quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Relato do Ivan Rolim


Eu, Ivan, integrante da equipe megariders, preparei-me para este audax como quem se prepara para uma grandiosa aventura. Porém, tudo estava em cima da hora, e precisava sair do interior paulista até o Rio de Janeiro no mesmo sábado. Embora com princípio de faringite, não queria desistir, e resolvi, às 23:20, chegar à Niteroi e esperar pela turma: Bruno e Marcus, meus amigos do Rio. Eu estava de speed, e os dois, de MTB.
Na largada, prontamente às 0:01, todos saímos, a maioria iluminados, seja por coletes reflexivos, ou leds super potentes. Mas temia chegar muito tarde, e, sob constante avaliação física, busquei manter-me com Diego, um ironman (o qual só saberia depois) que também estava de speed. Embora eu, como sempre reforço, não use o audax para competir, eu busco me superar, e esta prova não foi diferente.
Embora com pneus 700x23, com 110 PSI, sentia a bicicleta dura naqueles acostamentos. Não podia usar 90 PSI ou menos, pois poderia gerar aqueles furos de 'mordida de cobra', ao pisar em pedras e pequenos buracos, então preferi menos conforto.
No começo da Via Lagos, tive problemas com a lanterna de cabeça, o que me fez trocar as pilhas e inclusive 'dar pancadas' no apetrecho. Eu agora estou convicto: muitas lanternas compradas no mercadolivre, ou "dealextremme.com" NÃO tem boa qualidade. É preciso tomar cuidado com isso, e verificar as presilhas (se são de plástico ou aço), seja em treinos anteriores ao audax ou passeios.
E, definitivamente: jogue fora suas pilhas ELGIN, e 'SONYs' de 3000mAh.... compre originais. Salva tempo e impede que voce páre muito, so trocando estas pilhas.
Os postos de controle, durante à noite, estavam abertos, exceto no PC3, em Silva Jardim, onde tivemos que tirar fotos e filmar o local, pouco depois das 5 da manhã. Duas pessoas apareceram, e até ficamos meio receosos, mas eram frentistas que acordavam...
Havia muitos caminhões que nos fechavam, mesmo no meio fio. Era preciso ficar no acostamento, mesmo que este estivesse ruim. Nas retas, eu e Diego ficávamos na pista, assim ganhávamos velocidade e tinha menos risco de quedas por buracos.
A manhã chegou a congelar em Silva Jardim, com neblina forte. Tive que tirar os óculos, já que tenho miopia, e fiquei com Diego a conversar e filmar, enquanto passávamos por pedágios iluminados e ouvia barulhos de cigarras, sapos e até de vacas ao longe.
Paramos às 7 da manhã em Itaboraí, e tomamos café e sanduíches. Como banana passa e recarrego as garrafinhas. Ligo para meus familiares: 'o pior já passou'.
O ritmo ficou nos 28km/h, até Cachoeiras de Macacu. Parecia uma cidade fantasma. Um vendedor conversava comigo enquanto me dava um Tampico e informava: 'são 8 para as 9'. Era também a hora de cada um ir no seu ritmo. Diego foi adiante, e pedalei sozinho durante os últimos 70km, sempre alcançando-o nos PCs e perguntando se tudo estava bem.
Pedregulhos, acostamento com ranhuras, tartarugas de concreto e paralelepípedos quebrados inundavam a Manilha. Eu precisava manter contato com minha família pelo celular, indicando que tudo estava bem. O sol começava a esquentar, e, embora com protetor solar, estava com a garganta pior. Preferi não beber mais água fria.
Depois da Casa do Alemão, sozinho, encarei subidas e descidas que se repetiam, ao som de caminhões e carros ávidos, de quem voltava de um dia de praia em Cabo Frio, ou de um lazer em Saquarema. Meu braço direito começou a doer muito, e isso porque havia feito alongamento. Tive que forçar mais o braço esquerdo.
Entro na saída 318, seguindo a rota praticamente por dentro de São Gonçalo, como na ida, tomando cuidado com o trânsito que estava intenso, enquanto ouvia crianças gritando e soltando pipas, e chego pouco depois de 12:30, chego no posto final. Tudo indica que Diego havia ido embora nas barcas das 12:30 (mal tive tempo de parabenizá-lo).
Converso com um simpático voluntário, recebo o Brevet, e indico que farei mais 100km.
Começo a sentir fraquezas e as mãos 'dando choque'. Era hora de comer mais bananas e 2 fatias de pizza. Em pé, faço o almoço (em muitas lanchonetes, dependendo do caso, nem havia cadeiras), molho o rosto e os braços, já ardendo do sol, ponho mais protetor solar, e subo na bicicleta. 13:01....hora de partir.
Ao sair, aceno para o voluntário, o qual ficou a me observar, naquele sol, indo para a Manilha novamente. Eu queria muito completar 400km, custe o que custar.
Voltavam as repetições naquela Manilha. Às 15 horas, depois de refletir, cantar sozinho, ouvir mp3 num ouvido só, enfim, procurando me animar, chego no Posto BR, ao lado da Casa do Alemão, antes de Rio Bonito (lado direito).
Preferi ficar 20 minutos na sombra, do contrário, poderia desmaiar. Estava com poucas energias, e agora os joelhos doíam. Ponho minha meta adiante de terminar os últimos 50km a uma média menor (24km/h), ainda pegando um pouco de vento contra. Vislumbro o pôr do sol no retão da Manilha e encaro um trânsito agora intenso: carros, carretas, motos, ônibus e vans.
Antes de chegar, ao adentrar a saída 318 pela segunda vez, um suspiro de alívio. Havia visto muitas crianças soltando pipa na estrada! