terça-feira, 16 de novembro de 2010

Relato Desafio 100 - Daniel Maribondo

Venho aqui compartilhar um pouco da experiência que passei neste último domingo, ao me lançar ao Desafio 100km do Audax.

Estou pedalando há pouco mais de 6 meses, desde meados de Abril. Comecei fazendo o percurso até meu trabalho (Tijuca-Botafogo), cerca de 14 km, e também para a faculdade (Psicologia, UERJ), uns 2 km. O percurso até o trabalho eu fazia umas 4 a 5x por semana. Fiz esse percurso até Junho, quando sai do albergue para começar meu estágio no IMAS Juliano Moreira (ou Colônia Juliano Moreira), em Jacarepaguá. Justamente no último dia de albergue eu fui fazer o percurso até São Conrado, pegando a Av. Niemeyer, e me dei conta que foi a primeira vez que fiz um passeio com a minha magrela, sem compromisso de hora, a vontade. Até então, só utilizava ela para transporte. Não quero dizer, com isso, que esse uso era desprovido de prazer e aprendizado, mas que a pressa e objetividade estavam sempre presentes.
Já na segunda semana de estágio me aventurei em fazer o percurso Tijuca-Colônia, cerca de 27 km, mesmo com as advertências de que duraria 3h - eu gastara aproximadamente 2h, utilizando duas conduções, gastado quase R$ 10/dia. O resultado foram 1h50 de pedalada, muito mais proveitoso do que o sacolejo bate-cabeça de ônibus serpenteando tanto a Tijuca quanto Jacarepaguá. Ainda era temeroso para mim pegar a Av. Menezes Cortes (Estrada Grajaú-Jacarepaguá), então fazia o "caminho velho", seguindo até a UERJ, passando pelo Méier, Eng. de Dentro, Madureira, e daí pegava a Rua Cândido Benício até Jacarepaguá. Apenas em outubro que fui me aventurar pegar a serra, o que foi um prazer enorme, e virou o caminho oficial. E só me aventurei porque, desde setembro, todo final de semana eu passei a visitar meus pais em Niterói (Pendotiba e Itacoatiara), e ganhei coragem após conquistar tanto as subidas da Av. Rui Barbosa (Estrada da Cachoeira) e da Estrada Francisco da Cruz Nunes (Estr. de Itaipu) no sentido Centro de Niterói.

Enfim, tudo isso para explicar um pouco de como estava meu preparo e como cheguei para esse Audax. Nesse período, tive minha primeira bicicleta furtada em plena hora do rush (18h), no Largo da Segunda Feira, em frente ao Supermercado Mundial, com uma cabine da PM do outro lado da rua e a magrela acorrentada num poste com um cadeado.


Desde que comecei a fazer longos percursos, até Jacarepaguá e Região Oceânica de Niterói, carregava comigo uma bomba de ar, duas câmaras reserva e ferramentas para trocar a que estivesse em uso, em caso de furo.


Meu desafio Audax começou, na verdade, na sexta-feira. Indo para a Lapa, onde apresentaria um trabalho do estágio, eu estava ultrapassando os carros parados no trânsito pelo bordo da pista quando, ao ultrapassar uma van, atropelei uma pedestre que atravessava carregando dois cachorrinhos. Joguei a bicicleta pro meio fio, caí, ela e os cachorrinhos também, e me virei rapidamente para perguntar como ela estava. Ninguém se machucou, além da magrela. A menina se desculpou e assumiu que estava culpada, mas eu também reconheci que estava numa velocidade superior à segura, pois ao ultrapassar a van deveria ter diminuído, já que não podia observar se alguém vinha. O resultado foi uma roda dianteira empenada.

No sábado, portanto, rumei a um cicle, onde constatei que o melhor seria comprar uma nova roda. Assim o fiz e, na volta para casa, calhou de furar o pneu traseiro em um grampo, desses de papel, entretanto mais reforçado. Fiquei tranquilo, pois contava com duas câmaras reserva e já fizera o reparo antes, o que era rápido para mim. Larguei a bicicleta em casa, almocei e fui para a reunião técnica do Desafio Audax.


Quando retornei, fiquei às voltas em arrumar a casa para receber minha mãe, que me acompanharia na largada do Desafio, e me encontraria em Ipanema para tomar uma água de coco. Eram cerca de 22h quando finalmente fui me dedicar à troca da câmara de ar, e que meu terror começou.


Troquei normalmente a câmara mas, ao encher, verifiquei que a primeira já estava furada. Fiquei tranquilo, mas levemente apreensivo, pois teria que me valer da segunda câmara e, consequentemente, partir pro Desafio sem nenhuma segurança no caso de furo. Mesmo assim, pensei comigo que seria muito improvável disso ocorrer dois dias seguidos, já que estava fazendo percursos médios há meses sem passar por esse problema. Resolvi então subir para meu apartamento e jantar.


