Foto: Thiago Silveira
Nós, da equipe megariders, resolvemos participar do Audax 200 urbano de 2010, com muito entusiasmo.
Pedalamos muito sozinhos e sem apoio, e o Audax sempre nos deu mais ânimo e forças de buscar superações, manter contato
com outros atletas e fazer vários amigos.
Como sabíamos que seria o Audax mais esperado de todo o Rio de Janeiro, onde haveria a participação recorde de 117 ciclistas,
saí de Cachoeira Paulista, de ônibus (4h de viagem), pois não moro no Rio no momento, e fiquei na casa de parentes,
acordando às 4h (dormi às 1 da manhã) e preparando todo o aparato, para ir, com Bruno Bernardo, até o Shopping Tijuca,
pedalando (10km), como forma de aquecimento. Encontramos o Marcus Cavalcanti, Designer, e fomos todos à largada.
No Shopping Tijuca, todos faziam suas vistorias, e aguardavam o momento da partida. Arthur, da FECIERJ, chega a erguer a bandeira.
Víamos a bandeira, marcando a largada, enquanto a pick-up batedora seguia à frente, e 3 ambulâncias, atrás.
Foi emocionante essa fase para nós!
O trecho mais perigoso era da Tijuca até a Av. Rio Branco, devido a muitos cruzamentos e pistas de várias faixas.
Na Rio Branco, o carro batedor seguiu em maior velocidade, liberando todos nós, ciclistas.
Era magnânime ver tanto ciclista, com saúde, alegria e força, em toda a avenida do centro carioca. O domingo era nosso!
Mas, momentos depois, vimos um acidente entre os ciclistas do pelotão do meio, na mesma av. Rio Branco, sem gravidade.
Todos redobraram a atenção. Já marcava 28°C.
Seguimos pela Presidente Wilson, e no entorno do flamengo, entrando na Correa Dutra. Subimos paineiras
em um bom ritmo, e pegamos o PC1 sem fila, mas tudo iria piorar lá na Barra: o sol intenso que iria dar naquele dia.
Pedalei junto com Marcus, que me acompanhou bem, por toda a Barra, Recreio, avenida das Américas, e voltando por ela novamente, até o Autódromo, Bandeirantes, e , enfim, a volta até a Tijuca.
Bruno Bernardo havia ficado com outros ciclistas, e mantinha sua força, já que trabalhou até sábado, e não havia treinado o bastante.
Mesmo assim, mostrou garra neste audax.
Até a Av. dos Bandeirantes, vimos diversos buracos, ônibus ‘tirando fina’, e inclusive pessoas sem camisa ‘ estranhas’, a caminhar.
Em certos trechos, preferimos aumentar a velocidade, em até 30km/h, forçando as pernas. Depois, vimos que foi uma má idéia.
Houve momentos em que kombis ficaram nos dois lados da pista, obstruindo o trânsito.
Marcus, em um dos buracos, teve rompido o cabo do câmbio trazeiro. Como não tinham alicates, regulei o câmbio, usando a chave allen, para que, ao menos, o K7 ficasse na coroa do meio, assim Marcus poderia subir sem empurrar.
Com sol de até 37 graus ( marcando nos termômetros), cuja sensação passou dos 40 graus (o vento contra era praticamente
‘bafo quente’, não ajudando em nada no resfriamento), nós, até mesmo com belos ‘banhos’ em lava-jatos, persistimos até o fim.
Eu tive que tomar vários banhos e até mesmo comer gelo. Estava muito quente, para quem costuma pedalar no frio.
Vimos ciclistas pondo as cabeças dentro de refrigeradores com bebidas, água e gatorades. Vimos inclusive gente indo tomar banho no mar.
Cheguei a falar que, agora, eu estaria pronto para correr no saara.
Para os megariders, sabemos que esta foi, dentre todas as viagens, a mais quente de todos os tempos,
desde quando começamos os megarides, em 2005, com a idealização de fazer difundir-se o ciclismo de longa distância, mesmo sem recursos.
Bruno Bernardo passou mal em alguns trechos. Ele chegou a ficar sozinho.
No fim da prova, ele teve princípio de desmaio no shopping, mas foi atendido
(ficou pálido, devido à perda excessiva de sal corpóreo). Muitos ciclistas tiveram que parar em bares,
cantinas, padarias e restaurantes, até mesmo o Habibs, na Av. das Américas, para ficarem até meia hora no ar condicionado.
Foi uma prova de sobrevivência, em pleno forte verão carioca.
Houve erros de percurso. No caso de nós (megariders), erramos 2 trechos. Mesmo com o mapa, não entendemos bem as placas de
VARGEM GRANDE, na Av dos Bandeirantes, e pedalamos 4km na estrada errada, tendo que voltar ao mesmo tempo (aumentou em 8km).
O segundo deles, foi no fim da barra, onde pegamos a passarela para ir ao Joá, ao invés de embaixo do viaduto.
Cheguei com Marcus às 17:37. Uma hora antes havia chegado nosso amigo Paulo Albuquerque, com uma ótima performance. Bruno chegou 1 hora depois, seguido por Sebastião Wilson,
conhecido da turma da Kraft Bikes e que fez diversos audax ainda maiores.
A hora limite era de 19:30, assim, todos esperavam, ansiosos, pela chegada dos que ainda pedalavam, nós, inclusive.
Embora a intenção seja chegar até o fim, no tempo previsto, e não competir, a primeira colocada foi uma ciclista de speed,
que encarou a insolação e os buracos da Av. das Américas, Av. dos Bandeirantes e Av. Mem de Sá (centro e Tijuca) com total maestria!
Neste tipo de prova, realmente é preciso simular o percurso e treinar dias antes, para enfrentar o sol e já ir preparado para o trânsito.
A quilometragem total foi de 208km.
A média, envolvendo as pedaladas, foi de 23km/h, e a média geral, contando paradas e banhos, 18.1km/h.
Houve muitos aprendizados.
Um abraço a todos!
O vídeo da cobertura do audax (10min) está na página do Ivan no Youtube. Clique AQUI para assistir.

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