terça-feira, 1 de março de 2011

Relato Brevet 200 - Felipe Alves

Desde o meu fracasso no Audax 200km 2007 em Itacoatiara, tentar de novo com sucesso era uma questão de honra para mim, e meu parceiro de pedal Bruno Pacheco, que aliás, foi quem me apresentou ao Audax Rio naquela época. Eu ainda fazia faculdade de noite e trabalhava de dia, tinha pouco treino e não fui com uma bike apropriada. Desde então, passaram-se 4 anos e alguns desencontros de oportunidades. Agora, em Rio das Ostras 2011 estava confiante. Entretanto, na noite de sexta, véspera da prova, enquanto jantávamos no Porto Tropical (ao lado da largada), meu suposto resfriado tranformou-se em FEBRE ! Mas eu não pensei em desistir, não despenquei de Angra dos Reis (onde moro e trabalho) até R.O. para amarelar na cara do gol. Tomei remédio para gripe, me alimentei bem e pensei antes de dormir: 
 - Vou expulsar esse vírus do meu corpo com a adrenalina, suor e toda a água que eu irei consumir neste Audax ! 
Na manhã seguinte estava me sentindo melhor e largamos todos bem. lá pelos 40Km de prova, apesar da revisão da bike, o central abriu o bico, mas consegui chegar ao primeiro PC de registro. Lá o pessoal da organização me profetizou a seguinte sentença:
 - Isso não vai quebrar fácil, vai te incomodar muito, mas vc pode conseguir completar a prova ...
Então, me abasteci com água, e seguimos a rota. As horas foram passando, o sol veio chegando com tudo. Chegando ao PC 1 eu não sabia se estava ardendo de insolação ou de febre. Sentei na sombra, bebia água fresca e joguei o resto na cabeça. Alonguei, me besuntei de protetor solar e parti. 
Foi muito sufoco passar pelas estradas de Quissamã, tinham duas coisas contra você: O calor e o vento contra! O curioso é que uma amenizava a outra, quando o vento diminuia, a pedalada rendia mais, em contrapartida ficava mais quente ... e vice-versa. Era o sol castigando por cima, e o asfalto emanando ondas de calor nas pernas. Devido a folga no central, a coroa sofria uma pequena oscilação, mas o suficiente para minhas marchas começarem a saltar ... quando cheguei ao portal de quissamã, a tampa do central soltou e tive que parar.
Depois de reencaixar o central e apertar a sua tampa (com a mão, é claro...) despenquei para o PC de Quissamã!  Eu parecia um soldado camuflado, tinha graxa até na minha cara. Estava bastante fatigado, desidratado e a febre dava sinais de querer voltar. estava tonto e enjoado, tentei forçar o vômito e nada ... Então, encostei a bike numa árvore, tirei a sapatilha e a meia, tomei água e botei o pé de molho enquanto comia a melhor macarronada da minha vida ! Era fome mesmo ! Descansando, em pensamento, me perguntei se eu realmente tinha condições de voltar ... 
O Bruno Pacheco e outros colegas que não me recordo o nome agora, me deram muita força. Na partida de Quissamã, o Bruno foi sempre perto de mim, até que eu tivesse recuperado de novo o vigor e a velocidade.
E realmente, a volta foi ficando mais tranquila, todos alimentados, com o vento a favor ou no máximo de lado, mas não mais contra, e o sol que, aos poucos foi se despedindo e a temperatura baixando ... foi tornando tudo mais fácil.
Quando passei novamente por Macaé eu era outra pessoa, eu havia renascido das cinzas !!! Recuperei a velocidade, o ânimo, pois o mal estar havia passado e estava convencido de que se a bike não quebrasse antes, eu iria conseguir brevetar.
Na estrada, nós parecíamos vaga lumes gigantes, com as lanternas e faróis piscantes.
Foi uma emoção muito forte me aproximar novamente de R.O. já no escuro da estrada, ver as luzes da cidade se aproximando, chegar naquela rua com calçamento vermelho, avistar o tão esperado portal do Audax e as pessoas ansiosas lá no final. 
Consegui completar essa prova, gripado e com a bike danificada, graças ao sonho no coração e a garra no peito !!!
Obrigado a todos os colegas de estrada e pelo apoio, e a organização do Audax pela atenção e carinho.
Até a próxima!

Felipe Alves

4 comentários:

  1. Fala meu camarada!
    Fomos com o objetivo de trazer o brevet e conseguimos.

    Administramos bem o tempo e nos poupamos no começo da prova.

    Esse mecânico onde você revisou a bike, tá jogando contra, pois teu central estava ruim e tinha folga na roda de trás.

    Mandou bem demais.

    Abçs

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  2. Alexandre Ferreira1 de março de 2011 12:05

    Mandou bem demais mesmo Felipe, andei perto de vcs direto, pra mim tu foi o Herói desta Edição. Fiquei muito feliz de tê-lo visto chegando no portal e brevetando. Alexandre Kona

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  3. Grande Alexandre!

    Audax é isso, superação. Andamos parte do trajeto juntos, dividimos mariolas pela estrada e meio copo de água de coco, pois a única vendedora na estrada não tinha mais coco ...rs

    No final saindo de Macaé você foi arrumar aquele furo no pneu, mas com a ajuda dos amigos do Audax, conseguiu trocar e brevetar.

    Parabéns e nos 300km estarei lá.

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  4. Alexandre, esse é um dos camaradas que me deu apoio moral no PC Quissamã. Valeu pelas dicas, foi realmente como vc falou!
    Complementando o que o Bruno disse, Audax é antes de tudo, uma prova de determinação. Onde devemos administrar o melhor possível a nossa energia, alimentação, hidratação, ao longo do tempo de prova, se baseando nas condições climáticas e geológicas do caminho que irá percorrer. Não há adversários alem do relógio e de sí mesmo.

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