mas só para descansar o corpo. Nada de dormir.
O frio já estava incomodando muito e eu não sabia como o Marcelo estava aguentando com uma camisa sem mangas.
O pessoal da organização, sempre muito atencioso e prestativo, nos ajudou colocando jornais dentro de nossas roupas e seguimos para os últimos 50 km, “cheios de notícias”!
É bem verdade que o percurso dos 400 de Rio das Ostras é praticamente plano. Mas pra quem já tem 400 km rodados qualquer alça de viaduto vira serra! Os primeiros e últimos vinte quilômetros de prova são onde se concentram as únicas subidas e descidas do trajeto.
O dia estava clareando e tivemos que exigir do corpo aquela energia final. Levamos as bikes no ritmo que dava para chegarmos todos juntos. O apoio mútuo estava sendo fundamental. Não podíamos desanimar faltando tão pouco.
Depois do sobe e desce, finalmente chegamos a cidade de Rio das Ostras. Eu não lembrava que demorava tanto pra chegar ao Shopping Tocolandia... Parecia que estávamos fazendo outro Audax!
A emoção de estarmos completando o Brevet 400 era o combustível final. E às 6:30 AM entramos na rua do Shopping gritando! Finalmente estava vencida esta etapa!
O Tiago estava lá pra nos receber.
Tiramos algumas fotos pra registrar a chegada e nos despedimos da galera.
Einstein: Exibindo a medalha
Marcelo: Exibindo a Medalha
Fomos pra pousada (obviamente empurrando a bike! Quem queria pedalar mais 1 km que fosse?)...
Primeira coisa a fazer era tirar todos os jornais dentro das roupas:
Jornais que ajudaram combater o frio!
Banho, café da manhã mais que reforçado e cama! Cheguei a comentar com o Marcelo: “Nunca mais vão querer hospedar ciclistas nesta pousada". Detonamos com o café da manhã que deveria servir a todos os hóspedes.
Ciclocomputador marcando a façanha: 421 Km!
Acordamos pouco depois do meio dia. Sabe o que era mais interessante? Ainda teríamos tempo hábil para a conclusão da prova, que era até as 14:00h.
Estávamos com uma “fome de leão”. Tudo que eu queria, não me perguntem por que, era comer um sanduiche do Mc Donalds. Não servia nenhum outro, tinha que ser do Mc Donalds (o mais porcaria que conheço!).
Arrumamos tudo e fomos atrás do sanduba. Depois era só pegar a estrada de volta pra casa.
Rodamos a cidade de Rio das Ostras inteirinha e não encontramos nenhum Mc. Sem esperanças, almoçamos uma comidinha normal na estrada.
Na cidade do Rio de Janeiro, novamente o desejo. Passamos por uns três ou quatro Mc, mas sempre perdíamos a entrada. Como tem dessas “pragas” em toda esquina, esperávamos encontrar mais um "logo mais a frente"... Resultado: Só fomos saciar nossa vontade e dar por concluído o nosso Audax à meia noite, no Mc Donalds da Faria Lima, já em São Paulo!
Um agradecimento a todos da organização do Audax Rio. Vocês foram fantásticos conosco.
Aos ciclistas do Rio, que nos acompanharam durante parte ou todo trajeto, obrigado de verdade. Sem vocês teria sido bem mais difícil.Fomos muito bem acolhidos por vocês! Perdão por não citar o nome de todos... de Einstein eu só tenho o nome, minha memória é uma lástima. Como consolo lembrem-se que só decorei o nome do Marcelo depois de algumas provas de Audax e muitos meses depois.

Aliás, meu agradecimento especial vai pra ele. Foi ele o responsável por termos ido até Rio das Ostras. Um grande parceiro!
Em breve estaremos juntos nas estradas. Que venha os 600!
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PARA LER O RELATO COMPLETO DO EINSTEIN SOBRE A SUA SAGA DOS 400 (COM TODAS AS FOTOS) VISITE SEU BLOG: EINSTEIN CICLISTA.

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