quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Relato do Renato Bezerra - Brevet 200


Abri meu e-mail e lá estava uma mensagem vinda de um grupo desconhecido para mim: Audax Rio. Li e entrei no site. Imaginei como seria eu andar 200 Km de bike pelo melhores points dessa cidade. Aí resolvi: vou fazer! Sozinho, seja como for...
Sou professor faixa preta de jiu jitsu (43 anos) e pensei como me preparar para essa aventura. Aí comecei a ir do méier para copacabana de bike, treinava mais ou menos umas 3 hs de jiu Jitsu e depois voltava morto de copacabana ao méier pedalando. Fiz isso durante 15 dias até a última quinta feira antes do evento.
Chamei várias pessoas para fazer a prova comigo, atletas, jovens. Ninguém se aventurou.
Chegou domingo, conheci um participante na reunião na sexta e marquei com ele no méier às cinco da manhã. Ao chegar lá tinha mais 3 participantes. Pedalamos até a Tijuca e chegamos para a prova.
Partimos, acompanhando o carro guia. Pessoas maravilhosas, astral elevadíssimo, comecei a me sentir muito bem. Pensei: estou acostumado a competições de jiu-jitsu onde você fica "fechado", concentrado e essas pessoas aqui às 6:00 hs da manhã rindo, feliz e sabendo que ficariam quase o dia tudo pedalando. Que oportunidade ótima eu consegui para eu poder "brincar", esquecer de problemas e ao mesmo tempo me desafiar, superar meus limites. Começou a prova!
Eu e meu novo amigo começamos a pedalar juntos até a subida da rua Alice. Eu não tinha estratégia nenhuma para a prova, não tinha a mínima idéia de que ritmo levar. Comecei a subir e estava me sentindo muito bem , fui embora e quando me dei conta meu amigo tinha ficado muito para trás. Tentei diminuir o ritmo , mas eu tava tão bem que resolvi continuar e esperá-lo no PC 1. Cheguei no PC 1 carimbei meu passaporte e "ralei", tava animado e não queria parar .
Fui muito bem e parei para reabastecer no PC dos 100 Km na praça do Ó. Aí notei que estava com um dos raios da roda traseira quebrado. Ajeitei ele e parti em direção ao PC 2 no Recreio. Quando cheguei na ciclovia da reserva encontrei mais 2 participantes e me agrupei a eles. Notei que pelo mal estado da ciclovia eu já tinha perdido mais dois raios e as coisas começaram a se complicar. O fator imprevistos tinha começado. Chegamos no PC 2 e como eu já tinha parado na praça do Ó, não pracisava de muito tempo no PC, carimbei meu passaporte e fui! Na rua do canal para pegar as Américas encontrei mais uma dupla de participantes, mas o ritmo deles quando entrou nas Américas era muito forte e não consegui acompanhar. Ali começou para mim o início da superação na prova. O calor começou a torturar, parei para passar o protetor solar e verifiquei a minha roda traseira estava sem quatro raios. A roda parecia um oito! Ainda bem que minha bike tem freio a disco, senão não terminaria.
Quando cheguei na rua do autódromo estava mal, com muito calor, uma roda totalmente empenada e comecei a ter uma sensação de câimbra na perna direita. Tive que parar, alonguei e verifiquei o mapa. Nisso passa mais um grupo de três. Minha salvação! A força que precisava. Eles diminuíram o ritmo para eu acompanhá-los e me "puxaram" até a estrada dos Bandeirantes, lá antes de chegar no final dela eu tive que parar no posto para reabastecer , minha água tava no final e tinha que me alimentar. Eles seguiram e eu fiquei, olhei o relógio, a cronometragem e vi que deva para eu parar uns 15 min, portanto fiquei. Comi minha banana passa, meu carboidrato, meu isotônico e recomecei.
Cheguei no PC 3, carimbei, parei mais uns 5 minutos e fui. Quando entrei na ciclovia da reserva, aquele calor e o vento contra que parecia que eu estava subindo uma ladeira. Aí me arrebentou. Senti novamente câimbras na altura do pepê, mas não parei. Coloquei numa marcha bem pesada e fui. Quando entrei na subida do Joá um grupo me chamou, eles estavam reabastecendo. Parei e tomei uma bela e estupidamente gelada coca cola. Verifiquei minha roda traseira. Estava com seis raios quebrados e falei vou terminar! Vou terminar! Comecei a subir o Joá quase andando. Tava morto. Meu corpo não conseguia mais se ajeitar na Bike. Minha sapatilha tava me matando .Consegui chegar no PC do Leblon. Aí a boa vontades de vocês organizadores, dos vonluntários foi uma "coisa" de tal forma que me surpreendeu e me motivou para terminar a prova. Um companheiro, que ele me desculpe, pelo cansaço eu não lembro o nome dele, praticamente me adotou e fez todo o resto do Circuito comigo, me dando força e principalmente mantendo o meu ritmo. Consegui finalizar a prova e me colocar nos 300 Km, que com certeza e espero estar lá.
Tenho que parabenizar vocês organizadores e voluntários que agiram com dedicação, responsabilidade, segurança e, principalmente respeito por todos os participantes desse magnífico evento. E imagino a maratona que tiveram que fazer para a realização desse evento que ficará marcado em minha vida. Valeu!!!!!!!!!

Renato Bezerra.

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