sexta-feira, 25 de março de 2011

Momentos inesquecíveis

Khristian, Eduardo, Ana, Pablo e Clemar no final do 200 do mês passado.

 Clemar, Ana, Khristian, Eduardo e Edu na chegada do 300.

A minha trajetória começou no final do ano passado, quando decidi sair do sedentarismo e dedicar um tempo para a prática de esportes.
No inicio a idéia era de fazer apenas uma corridinha na praia com algumas abdominais e aos domingos dar uma pedalada.
Comecei pedalando 20 km aos poucos já estava em 40 km. Foi quando a minha esposa viu o outdoor do Audax.
Liguei no inicio de janeiro para a prefeitura para obter informações e consegui o contato da Pedal 2.
Quando liguei falei com o Roberto e ele informou que a prova era de 200 km e tinha um desafio para iniciantes de 100 km. Naquele momento percebi que não era para mim. Bati um papo com ele para obter algumas dicas de equipamentos, já que praticamente não tinha conhecimento algum.
Após terminar o telefonema fiquei com aquilo na cabeça e pensei: “Eu tenho pouco mais de 1 mês para treinar para a prova de 100 km, acho que vou tentar.” Daí em diante comecei a me dedicar e em fevereiro já estava andando 80 km com uma velocidade bem acima da média do Audax. Foi então que decidi me inscrever no desafio 100 km.
Liguei para o Tiago e passei para ele sobre a minha condição e ele me motivou a tentar o 200 já que o 100 não seria um grande desafio para mim.
Conversei com a minha esposa e ela também concordou e me apoiou a tentar. Acabei aceitando a idéia e lá fui eu entrar em um capítulo maravilhoso da minha vida.
No dia 13/02/2011 participei do simulado que a Pedal 2 organizou onde iríamos até Quissamã, totalizando 160km. Foi o meu primeiro grande desafio. Acordei naquele dia todo empolgado e lá fomos nós para Quissamã. Consegui chegar, mas com muita dificuldade, pois o vento estava muito forte e me senti muito fraco. Naquela ocasião desconhecia alguns suplementos alimentares para encarar estes desafios e comecei a passar mal após o almoço, já que cheguei com muita fome e acabei comendo muita carne.
Na volta passei muito mal e aos 100 km parei em um bar na estrada entre  Quissamã e Carapebus e acabei solicitando “resgate” para a minha esposa.
Fiquei muito mal e cheguei a ligar para o Tiago para trocar a minha inscrição para o 100. Após o desânimo e me acalmar, procurei avaliar o que tinha ocorrido, já que a perna estava bem e o problema era o mal estar. Procurei um apoio de uma nutricionista e foi quando vi que fiz tudo errado.
Comprei vários produtos,  mudei minha alimentação para a prova.
Chegou o grande dia do Audax 200, sem dúvida alguma foi muito legal, mas as pessoas que eu conhecia estavam no Desafio 100 e acabei não tendo um grupo para me integrar.
Fiz amizade com algumas pessoas, mas o ritmo não era compatível e tinha que procurar outro pelotão. Foi quando ao chegar na entrada de Quissamã, conheci o Clemar e o Pablo. Fomos juntos até o PC e lá ficamos quase 1 hora. Nesse tempo o Kris que eu já tinha conhecido no caminho também chegou e no bate papo conheci também a Ana que inclusive era muito animada. Percebi que valeria a pena tentar voltar com eles.
A volta foi emocionante, pois passamos por vários momentos difíceis e de grande superação. Conversamos muito ao longo do percurso e percebi o quão especiais eram aquelas pessoas. O Pablo então foi um grande exemplo de superação para todos nós. Aproveito para registrar aqui o meu parabéns à ele, pois sem dúvida ele foi muito importante para todos nós do grupo.
Retornamos e chegamos juntos fazendo a maior festa. Parece que foi ontem chegar na Tocolândia cansado, com o pneu quase vazio, pois faltando poucos km para o fim ele começou a esvaziar e ouvindo a Ana gritar se tinha alguém cansado e todos respondemos que NÃÃÃÕOOO!!!! Para ser sincero eu não estava cansado, mas sim MORTO.... Minha esposa fez um lindo cartaz para mim. Também foi bem legal.
A partir daí começamos a conversar por e-mails e ligações para trocarmos dicas para o 300. Parecia que seria uma continuidade. Mas a vida consegue nos mostrar a cada dia que não conseguimos prever o futuro.
Dia 20/03/2011, é a  hora do 300. Ao contrário do 200, eu já tinha um grupo para pedalar, tivemos a baixa do Pablo que infelizmente não pode participar. Logo na largada o Kris tem um pneu furado e o grupo já sofre mais uma baixa.
Mantivemos um ritmo mais lento para que o Kris conseguisse nos alcançar até Macaé e isto realmente ocorreu, também ganhamos um novo integrante, também Eduardo. De lá em diante percebi muita diferença para o 200, pois encaramos uma estrada totalmente escura e andar em grupo fez toda a diferença. Andar a noite debaixo da Super lua foi o máximo.
Foi muito engraçado corrermos de uma cachorrada em Carapebus rsrsrs. Quando já estava chegando próximo de Quissamã, comecei a sentir dores no meu joelho direito, na realidade eu já estava com este sintoma desde a quarta feira.
Começou a minha luta contra mim. Levei um spray de Biofenac já que imaginava que isto ocorreria. Comi a macarronada que diga-se de passagem estava muito gostosa e após descansar alguns minutos, seguimos para Barra do Furado. Procurei administrar a dor aproveitando que a estrada era plana e isto me ajudava. Pegamos uma nuvem de mosquitos, esperanças, sei lá o que eram, só sei é que tinha que ficar com a boca fechada para não engolir os insetos.
Consegui chegar bem em Barra do Furado mas a partir da volta há uns 15 km de Quissamã a dor começou a me perseguir. Paramos novamente em Quissamã e procurei relaxar ao máximo mas estava difícil melhorar.
Seguimos e próximo de Carapebus, paramos para tirar fotos do lindo nascer do sol, é incrível como eu nunca tinha parado para admirar a lua e o nascer do sol.
Daí em diante o meu ritmo já estava bem mais lento que o do pessoal e em Macaé comecei a ficar para trás.
No PC de Macaé a dor já estava me dominando, recebi um apoio do grupo para seguir com eles, pois já estava pedindo para que eu ficasse mais um pouco. Minha esposa já estava preocupada pois eu já demonstrava pretensão em desistir.
Seguimos e em Cantagalo não teve mais jeito, o meu ritmo estava muito lento e nos separamos. Neste momento começou uma grande luta interna, pois o joelho direito já não conseguia mais pedalar e estava 90% com a perna esquerda. Parei na praça de Cantagalo para relaxar 5 minutinhos e segui até o ultimo PC.
No ultimo PC cheguei muito mal, mas já sabia que não queria e não poderia desistir. Liguei para minha esposa e avisei que estaria na Tocolândia em aproximadamente 1:20 pois faltavam 20 km e o meu ritmo estava muito lento.
Saí em direção a Tocolância e uns 3 km após o meu pneu furou. Quando percebi, gritei um palavrão pois já estava com a sensibilidade a flor da pele e não acreditei que teria que parar para trocar a câmara.
Fiz o reparo e continuei a minha busca pelo Brevet, mas o maior desafio ainda estava por vir, pois na ultima subida da estrada do contorno, a dor forte que me perseguiu no joelho direito, também começou a dar no esquerdo. Sinceramente, não podia mais pensar em desisti. Daí em diante foi aproveitar ao máximo as descidas, administrar a dor nos joelhos na parte plana e sofrer nas ultimas 3 subidas que eram na estrada de Serramar.
Por volta das 10:30 eu já estava pegando a rua para chegar na praia de Costa Azul. Ainda não estava acreditando que isto estava acontecendo.
Andar na orla de Costa Azul nunca foi tão maravilhoso quanto neste momento. Ao ver o cartaz do Audax na chegada, não entendi o que ocorreu comigo, mas o que sei é que comecei a chorar, e olha que quem me conhece sabe que não tenho este hábito.
Foi emocionante chegar vendo o meu grupo gritando o meu nome e a minha esposa com a minha filhinha me esperando.
O Audax 200 foi maravilhoso, mas este 300 sem duvida alguma foi o maior desafio da minha vida e que graças à Deus e aos meus amigos, eu consegui superá-lo.
Muito obrigado Ana, Clemar, Eduardo e Kris, sem vocês eu não conseguiria. Bem que me falaram que este tal de Audax era incrível.
Agradeço também ao Tiago que me incentivou a entrar no 200 e não no 100, toda a equipe organizadora do evento, voluntários  e um agradecimento especial para a minha esposa Andrea que me apoiou em tudo e ainda ensinou a minha filhinha de 2 aninhos a falar que o papai dela é um campeão e também à minha mãe, que mesmo distante estava torcendo muito por mim.
Eduardo Santos Pólido

