domingo, 28 de novembro de 2010

Relato Brevet 600 SP - Maurício Helman

Duas alvoradas, 500 km e uma história de bravura no Brevet 600 de São Paulo.

O Audax 600 foi barra pesada! Foi o primeiro que não consegui fechar. Na verdade tava tudo dando errado e eu indo contra tudo.
Já de início meu hodometro quebrou e fiquei sem controle de velocidade, km rodado e média que uso muito na  navegação.
Um dos momentos mais legais foi a largada às 4 da manhã. Eram 16 bikes participando, formamos um pelotão que contei onze andando junto, com farol, pisca, reflexivos andando junto. Todo mundo na mesma batida... Teve uma descida enorme e eu já estava imaginando a pedreira que seria a volta...
Logo na primeira descida mais longa meu farol começou a dar mal contato, ligando, desligando, piscando e eu me estressado, para tentar fazer ele se manter aceso e acompanhar os outros...

Pele primeira vez resolvi usar um bagageiro, que senti muita falta na prova de 400 km. Coloquei o bagageiro no canote muito em baixo e não pude baixar o banco. Como só parei para soltar os 4 parafusos ao amanhecer, e pedalei uns 50 km com o banco mais alto que de costume, resultado cheguei no primeiro PC com câimbra na batata da perna. O pessoal me emprestou uma pomada que aliviou. Como a prova era de três pernas com paradas no hotel nem foi tão necessário o bagageiro, foi mais peso morto que carreguei.

Quando deu 10 h o sol começou a castigar. Até o 2º PC foi tranqüilo, mas a volta dos primeiros 250 km foi barra, a temperatura foi a 41º e as subidas eram intermináveis.

Chegamos ao hotel às 17h17min h tomamos um banho e saímos para a segunda perna, A ida seria fácil, pois parte do caminho era a mesma da primeira etapa. Perdemos muito tempo  ajudando ou dando apoio ao pessoal com problemas no caminho e só conseguimos chegar de volta ao hotel as 05h50min h quando nossa programação seria de 4:00 h da manhã. 

Claudio e Maurício em frente ao Hotel.
Perdemos quase duas horas de sono preciosas e uma hora com sol fraco, pois iríamos sair as 7 h. Tomamos banho e dormimos até as 7:00 h. Às 8 h já estávamos pedalando a ultima e derradeira etapa de 200 km Disseram que era uma reta tranqüila e que seria fácil. Só que no meio do caminho as subidas começaram a surgir, eram rampas sem fim em direção ao céu. Cada vez que passava um carro acompanhava para ver quando ele iria desaparecer ou começar a descer e demorava, Era subida atrás de subida, quando verificando que a média geral tinha baixado muito fomos verificar que horas fechava o PC. O tempo era justo e ao chegar ao km 50 do percurso havia um posto onde deveríamos parar para reabastecer de água e comer alguma coisa, não paramos e seguimos puxando o ritmo para não perder o PC.

O Cláudio Guilherme sumiu do meu raio de visão e eu comecei a cansar e secar, até que faltando uns 18 km para o PC a água acabou. Comecei a ficar com a boca seca, tudo colava e a resistência acabando. Cheguei ao PC em tempo de continuar, mais estava totalmente desidratado e entreguei os pontos ali. No caminho havia pedaços de cana largados na estrada quase peguei um para chupar, mas estava a 3 km e sabia que chegaria...

A tomada de decisão de não parar para reabastecer deu certo para o Cláudio, mas para mim foi um tiro de misericórdia. Se tivesse mais uma caramanhola com água, certamente teria fechado a prova.

 Maurício e o Osvaldo de Brasília

4 comentários:

  1. Grande experiência então Maurício. Esta experiência, certamente, vai valer para as próximas. De qualquer maneira, parabéns. Sebastião Wilson.

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  2. Grande Maurício,

    Sua performance nos audax 2010 foi brilhante: urbano rio 200,estrada rio 200 e 300,estrada são paulo 400 e, ainda, mais 500 km neste audax estrada são paulo 600.

    Parabéns!!!

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  3. Parabéns Grande Maurício!

    Foi um prazer pedalar ao seu lado no audax 400 e no 600. Nos veremos por aí nas estradas desse Brasil varonil.

    abraço e parabéns pelos 550km!
    Não estava fácil para ninguém...

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  4. Fala ai Mauricio, antes de tudo meus Parabens pela vitoria, realmente ficamos sentidos quando nao completamos uma prova, mas o que vale muito mais nessa nossa grande experiencia Audaciosa, ê a forÇa de vontade para superarmos nossos limites, aprendendo a descobrir que somos capazes de ir mais longe aprendendo com os erros.
    abraco
    Cezar Barbosa

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