sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Relato do Pedro Athos - Desafio 100 km

                Pedro em seu habitat natural: ladeira acima! Foto: Thiago Silveira
Já fiz o Desafio Urbano, com chuva e frio (2008), o Audax 200 na estrada, com calor infernal (2008) e, escolado, fui com a Turma conhecer o roteiro dos 200 km deste Audax.
Achamos o trecho da Estrada dos Bandeirantes o “ó do borogodó”: sem acostamento, muiiiiitos buracos e morrinhos (operação tapa-buraco ou é faz morrinhos?), trânsito infernal com muitas vans e ônibus. Para complicar mais, uma das bikes foi atropelada por um carro, sem maiores danos, felizmente, para o colega (salvo o fato de não conseguir mais trocar as marchas traseiras – imaginem só a subida do Joá! ).
Eu que estava convicto em fazer os 200, fiquei em dúvida, mas decidi em função da Turma e da alteração do roteiro que encurtou o trecho na Estrada dos Bandeirantes.
Infelizmente apareceu o imprevisto: intoxicação alimentar ocasionando diarréia desde a madrugada de terça-feira até a noite de sexta-feira anterior ao Audax. Resultado: em vez de macarronadas para armazenar calorias, regime na base de sopa e soro, além da perda de energia e sais, principalmente potássio.
Apesar dos conselhos para desistir, resolvi fazer o Desafio 100 km, percurso mais light e quilometragem similar compatível com nossos passeios domingueiros. Da nossa Turma (Tribo Rio Bike), três fizeram o Audax e dois o Desafio.
Enfim a prova: bike revisada (suspensão e caixa de direção novas), intestino funcionando normalmente e parti para o desafio.
Subi bem a Rua Alice e, sentindo que estava legal, apertei os pedais na subida mais forte da prova, isto é, Paineiras. Passei muitas bikes e fui ultrapassado por poucas neste trecho. Afinal, tinha que aproveitar a minha melhor qualidade: adoro subidas íngremes na Floresta e não gosto de altas velocidades no plano e no sol.
Tudo correndo bem, até que já descendo após o cruzamento do Sumaré, numa curva, avisto alguém que tinha caído. No embalo passei e tive que retornar. Aí reconheci o Edson, do nosso Grupo, e vi que o tombo foi feio. Muito machucado nas costas, feridas nas pernas e mãos, e a speed com o guidão torto.
Em seguida chega Maurício, outro tribal (o mais “brevetado” do Rio!). Edson reclamando de dor e com medo da clavícula (com implante de placa devido queda no ano passado). Insistimos para ele desistir, mas ele garantiu que dava para ir até o Postinho. Desentortamos o guidão e fomos lentamente devido ao esforço (e a dor) que se faz para frear uma speed descendo.
O médico da Ambulância, no Postinho, fez os testes e disse que não dava para confirmar a quebra sem raios-X. Aconselhou a, na dúvida, parar e ir tirar a chapa e mandou o enfermeiro fazer os curativos.
E o cara, teimoso feito mula velha, resolveu que dava para continuar. Sem como fazê-lo mudar de idéia, partimos. O pior eram as descidas, nas quais gemia de dor. Na da Vista Chinesa ele queria ir andando, mas não deixei (maldade minha): se não dá para descer é melhor desistir, pois não conseguirá pedalar 200 km. Desceu de bike!
E lá fomos indo, eu de escudeiro (ele não conseguia virar o pescoço), alertando quem nos ultrapassava e avisando quando ele poderia mudar de lado da pista/rua, aproximação de carro etc.
Chegando finalmente na Praça do Ó (9h56m), tentei convencê-lo a voltar comigo fazendo os 100 km do Desafio. Ele nem quis saber e partiu dizendo que estava melhor e que conseguiria completar os 200.
Restou-me desejar boa sorte, fui para o PC onde encontrei o Alexandre (outro da Tribo) e saímos rapidamente, pedalando forte em ritmo de recuperação. Nunca escalei (aquilo não é subida!) tão depressa o Joá.
Apito na boca durante todo o trajeto nas ciclovias, tentando ir rápido ao meio da multidão indolente (que não entende o que é ciclovia) curtindo o verão 40º (só isso?).
Saindo do PC dos Arcos, começo a sentir aquelas fisgadinhas avisando que a esperada dona cãibra (fruto da diarréia, lembram?) estava chegando. Mudo o ritmo e a pisada no pedal e sigo em frente. Quase no final da Rua Mem de Sá avisto dois desafiantes indo direto para a Presidente Vargas, em vez de pegarem a Frei Caneca. Apito tentando alertá-los do erro, mas não ouviram.
Os sinais da cãibra passavam de uma perna para outra e cada vez mais freqüentes. Na Tijuca viraram realidade, mas deu para continuar após paradas bem breves.
Na José Higino, parada mais longa: a perna direita travou. Continuando, novo travamento, agora na esquerda. Parada não tão longa, pois já estava vendo o Shopping e a adrenalina ajudou a recuperação.
Finalmente, cheguei às 12h4m.
Preocupado com o Edson, fui para casa de metrô e parti de moto para o PC do Leblon para saber notícias. Ele tinha ligado perguntando que hora fechava o PC. Não demora muito aparece O Figura pedalando todo encolhido para tentar diminuir a dor, muito cansado e obstinado: vou conseguir!
E conseguiu: chegou às 18h31m. Maurício o levou para um hospital na Tijuca e veio a confirmação: clavícula quebrada perto da placa implantada no ano passado). Aí pergunto: herói ou maluco? Ou ambos? Ou apenas mais um doido por bike?
Em tempo: todos os membros da Tribo “gabaritaram” a prova e o Eryck por pouco não chega com o primeiro pelotão nos 200 km (furou pneu no túnel do Rio Sul, outro na Lapa). Marcos também brevetou, de MTB e pneu biscoito.
Parabéns aos responsáveis pela organização e um especial agradecimento ao pessoal dos PC´s que, voluntariamente, prestaram atendimento/apoio/incentivo nota dez, verdadeiros “profissionais amadores”.
Pedro Athos.

