domingo, 21 de novembro de 2010

Relato Brevet 200 - Reane Vianna

AS FORÇAS POR TRÁS DE UMA CONQUISTA

Reane e Sebastião no PC 6 pouco antes de partirem para o PC 7.

Este foi meu segundo Audax e também o segundo brevet de 200 (o primeiro foi em Brasília em abril deste ano) e eu gostaria de compartilhar esta vivência que certamente foi, para mim, um AUDAX em toda a sua essência pois prova a nós mesmos que podemos muito mais do que imaginamos e que a força que temos está muito além da força física.
Me inscrevi logo no início mas quando chegou o dia eu já não pedalava há duas semanas por conta de compromissos com um trabalho mas é isso aí, estamos aí para conhecer nosso limites. 
Partimos.
Fui com tranquilidade até o PC4 - Downtown (metade do caminho) - cheguei sentindo um pouco a coxa direita mas nada que impedisse de seguir em frente. Já contava aí, com a companhia do Sebastião desde a Estrada do Pontal.
Um chuvisco aqui outro acolá e chegamos ao PC5 - Autódromo, com a simpatia e o incentivo da Dulce e da Thais. Pausa para um ranguinho de leve, o estômago já estava chiando, e de volta ao asfalto rumo ao PC6.
Na Estrada do Pontal a poucos minutos do PC6, o tempo já fechado e em meio a uns chuviscos, recebo um torpedo do meu primo Edison que acabara de chegar ao PC7, informando: "muita chuva e vento contra". 
Pelo menos deu para preparar o psicológico pois quando saímos do PC6 - Pontal e viramos para a Praia da Macumba, ainda não tinha chuva mas o vento era de gente grande!
Fomos em frente, eu e o Sebastião que ainda me acompanhava. 
O vento contra não dava trégua, era como subir ladeira no plano. Eu usava a mesma marcha que uso para subir o Alto da Boa Vista, para aliviar a coxa direita que a esta altura já voltava a doer, e ainda assim era um esforço do cão pra chegar à 14km/h. Lá pela metade da ciclovia da Reserva não consegui mais acompanhar o Sebastião. Ele foi ficando cada vez mais pequenininho lá na frente, até que sumiu no meio da chuva que agora começava a se fazer mais presente.
Aí começa aquela vozinha no pé do ouvido: "...é, tá difícil...não sei se vai dar... acho que vou parar no PC7..." mas a força do Sebastião permaneceu, como uma cordinha, me puxando pro PC7. Foram os 20 km mais longos da minha vida, percorridos em 97 dolorosos minutos.
Cheguei ao PC7 - Quebramar, já debaixo de temporal, encharcada, a coxa doendo, desanimada, a ponto de desistir. 
Veio a força do Edu:" Tem tempo ainda, dá pra ir. Usa esse gel que melhora a dor." Passei o tal Mineral Gel e nisso chega o Cezar em sua Zohrer, e dá outra injeção de ânimo dizendo que ia comigo.
Bom, se eu conseguir fazer o Joá eu vou até o fim! e partimos para o Joá sem demora pra não esfriar.
O tal gel realmente ajudou e subi o Joá melhor do que eu esperava.
PC8 - São Conrado, aquela recepção carinhosa e mais uma força da Glorinha e do Silvio, mais um "ventinho" contra em São Conrado e na Niemeyer que àquela altura era pouco comparado aos 20 kms da Barra, mas ainda faltavam quase 30 km para fechar. 
Aí vem aquela força que de repente toma conta da gente, quando acordamos pra ela, e que nos leva ao fim que nos propomos.
Ao chegarmos ao Sambódromo ainda bateu o medo de chegar e não levar. A rua estava fechada por causa de um show, o tempo se esgotando e ainda acabamos tendo que desviar até quase a Presidente Vargas para retomar a rota.
Apertamos o pedal e finalmente, no último minuto, CHEGAMOS!!!!!
Muitos abraços e o reencontro com aqueles que ainda permaneciam pelo PC de chegada.
Que felicidade! Felicidade maior ainda ao receber a confirmação de que havia brevetado! Não dá pra descrever.
E assim foi este AUDAX, vivenciado em toda sua essência: da superação, do companheirismo, da conquista...e todas as emoções mais que só quem viveu sabe.
Não posso de deixar de agradecer especialmente a três pessoas que não me deixaram desistir nos piores momentos: 
Sebastião, companheiro de mais de 60 km, cuja força me puxou por 20 km de vento contra; 
Edu, no PC7, com suas palavras de incentivo e seu "magic" gel;
e o Cezar, companheiro dos fatídicos, mais de 30 kms finais. 
Sem vocês eu talvez tivesse ficado lá pelo Quebramar.
Parabéns a todos que participaram do Audax, completando ou não, pois de uma forma ou de outra desafiaram e conheceram o seus limites naquele dia.
Finalmente, eu dedico esta conquista à duas pessoas muito especiais, exemplos de persistência, e para as quais a palavra desistir não existe: o amigo de pedal Alarico e meu saudoso filho Rheno que alimenta em mim essa Força Divina que está dentro de cada um de nós.

2 comentários:

  1. Reane, grande guerreira! Foi muito bom pedalar com você, Sebastião Wilson.

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  2. Reane, parabéns pela conquista, é sempre emocionante ouvir a descrição tão entusiasmada das suas conquistas que sei que têm valor inestimável para você. Que venha Audax Paris (quem sabe!)
    Bjsss
    Renata

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