Coloquei, por fim, a segunda câmara, enchi razoavelmente e parti para um posto de gasolina encher adequadamente. Eis que a segunda câmara estoura e, ao indagar o frentista sobre o calibrador, ele me diz que estava com defeito. Vociferei internamente contra ele, por não ter me avisado antes, e desesperei hehehe. Nisso já eram 2h da madrugada, e fiquei às voltas atrás de uma câmara até umas 3h, quando finalmente achei um frentista que era ciclista e me vendeu uma câmara por R$ 15. Nâo tinha mais energia para fazer o trabalho de encher, então deixei para fazê-lo no dia seguinte, antes de chegar na largada.


Dormi até umas 5h da manhã, mas me alonguei demais nos preparativos, encher câmara, de maneira que cheguei na largada atrasado dois minutos, conseguindo inclusive ver o comboio sair. De qualquer maneira, mesmo sem fazer vistoria, rumei no caminho programado. Tudo correndo bem, o caminho era delicioso, conhecia ele. Chegando em Ipanema, tomei uma água de coco com mamãe e segui para continuar o Desafio. Fui com calma, apreciando a vista, que é maravilhosa, especialmente na Av. Niemeyer e Estr. do Joá. Chegando na Barra, foi um prazer percorrer a praia toda, chegar na reserva que, apesar de linda... foi quando meu pneu furou. Pensei logo: "fedeu!". Liguei para mamãe, expliquei o problema, e que estaria abandonando a prova, e que provavelmente pegaria um táxi.


Mas eis que surge uma boa alma, o Eduardo, que perguntou logo se estava tudo bem, se eu tinha equipamento... respondi, envergonhado, que não, apenas as ferramentas. Em dez minutos ele conseguiu fazer o remendo e encher a câmara, o que me permitiu seguir. Cheguei ao Pontal, onde encontrei o pessoal do Posto de Controle 1 (PC1), me abasteci de amendoins, barra de cereais, guaraná e água. Retornei.


Engraçado que, na reunião técnica, um dos ciclistas comentara sobre o vento que, na volta, nos atrapalharia. Na hora, eu pensei que era frescura, exagero, e que um ventinho seria até gostoso. Sorte que não falei em voz alta, pois foi justamente no retorno que mordi a língua e tive que enfrentar o tal do vento. Nunca imaginara que, numa marcha leve, sentiria que estava subindo uma ladeira em um terreno plano.


Cheguei ao final da Praia da Barra exausto. Liguei para o pessoal do PC2, avisando que não passaria por lá, e rumei para o Alto da Boa Vista. Economizei cerca de 25 km em relação ao percurso original. Mesmo assim, enfrentei uma chuva forte no Alto, de maneira que tive de descer com bastante cuidado.


Eram 14h45 quando adentrei meu prédio e logo fui para casa. Banhei-me, almocei e dormi das 16h de domingo até as 5h da manhã de hoje.


Enfim. Abandonei a prova, mas não fiquei triste porque, de qualquer maneira, operei a tal da superação pessoal que é proposta pela prova Audax - tanto em termos de distância, cerca de 90 km, contra o meu máximo, que era de 30 km, e em tempo, 9h contra cerca de 3h. E consegui vivenciar na pele tanto o coletivismo do Audax e a importância de preparo para a prova. Sei que, em parte, dei muito azar, principalmente em relação ao acidente, quanto em relação ao processo de troca das câmaras de ar. Mas a falta de material para remendo e descanso aquém do necessário, que reconheço como inteiramente de minha responsabilidade, foram decisivos.

Agradeço sinceramente ao pessoal do Audax: Eduardo, Carol e outra moça que não sei o nome, que estava no PC1, pela receptividade, cuidado, incentivo e clareza nas informações. Agradeço muuuito ao outro Eduardo, que me salvou do perrengue e me possibilitou continuar na prova até um pouco mais e retornar em segurança para casa.


E, se tudo correr bem, em fevereiro estarei pedalando no Brevet Rio das Ostras!


Abraço forte a todos.
Daniel Maribondo

3 comentários:

  1. Legal camarada! Seja bem vindo ao Audax.

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  2. Fala Daniel!
    Não precisa agradecer, foi um prazer poder ajudar.
    []'s e se Deus quiser até Rio das Ostras.
    Eduardo Rampasso

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  3. Muito legal! tenho treinado na praia da barra também. Fui conhecer o Audax ontem, e desde então não penso em outra coisa.
    No próximo desafio de 100km, com certeza estarei lá. Abraços.
    Luis Felipe dos Santos

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