quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Relato do Ivan Rolim - Brevet 200 km


Nós, da equipe megariders, resolvemos participar do Audax 200 urbano de 2010, com muito entusiasmo.
Pedalamos muito sozinhos e sem apoio, e o Audax sempre nos deu mais ânimo e forças de buscar superações, manter contato
com outros atletas e fazer vários amigos.

Como sabíamos que seria o Audax mais esperado de todo o Rio de Janeiro, onde haveria a participação recorde de 117 ciclistas,
saí de Cachoeira Paulista, de ônibus (4h de viagem), pois não moro no Rio no momento, e fiquei na casa de parentes,
acordando às 4h (dormi às 1 da manhã) e preparando todo o aparato, para ir, com Bruno Bernardo, até o Shopping Tijuca,
pedalando (10km), como forma de aquecimento. Encontramos o Marcus Cavalcanti, Designer, e fomos todos à largada.

No Shopping Tijuca, todos faziam suas vistorias, e aguardavam o momento da partida. Arthur, da FECIERJ, chega a erguer a bandeira. 
Víamos a bandeira, marcando a largada, enquanto a pick-up batedora seguia à frente, e 3 ambulâncias, atrás.
Foi emocionante essa fase para nós!

O trecho mais perigoso era da Tijuca até a Av. Rio Branco, devido a muitos cruzamentos e pistas de várias faixas.
Na Rio Branco, o carro batedor seguiu em maior velocidade, liberando todos nós, ciclistas. 
Era magnânime ver tanto ciclista, com saúde, alegria e força, em toda a avenida do centro carioca. O domingo era nosso!

Mas, momentos depois, vimos um acidente entre os ciclistas do pelotão do meio, na mesma av. Rio Branco, sem gravidade. 
Todos redobraram a atenção. Já marcava 28°C.
Seguimos pela Presidente Wilson, e no entorno do flamengo, entrando na Correa Dutra. Subimos paineiras
em um bom ritmo, e pegamos o PC1 sem fila, mas tudo iria piorar lá na Barra: o sol intenso que iria dar naquele dia.

Pedalei junto com Marcus, que me acompanhou bem, por toda a Barra, Recreio, avenida das Américas, e voltando por ela novamente, até o Autódromo, Bandeirantes, e , enfim, a volta até a Tijuca.
Bruno Bernardo havia ficado com outros ciclistas, e mantinha sua força, já que trabalhou até sábado, e não havia treinado o bastante.
Mesmo assim, mostrou garra neste audax.
Até a Av. dos Bandeirantes, vimos diversos buracos, ônibus ‘tirando fina’, e inclusive pessoas sem camisa ‘estranhas’, a caminhar. 
Em certos trechos, preferimos aumentar a velocidade, em até 30km/h, forçando as pernas. Depois, vimos que foi uma má idéia.
Houve momentos em que kombis ficaram nos dois lados da pista, obstruindo o trânsito.

Marcus, em um dos buracos, teve rompido o cabo do câmbio trazeiro. Como não tinham alicates, regulei o câmbio, usando a chave allen, para que, ao menos, o K7 ficasse na coroa do meio, assim Marcus poderia subir sem empurrar.

Com sol de até 37 graus (marcando nos termômetros), cuja sensação passou dos 40 graus (o vento contra era praticamente 
‘bafo quente’, não ajudando em nada no resfriamento), nós, até mesmo com belos ‘banhos’ em lava-jatos, persistimos até o fim.

Eu tive que tomar vários banhos e até mesmo comer gelo. Estava muito quente, para quem costuma pedalar no frio.
Vimos ciclistas pondo as cabeças dentro de refrigeradores com bebidas, água e gatorades. Vimos inclusive gente indo tomar banho no mar.
Cheguei a falar que, agora, eu estaria pronto para correr no saara.

Para os megariders, sabemos que esta foi, dentre todas as viagens, a mais quente de todos os tempos, 
desde quando começamos os megarides, em 2005, com a idealização de fazer difundir-se o ciclismo de longa distância, mesmo sem recursos.
Bruno Bernardo passou mal em alguns trechos. Ele chegou a ficar sozinho.
No fim da prova, ele teve princípio de desmaio no shopping, mas foi atendido 
(ficou pálido, devido à perda excessiva de sal corpóreo). Muitos ciclistas tiveram que parar em bares, 
cantinas, padarias e restaurantes, até mesmo o Habibs, na Av. das Américas, para ficarem até meia hora no ar condicionado. 
Foi uma prova de sobrevivência, em pleno forte verão carioca.

Houve erros de percurso. No caso de nós (megariders), erramos 2 trechos. Mesmo com o mapa, não entendemos bem as placas de
VARGEM GRANDE, na Av dos Bandeirantes, e pedalamos 4km na estrada errada, tendo que voltar ao mesmo tempo (aumentou em 8km).
O segundo deles, foi no fim da barra, onde pegamos a passarela para ir ao Joá, ao invés de embaixo do viaduto.

Cheguei com Marcus às 17:37. Uma hora antes havia chegado nosso amigo Paulo Albuquerque, com uma ótima performance. Bruno chegou 1 hora depois, seguido por Sebastião Wilson,
conhecido da turma da Kraft Bikes e que fez diversos audax ainda maiores.

A hora limite era de 19:30, assim, todos esperavam, ansiosos, pela chegada dos que ainda pedalavam, nós, inclusive.
Embora a intenção seja chegar até o fim, no tempo previsto, e não competir, a primeira colocada foi uma ciclista de speed, 
que encarou a insolação e os buracos da Av. das Américas, Av. dos Bandeirantes e Av. Mem de Sá (centro e Tijuca) com total maestria!

Neste tipo de prova, realmente é preciso simular o percurso e treinar dias antes, para enfrentar o sol e já ir preparado para o trânsito.

A quilometragem total foi de 208km.
A média, envolvendo as pedaladas, foi de 23km/h, e a média geral, contando paradas e banhos, 18.1km/h. 
Houve muitos aprendizados.

Um abraço a todos!
O vídeo da cobertura do audax (10min) está na página do Ivan no Youtube. Clique AQUI para assistir.

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