quarta-feira, 8 de junho de 2011

"Nunca serão!"


O forte brado dos oficiais do BOPE aos aspirantes a integrar a tropa de elite da PM do RJ ficou famoso Brasil afora no filme de José Padilha. Para entrar no BOPE o policial era massacrado física e psicologicamente, pois só os mais fortes e decididos podem continuar o treinamento.
É possível achar que os Brevets de longuíssima distância (acima de 1000 km) são exclusivos para a 'tropa de elite' dos randonneurs mundiais, e que para integrar esse suposto seleto grupo é preciso uma super bicicleta, além de músculos e nervos de aço. Pois bem, o Super-homem e a Mulher-maravilha tem estes nervos e não pedalam nem 200 km... porque eles vão voando! Não cabe entre os randonneurs a exigência desproporcional de super preparação física, emocional e de equipamentos. O bom randonneur é melhor apenas que ele mesmo, é isso que ele deve buscar.
Deixando seu equipamento (qualquer que seja) o melhor possível, preparando o seu corpo e sua mente de modo a superar as longas distâncias, mesmo com intempéries e dificuldades, qualquer um é capaz de concluir todos os brevets de uma série completa. Basta assumir e cumprir o compromisso da preparação acima citada.
Não siga conselhos negativos que criticam sua maneira de participar de um evento BRM só porque há, no imaginário popular do ciclismo de longa distância, um dogma a respeito do que é o ciclista ideal. Há pouquíssimos atletas no mundo que se enquadram nessa classificação artificial e totalmente descabida do 'ciclista ideal', mas há centenas, milhares de atletas que concluem muito bem os brevets longos. São negros, branquelos e amarelos, barrigudos, carecas, baixinhos e narigudos, com bicicletas carregadas de traquitanas ou sem uma espátula de pneu. Mas eles têm a convicção de que vão concluir.
Eles se superam, acima de tudo, e ajudam a derrubar facilmente a idéia de que precisam se espelhar em alguém melhor do que eles para se tornarem Super-randonneurs ou mesmo Randonneurs 5000.

RANDONNEURS! SEMPRE SERÃO!

Sempre serão randonneurs aqueles que encaram o desafio contra todos os prognósticos, muitas vezes longe da preparação ideal, enfrentam distâncias até então inimagináveis, ajudando os companheiros dia e noite, sol e chuva, pedalando horas a fio sem perder de vista o maior mérito do ciclista de longa distância: acreditar!
Estes são os melhores randonneurs do mundo, os mais capazes.

O Audax Rio bota fé nos ciclistas cariocas e brasileiros, audazes guerreiros fizeram desafios e brevets e que vão pedalar 600 km e depois 1000 km em Cristalina ou 1200 km do PBP 2011.

ALLEZ RANDONNEURS!

Aproveite a pedalada:

3 comentários:

  1. Excelente postagem! Esse é o espírito, estar melhor em si mesmo pelo que aprendeu de si mesmo! E não tentar ser igual ao outro ou ficar se comparando. Sem contar que cada um é diferente. Temos que melhorar o que já somos pelo que está no alcance, subindo degraus, pois, claro, o audacioso não quer ficar repetindo erros. Eu falo por mim, que completava provas Audax de 400 e superior de Mountain Bike, e quando usei speed (mesmo com bike fit e usando até 3 speeds diferentes), passei a não mais concluir. Voltei a usar Mountain Bike e retornei a concluir! Mesmo com tanta gente me forçando a usar a magrela pelo fato dela ser mais rápida e 'melhor em tudo'. Eu não acho. Depende de cada um! Abrs!! E vamos ao espírito da superação de cada audacioso, que é especial pelo fato de estar ali, encarando um super desafio!

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  2. Hehehehe...

    Quando participei do Audax 200 km, do Rio, a primeira coisa que fiz foi dobrar o mapa de rota, colocar no bolso da camiseta, e apelar, a partir dali, para usar meu GPS: Gente que Passa Sabe. Lá pelas tantas, depois de São Conrado, eu, perdido, sem saber pra onde seguir, perguntei pra um tiozinho, que estava sentado, numa varanda: - Passou muitos ciclistas pra lá? - Sim, disse ele. Eu, agradecendo a gentileza, ouvi ele continuar: - Passou pra lá, pra cá, e pro outro lado, também. Resolvi seguir minha intuição errante, rindo com ele da piada que acabara de me pregar. Durante todo o percurso, tive várias oportunidades de me perder, seguindo sempre em frente, até completar o percurso.
    Na prova dos 600 km, nas serras gaúchas, o nosso querido Faccin avisou a todos: - preparem-se, pois aqui não vai ter moleza. E não teve. Chuva, montanhas, buracos no asfalto, frio de madrugada, pedalada matutina sem café da manhã. Prova pra ninguém botar defeito. Ainda bem que só furou um pneu. E conseguimos completar em trinta e oito horas.
    Fizemos, na páscoa, um flechê, rumo a Santa Cruz do Sul. Uma maravilha de percurso, nos 386 km programados, não fosse a chuva intensa, que caiu das quatro da tarde de sexta feira, até às seis da manhã, de sábado. Chegamos em Venâncio Aires, com dez centímetros de água sobre a pista, e as casas e plantações totalmente inundadas e devastadas. Durante a madrugada, o suor se misturava com a água da chuva, e a lama do asfalto ofuscava os óculos. Bom pra chorar, pois ninguém ia nem notar. Um frio de rachar, compensado pelo aquecimento das canelas, que não paravam de se movimentar. Valeu a medalha.
    Enfim, as provas de Audax nos permitem um exercício de superação poética. Permite que um vagabundo que nem eu, que jamais foi atleta e disposição para sofrimentos vãs, curta as mais lindas paisagens, na companhia de uma galera que vale muito a pena, curtindo a alegria de ir e vir, sem saber pra onde. Para isso, não precisa de super bikes, treinamentos de elite, ou suplementos anabilizantes. Basta se jogar na aventura, curtindo a máxima dos viajantes: 'se você vier, pro que der e vier comigo, eu te prometo o Sol, se o Sol sair, ou a chuva, se a chuva cair'.....

    Valeu galera..

    Luiz Pereira
    Equipe Audax Floripa

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  3. Que filme eh esse?! Querem fazer a gente chorar antes da hora? rsrs! Eu...Só tenho a agradecer por tudo o que a Galera Audax Rio me proporcionou até hoje! Auto-Superação e Solidariedade! Abção de todo coração!

    Claudio Xavier
    Audax Rio

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