quarta-feira, 25 de maio de 2011

Um breve relato do Brevet 400...

Vinil (esq) e Christian pedalando na estrada sem fim.

                Não sei como serei breve em um desafio tão grande,
afinal de contas, 400 km é km que não acaba mais...

Vou iniciar pelo Brevet 300 de 19/20 de Março. Este, até agora foi o
mais duro por alguns problemas. No meu ultimo treino, resolvi virar a
noite pedalando, só para ver como era. E, para isso entrei no treino
do Edu, Guerreiro , o Sens e mais um que eu não lembro o nome.  O
treino de 130km foi sair de Niterói as 22hs, pedalar até Rio Bonito e
voltar a Niterói. A idéia me pareceu boa, e toca pedalar pela BR101.
Lugar feio de dar pena e sinistro também. Comentei que jamais passaria
por ali sozinho. Por segurança estávamos sempre mais ou menos perto
para que, em qualquer problema a ajuda fosse rápida. Quase em Rio
Bonito, paramos em um posto para abastecer e com o papo, acabei
esfriando e na volta a pista, a velocidade subiu muito rápido para o
que eu estou acostumado, resultado... dor nos joelhos! E isso a uma
semana do Audax 300.

Fim de tarde (16hs) e largamos para o Audax 300, a prova foi em sua
maior parte noturna. Mas este não foi o problema, na verdade foi até
legal pedalar com a maior lua cheia dos últimos anos. Deu até para
apagar o farol da bike em alguns lugares. O que atrapalhou mesmo foi a
dor nos dois joelhos, doeram do km 90 até o final. E esta dor fez o
resto do corpo trabalhar ainda mais. Descobri que se der mole, dá para
dormir pedalando e acabei a prova completamente moido, cansado e
preocupado com o Brevet 400 km que estava tão próximo... teria tempo
de me recuperar?

Praticamente não treinei entre as provas, primeiro para recuperar os
joelhos e meu trabalho não permitiu um treino decente, devo ter subido
umas duas ou três vezes Paineiras e umas voltinhas de monociclo na
orla. Como não sentia mais dores, este problema já não me assustava
mais. Acordo na 2ª feira antes do grande desafio e não acredito,
gripe!! Com a ajuda do Facebook, corri atrás de uma cura urgente, mel,
vitamina C, chá . E meus amigos me mandando  beber cachaça, conhaque,
whisky, rum e cerveja quente... Até faria isso, mas na semana de
limpar o sangue, arrumar um pileque para curar a gripe, não resolveria
o meu maior problema, pedalar os 400 km!

                Sábado 11 da manhã, a largada. Quarenta e três
ciclistas saem pelas ruas, de Rio das Ostras. Quem não sabe do que se
trata, deve estranhar, e se perguntar: Porque eles "correm" tão
devagar? Não vou contar aqui o que passou a cada quilômetro rodado,
vou tentar relatar os momentos mais marcantes, sejam eles legais ou
não.

Nestes Brevets de Rio das Ostras, tem uma coisa estranha, assim que é
dada a largada, pedalamos para longe do objetivo final (calma que eu
explico a minha teoria). O final da prova, fica a nordeste e largamos
rumo a sudoeste e ficamos assim, a cada pedalada mais afastados do
final. Comento com amigos que nas atividades de longa duração, muito
mais difícil do que fazer força, é manter a mente focada e preparada
para a empreitada. E com isso minha meta era de apenas chegar ao Farol
de São Tomé. Nesta prova, não demos a famosa volta até Barra de São
João, fomos direto para a estrada do contorno, para o primeiro PC,
desta vez em Macaé. Vento a favor, velocidade boa e todos felizes,
todos menos a minha bike que a uma semana estava gemendo, algo errado
no movimento central. Como eu fiquei doente e trabalhei direto, não
tive tempo de resolver este problema e fui com a magrela meio doente
mesmo. Era só ter uma subidinha que o “nhec nhec”  aparecia. Ainda no
inicio o Christian reclamou que o barulho estava bem chato, se estava
chato para ele que ouvia alguns, imagina para mim que ouvia todos? Em
Macaé, Maicon e o Sens levaram uma fechada criminosa de um carro que
entrava no posto, por sorte ninguem foi para o chão! É estranho como
quando nós conhecemos o caminho este passa mais rápido, logo chegamos
ao PC 01, conforme o combinado, ficamos o menor tempo possível
parados.

                Próximo PC, PC um e meio, este nós criamos ainda no
audax 200 e fica em Carapebus. Colocamos um refrigerante para dentro e
sem demoras voltamos a estrada. Fizemos amizade com duas garotas em
uma moto e como o relógio não pára quando precisamos, tivemos que ir
para Quissamã. Fiquei aliviado ao passar pelo ponto que meu joelho
iniciou a doer na ultima vez. E finalmente, o PC macarronada, o PC 02.
A idéia era darmos uma descansada maior neste PC, mas mudamos de idéia
para aproveitarmos ao máximo a luz do sol.