4 comentários:

  1. Caro Pedroca,

    Que performance hein? Parabéns pela preocupação com o colega e o desafio cumprido.
    Abração
    Luiz Antonio Sgarabotto

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  2. Saímos junto do PC1 no postinho e logo me separei do Pedro e do Edson. Sabia que os dois tinham toda a condição de me acompanhar, diminuir a velocidade e fiquei esperando, preocupado com o Edson que havia caído. Muita gente passou por mim na descida da Vista Chinesa e nada do Pedro e do Edson. Já na Niemeyer consegui falar pelo celular e o Pedro confirmou que o Edson estava com ele e estava pedalando. Conclui que não tinha por que me preocupar e segui em frente, andando mais rápido.
    No PC 3 encontrei o Pedro que me ajudou no breve descanso e comentaram que o Edson ligou perguntando que horas fechava o PC. Conheço o Edson e tive certeza que ele completaria a prova. Cheguei as 17:37 Hs e telefonei ao Pedro para agradecer quando ele confirmou que o Edson havia passado pelo PC 3 e estava mal, pedindo para avisar ao pessoal na chegada para dar suporte.
    Fiquei aguardando ele. Quando chegou fui parabenizá-lo com um abraço, quando este me disse: ´´ Você pode me abraçar mais eu não posso retribuir, não consigo mexer o braço!``
    Disse que não me preocupasse que tava tudo bem, e que iria pedalando até uma clinica ali perto onde ele tinha operado em março. Não tive dúvida, coloquei a bicicleta dele com a minha no carro e fomos juntos para a tal clinica.
    Após alguma espera raio X, nova espera e o medico confirmou, ele quebrou a clavícula junto à placa que havia colocado em março, não sei como conseguiu completar a prova, ele caiu nas Paineiras e pedalou a prova toda com a clavícula quebrada. È impressionante a superação e a força de vontade! Este sim é um Audaxcioso.
    Final da história o médico mandou imobilizar o tronco todo e ele perguntava se não poderia tomar um banho! Depois de todo o Audax o cara teve de tomar banho de gato sem lavar o tronco.
    Deixei-o em casa por volta das 10:30 e cheguei em casa as 11:00 Hs

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  3. Parabens a voce!!!!!
    Fico feliz em lhe ver tao empenhado nestes desafios. Que Deus lhe proteja e lhe de muito mais vitorias como essa.....
    vilma

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  4. Tio Pedro !!!!

    Nossa que orgulho ! E que aventura hein ?! Imagino a sensação de dever cumprido no final dos 100KM. Parabéns !!!!

    Bjos, Fernanda e Aristides

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