10 comentários:

  1. Caramba, quase chorei ao ler seu relato. Parabéns pelos novos hábitos, amigos e superação. Um grande abraço.
    Vinicius Ribeiro

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  2. Meu amor, vc sabe o quanto estamos felizes com suas novas experiências no Audax. Estaremos sempre ao seu lado! Agradeço à Deus por ter te dado a oportunidade de conhecer pessoas do BEM, pessoas que já fazem parte de NOSSAS VIDAS!! E, contaremos os dias para a chegada de MAIO!!! Parabéns grande audacioso!!!
    Andrea e Eduarda Pólido

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  3. Alexandre Ferreira25 de março de 2011 10:08

    Uma coisa que já notei é que as vezes algumas dificuldades aparecem forçando vc a desistir e vc persisti e vem outra e outra. Mas ali uns 10 min antes do final é como se estas dificuldades desistissem de te pragueiar e deixassem vc prosseguir, "Deixa ele pra lá, vamos em outro" e vc chega num gás como se nada tivesse acontecido. Comigo foi o pneu meia boca aos 15 kms do fim no 200. Parabéns Eduardo, mereceu.

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  4. Eduardo, seu relato ficou muito maneiro. Parabéns pela maneira como vc enxergou tudo o que aconteceu contigo e, principalmente, pela garra com que vc encarou este desafio e seus obstáculos inesperados. Foi muito guerreiro, parceiro...
    Abraço

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  5. Oi Eduardo obrigado por ter deixado esse relato, há 8 meses mal me equilibrava numa bicicleta e lembrava todos os dias das minhas hérnias de disco. Agora, convivendo com tanta gente que não tem medo de viver já penso até em pedalar 100km, o que me soava impossível! Valeu mesmo e PARABÉNS!
    Vanessa Bittencourt

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  6. Eliana Pólido

    Meu filho, quando você me ligou dizendo que estava em Barra de Macaé e que suas pernas doiam muito, eu disse: não desista você vai conseguir.
    Naquele momento pedi a Deus e ao Glorioso São Jorge que lhe protejesse e que você iria conseguir terminar a prova. Quando estava na igreja você me ligou chorando dizendo que tinha consiguido terminar a prova, chorei junto com você emocionante. Meu filho nunca desista dos seus objetivos, na de 400 vou fazer de tudo pra estar lá torcendo por você e esperando junto com Andrea e sua princesa (minha neta)e termino da prova. TE AMO
    Sua mãe

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  7. Eduardo,
    A beleza do Audax está na superação de limites e você conseguiu transmitir bem a emoção que sentimos.
    Parabéns rapaz!
    Nos vemos no Audax 400.
    Abraços,
    André Nunes

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  8. Pessoal,

    Agradeço todos os comentários e aproveito para informar que estou liberado para o 400, pois fiquei muito preocupado com os meus joelhos, mas o ortopedista informou que foi fruto de todo o treinamento e a propria prova.
    Apenas recomendou o uso da sapatilha, já que eu estava com pedal comum.
    Espero vocês em maio e é muito legal perceber o quanto o Audax toca no nosso ego.

    Valeuuuuuuu.

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  9. Eduardo 007,
    teu relato é o AUDAX meu amigo. É determinação, é superação, é emoção e é conquista.
    Quando me perguntarem para explicar o que é pedalar tanto, para quê e por quê eu vou recomendar a leitura do teu texto.
    Parabéns pela conquista.
    Abraços e até o 400!!
    Fred

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  10. Eduardo,

    Relato nota 1000!!! Ainda me lembro do dia em que voce chegou no trabalho dizendo que teria um evento de ciclismo e que de repente participaria. E veja só onde voce chegou!!! Naquele momento seria inimaginavel. Mas a vida é feita dessas coisas. Descobrimos que somos capazes de realizar coisas com as quais nunca imaginamos. É muito bacana poder acompanhar seu crescimento no esporte.

    Parabéns. Estou torcendo por você.

    Abração

    Hugo Pimenta
    http://hugopimenta.wordpress.com

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