A estrada que liga Quissamã a Barra do Furado, é praticamente uma
ciclovia, tem uns buracos, mas nada que uma MTB e um pouco de cuidado
não resolva. Desta vez, a nuvem de mosquitos não atrapalhou e tão
pouco um cachorro preto que no 300 quase pegou a minha perna. Em Barra
do furado abastecemos as garrafas, pedimos umas orientações e
continuamos desta vez por lugares inéditos, São Martinho e Mineiros.
Essa estrada tem um pouco de movimento e bastante buraco, em algumas
partes, não se tem nem sombra de asfalto. Chegamos a estrada que leva
ao Farol, não gostei do lugar, muita gente e um clima estranho, uns
poucos quilômetros a frente, mais uma fechada, desta vez muito mais
séria, cheguei a fazer um "babalu" involuntário (com a freada forte,
apenas a roda da frente ficou no chão) por alguns metros até a parar a
centímetros de um acidente. Quase chegando ao PC café, o PC 03
comentei um pensamento ruim que tive, falei que a cada pedalada
ficávamos mais longe do nosso objetivo, a chegada! Isso era a minha
mente querendo me sacanear, mas tiramos risos desta informação e bebi
quase meio litro de café, neste que para mim era o principal PC,
afinal de contas, agora era só voltar tudo, todos os 200 km até a
chegada!

Logo no inicio do longo caminho encontramos o grupo mais animado do
Audax, o grupo da Ana... figura. Eles chegaram a tempo de pegar a
padaria ainda aberta, a Érica, convenceu o padeiro a fazer hora extra,
e atender ao último grupo de ciclistas. ( Uma observação, foi
impressão a minha ou a Érica estava em todos os PCs?) Mas, voltando a
estrada, a estrada sinistra... Lá pelas tantas, vejo um motociclista
no acostamento da contramão a toda velocidade e alerto o Christian. O
safado passou muito rápido e quase bateu de frente com o Sens. Por
muito pouco não rola um desastre! O maluco acabou perdendo o controle
da moto e foi parar no meio do mato. Momento tenso, ficamos
preocupados de o cara voltar com a moto, desta vez por trás.

Tudo correu bem, algumas corridas de cachorro que até ajudavam a subir
a nossa velocidade e tirar o sono. Puts, o sono, faltando uns 30, 40
km para chegar ao PC macarrão com soneca, (PC 04), o sono chegou com
tudo, comecei a ficar distraido. Já tinha percebido que é possível
pedalar e dormir ao mesmo tempo. Ficava cada vez mais complicado
pedalar, ou pedalava ou me mantinha acordado. minha velocidade foi
caindo rapidamente, até o ponto de pedir para parar. Paramos e dormi
por 10 minutos. Este breve cochilo foi ótimo, voltei ao pedal bem
melhor. Sens, para ajudar a animar, iniciou um adedanha e fomos
falando todos os nomes com "A", "B" e assim por diante, rimos bastante
de nomes como Pinóquio, Pluto e todas as combinações com Maria, Jesus
ou Gesus,  enfim, uma roubaleira sem tamanho.

PC04, o melhor macarrão do planeta! Este foi o PC que ficamos mais
tempo parados, praticamente uma hora, contando com comer e dormir.
Saímos as 6:00 com o inicio da claridade e consequentemente do calor.
Impressionante como mesmo dormindo pouco mais de 30 minutos o corpo
volta a funcionar com a luz do sol, acho que sou movido a gel de
carboidrato, isotônico e fotossintese. Esta combinação, fez a
velocidade subir e girávamos a 25km/h sem fazer força. Nas descidas
uns 40km/h! Isso ajudou a levantar a moral da dupla. Em Carapebus
encontramos com  Leandro e Marcio aproveitamos e mandamos ver em um
café da manhã, nós quatro estávamos tranquilos quanto ao tempo. Nosso
tempo permitia até um imprevisto como um pneu furado por exemplo. Os
dois foram na frente e perdemos um tempão tentando colocar a filmadora
em algum lugar legal na bicicleta...

                Ultimo PC, Macaé, fizemos uma parada relâmpago. Nosso
plano era para em uma bela padaria que vimos durante o Audax 300.
Acabou que errei o caminho e fomos parar em um barzinho feioso. A
saida de Macaé, até o posto da PM, é em um asfalto ruim. Mas a bela
estrada do contorno, faz a alegria de pedalar voltar. Não sei quem
teve a idéia, mas pegar a direita na estrada Califórnia quando pela
esquerda vai direto para a chegada foi uma baita maldade... Não quis
nem saber, empurrei nas subidas a minha companheira que voltou a
reclamar e passou a pular marcha. Meu joelho dava os primeiros sinais
de que ia doer, não liguei, pela hora poderia ir até caminhando para a
chegada.

                Finalmente, após vinte e tantas horas pedalando, ela,
a chegada!! Nos últimos metros a vontade que da é de correr ao
máximo... de cruzar a linha e simplesmente parar.

                Vou aproveitar e agradecer...

A minha bicicletinha, que mesmo gemendo e estalando, me aturou por estes 400 km

Ao Christian Sens, que permitiu minha cochilada na beira da estrada e
me fez rir de montão.

A toda a galera da organização!

A Onipresente Érica, que como de costume dava a maior força a todos!

E é claro, a quem fez o melhor macarrão do mundo!!

Muito obrigado a todos e até o 600!!

Luiz Paulo "Vinil" Leão

Um comentário:

  1. Vinil, você me fez pedalar ao seu lado com esse relato! Parabéns!!!
    Bj

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