quinta-feira, 3 de março de 2011

Relato Brevet 200 - Nei Esteves


Eu adoro pedalar e sempre achei que podia passar um dia inteiro pedalando. Eu fui ciclista federado no milênio passado em 1978 e 1983, e mesmo assim nunca tinha pedalado 200 km em um único dia. Participei do desafio 100km urbano em 2009 e foi muito duro, eu estava em má forma e ainda muito acima do peso. Agora em 2011, estou novamente federado com assessoria esportiva do Walter Tuche, e perdi 44 kg em 2 anos e apesar de ser uma distancia inédita para mim, apostei que seria apenas um treino longo e uma oportunidade de perder mas 1 quilinho. Mas o organizador na palestra falou que era tudo plano, com reabastecimento e macorronada e que iámos até engordar!!! Então tá. Após a largada logo na volta de Barra de São João formou-se um pequeno pelotão na frente de 4 bicicletas, sendo uma de estrada (eu), uma contra-relógio, uma mountain-bike e até uma bicicleta de pista (de um ciclista paulista, muito bom o cara, sem marchas com uma única relação acho que 49 x 17 e que impôs nosso ritmo a maior parte do tempo). Então eu pensei, realmente não existe bicicleta melhor ou certa para esta prova, quem cumpre um Audax é o ciclista e não a máquina que apenas ajuda. A escolta que entendi seria só até Barra de São João, não sei se por mudança de planos, ou porque o sujeito se empolgou, nos acompanhou até Macaé, abrindo todos os sinais e protegendo nos cruzamentos, muito bom!
Quem conhece a região dos lagos sabe que sempre venta muito, mas a surpresa eram as subidas que apareciam todo o tempo (mas não era tudo plano?). Eu coloquei meu celular para despertar na hora prevista de abertura de cada PC, e daí dava para controlar o nosso ritmo, pois esta é uma prova de regularidade, ou seja, é burrice andar acima da média máxima prevista e ficar parado esfriando o ritmo aguardando um PC abrir.
Após o PC 2 o pelotão recebeu mais audacioso de mountain bike, e agora erámos 5, revezando e enfrentando o vento e as ladeiras (vi até aquela placa de aclive acentuado - um carro subindo uma rampa) e praguejava "''é só plano!!!". E o cara da bicicleta de pista subia tudo em pé, num giro incrível! Até que numa dessas subidas eu errei a marcha e saiu a corrente e fiquei para trás. Vi o meu pelotão ir embora revezando e pensei, é agora sou eu e a estrada. Ao chegar no PC 3, lá estava meu pelotão, mas já de saída, a tentação de voltar ao grupo da frente foi grande, mas pensei, o mais prudente é se alimentar e prosseguir sozinho. Comi a famosa macarronada, bebi bastante água e repositor e pensei, agora é vento a favor e aquelas subidas todas vão virar descidas, e já estou voltando, pois este PC 3 já passou da metade do Audax. Quase em Macaé alcancei mas um audacioso desgarrado do pelotão, ele me relatou estar com caimbras nas 2 pernas, lembrei para ele não desistir, pois já estava quase no PC 4, e que como a alimentação é fundamental inclusive para evitar caimbras. Eu estava religiosamente me alimentando a cada 30 km, além dos lanches dos Pcs, ora com gel, barras ou bananadas e uma caramanhola de água e outra de repositor. Pc4 alcançado, finalmente esvaziei o tanque, pois me juraram que no PC 3, tinha banheiro, mas eu não achei. Partimos agora em dupla, passamos o único trecho de piso ruim na saída de macaé, e finalmente encontrei o tal retão que o cara falou que existia na estrada de Rio das Ostras, eu tenho certeza que ele falou que era na ida, que só foi de subidas, mas eu devo ter entedido errado, pois ele existe, só que só na volta. 
PC 5, alcançado, agora é moleza... Só que as subidas voltaram, inclusive uma que parece ser a maior pirambeira de todo o percurso, que que é isto???? mas não é tudo plano??? Berrei para mim mesmo e para o companheiro, que com certeza esta era a última subida do dia, e foi mesmo! Lá em cima berrei, daqui já estou a vendo o mar, logo chegamos! Comemoramos o alcance da marca de 200k, show! Finalmente de volta a RJ106, agora era só entrar naquela rua larga com uma ciclovia no meio, pois com certeza só tem uma rua assim em um lugar pequeno como Rio das Ostras, certo? Errado, apareceu uma tal de rua Brasília igualzinha a Roberto Silveira, e descobri pelo pior jeito que Rio das Ostras tem um monte de ruas largas com ciclovia no meio!!! Mas enfim a verdadeira chegou, me empolguei e até deixei meu novo amigo um pouco para trás esprintando todo feliz até o pórtico, onde me esperava... ninguém... Tudo bem a chegada é ali na tocolandia, o que são uns 50 metros para quem rodou 206,8 km! 
Missão dada, missão cumprida! Eu só ia fazer este, mas sabe como é. quem fizer todos recebe um troféu lindão de vidro, enfim, nos encontramos após o carnaval para o 300! Afinal mas uma vez vai ser só plano (rsrsrsrs), apenas com uma esticadinha até cabo frio, e não vai nem ter sol.
E vou ver se comprovo minha teoria de que é possível pedalar um dia inteiro.
E não é que o organizador estava certo, engordei um kilo! 
No meu computador foram 7h30min, com batimento médio de 130 bpm. Velocidade média 27,4 km/h, cadencia média 79.

Abraços,

Nei.

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