segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Outro relato para a Medalha do Espírito Randoneiro

João Elias e Marcos na chegada do Brevet 200 de 2008.

Naquele dia do Audax Rio 200 k 2008 o que não faltou foi adversidade. A começar pela chuva já na saída de casa e sua duração ao longo de todo o dia até o retorno. De positivo nisso só o fato de não passarmos calor, mas compensado com o frio de pedalar contra o vento sob chuva, o que exigia muito cuidado para evitar câimbras, não deixar o corpo esfriar e perder o pique. Fomos mais ou menos juntos até o 1º PC, quando logo depois encontramos o Otoch acidentado devido a uma queda, sinalizando o perigo de se trafegar pelas Paineiras sob aquelas condições climáticas. Logo em seguida, já em grupo tivemos as seguidas quedas do Guerreiro, a princípio inexplicáveis para um ciclista experiente e que mais tarde verificou-se como devido ao uso de um pneu traseiro completamente liso e impregnado com resíduos de óleo automotivo nas vias.  A bike do Marcos tinha freio a disco, que também se impregnou de óleo, tirando a eficiência do freio e fazendo muito barulho, o que provocava insegurança e temor de queda nas descidas. Isso provocou uma diminuição no ritmo da prova, exigindo que fizéssemos uma descida muito lenta pela Estr. da Vista Chinesa para acompanhá-los e chegamos ao Jardim Botânico após as 11 horas. O Duram desistiu da prova e ficou para acompanhar o Guerreiro na espera do resgate pela esposa deste. Neste momento é que começou a formação da dupla com o Marcos que topou fazer um contra-relógio até o 2º PC na Praça do 'O', lá na Barra. Tínhamos uma hora para ir da Gávea até lá (Jardim Botânico, Leblon, Niemayer, São Conrado, Joá - tudo debaixo de boa chuva). Chegamos 10 minutos antes do término do prazo de encerramento. Nessa hora foi que decidimos continuar na empreitada e para estimular o Marcos (que tremia de frio) dei a ele uma dessas capas plásticas de chuva descartáveis para que se proteger-se da chuva e, principalmente, agasalhar do vento com chuva que passaríamos a pegar de frente na orla da Barra até o Recreio. Sem isso, certamente ele não conseguiria suportar o frio que essa combinação faz. Mesmo assim, como esse trecho parecia uma pedala sem fim, fizemos algumas paradas para descanso, alongamento e comer alguma coisa e reforçar o ânimo para continuar. Fui de 'coelho' para o estimular e tentar manter o ritmo. Na Av. das Américas foi complicado combinar chuva, vento e trânsito – no Recreio carros em velocidade e na Barra muitos engarrafamentos. Chegamos ao PC da Av. do Autódromo pouco antes do encerramento do horário limite, novamente. E outra vez partimos pressionados pelo horário para o trecho Vargem Pequena, Vargem Grande, Recreio e orla. A essa altura já estávamos meio que no automático, sem sentir as pernas, já meio ‘anestesiadas’. Uma grande dificuldade era manter o pique o tempo todo, devido a exigüidade de tempo que não permitia fazer muito ou grandes intervalos para recuperação, que se resumiam a curtíssimas paradas para ficar em pé um pouco, alongar e comer uma ‘barrinha’ e novamente ‘pau na máquina’ – “não temos tempo a perder”. No Joá e Niemayer, nos juntamos com o Zenga e seu pai e fomos surpreendidos por um temporal que tornou a pista em um rio dificultando sobremaneira a subida e fazendo com que a descida fosse quase toda a pé empurrando a bike, devido a enxurrada, ao freio da bike do Marcos e a falta de visibilidade da pista. O Zenga, que tentou continuar pedalando na descida, teve a roda dianteira presa numa fresta do concreto da pista e capotou no meio daquele aguaceiro – felizmente não se machucou sério.  Só a partir do Leblon é que a chuva deu um tempo e fomos juntos, num puxa-puxa de estímulos, pois o tempo se extinguia. E assim conseguimos concluir a prova, que foi uma tremenda superação física e mental, resultado dos estímulos que dei ao Marcos em diversos momentos e graças a ele, que com a sua determinação em prosseguir também me estimulava a continuar. A única certeza é nenhum de nós conseguiria se tentasse fazer a prova sozinho. A companhia mútua foi determinante para que chegássemos. Valeu Marcos !!! Valeu mesmo.  
 Em resumo, foi isso.
É  uma daquelas lembranças marcantes que tenho certeza seria fascinante poder repetir.
Acredito que o Marcos também deve pensar assim.
Determinação, superação e conquista - não existe coisa melhor para o ego.

Um abraço

João Elias

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