terça-feira, 30 de novembro de 2010

Relato Brevet 200 - Ennio de Oliveira Jr.

Ennio e Felipe no PC 3, Estrada do Pontal.

Olá, galera Audax!

É muito legal essa parada do Audax, né?!  Já tinha lido a respeito pela internet há alguns anos, mas nunca me dispus a correr atrás. Em janeiro deste ano, quando soube do Audax Rio Urbano, fiquei pilhado para participar, mas adoeci uma semana antes e não me inscrevi. Neste de novembro, fiquei muito feliz em ter participado pela primeira vez.


Tenho de pedal uns 6 anos, experiência nas manhas e cuidados de se andar no asfalto da cidade, e participei de diversos passeios, com quilometragem contínua máxima ao redor dos 100km. Como preparo para os 200km do Audax, apenas aumentei um pouco o caminho de ida e volta diária do trabalho para um total de cerca de 30km feitos em ritmo puxado. Para os 200km, esse treino foi suficiente, mas percebi, pelas dores no corpo, que Audax 300 pra cima tenho que incluir ao menos 100km todo fim de semana.


Li todos os relatos e vi todas as fotos e filmes dos participantes desse Audax Rio Urbano, revivendo em cada conto e imagem os meus próprios momentos ao longo da prova, com certeza muito mais sentido por todos nós, audaxes, que estivemos lá e vivenciamos juntos este grande evento, desde a ansiedade na reunião de preparo, a demora em pegar no sono, cruzando pela galera da noite ainda de madrugada, gritando com prazer no momento da largada, curtindo cruzar a cidade em grupos, desviando dos mesmos buracos, seguindo a prova com um ou dois companheiros, o mesmo vento, chuva, poças, a mesma bananada com chuva do PC7. Enfim, ... que barato, né?!


Desde que pedalo, gosto de acompanhar as grandes provas de ciclismo mundial, vendo pela TV ou internet o Tour de France, o Giro d’Itália ou a Vuelta de España (pra quem quiser tem um site bacana de fotos em  
www.grahamwatson.com e vale acompanhar ao vivo a chegada do Tour do Rio) onde os caras fazem todos os dias, durante umas 3 semanas, cerca de 200km no pau. Pra eles essa distância é vencida em 5-6 horas. Em sonhos, talvez a gente se imagine fazendo em 8 horas. Na realidade, torcendo o cabo como simples ciclistas amadores, vamos demorar de 9 a 12 horas dependendo do percurso. Beleza de tempo! Verdade! Mas sempre tive a curiosidade de saber o que é estar em cima de uma bike percorrendo essa distância. Eles lá seguem a maioria juntos, em pelotão, já que o condicionamento deles é muito parelho e todos imprimem o mesmo ritmo. Ritmo alto, 40km/h de média (falando parece fácil). Nós, ciclistas fervorosos, temos a meta de conseguir os 25km, mas nos contentamos com a média dos 18~2
 0km/h. E ficamos espalhados por uns 50km formando pequenos grupos. A comparação é só por diversão, claro, mas é legal ter este flash e sentir (que é bem diferente de saber) o que é o potencial do ser humano (falando de condição física).

Para mim, o Audax possibilita objetivos diversos, adaptáveis a quem se envolve neste tipo de prova. Você quer competir e testar sua colocação final? Você quer superar a si próprio no tempo e/ou distância? Você quer curtir um dia com os amigos e fazer amigos pedalando? Você que mudar sua postura na vida lançando-se em um desafio individual?  Você quer mudar o seu destino? Fazer o seu caminho? Vem fazer o Audax. A aventura já começa nos dias de preparação física que antecedem o evento. E esse Audax Urbano do Rio, creio, é único pelas condições que a cidade oferece. Qualquer coisa você pede um açaí no quiosque da praia.


Nos dias depois da prova, ainda hoje, eu às vezes fico lembrando, curtindo na memória, as passagens do que aconteceu, assim fora da ordem cronológica, seja um diálogo com o parceiro aleatório da prova (valeu, Felipe!), ou o som do mundo ao meu redor num determinado momento, a floresta passando, a visão do chão e do céu da Barra. Acredito, com as devidas proporções (afinal são só 12 horas intensas), que o Audax seja similar aos desafios do tipo Caminho de Santiago (já pensou, que tal 200km à pé), onde você se coloca muito presente no tempo presente e daí surge um lance, um sentimento, de ser um todo no tudo e você bem pode dizer: EU SOU! Assim mesmo, como alguém muito especial já disse, sem adjetivos pequenos e limitadores para completar a frase. Só isso:   eu sou.


Nos vemos no próximo Audax Rio, galera.

Forte abraço.
Ennio de Oliveira Jr.

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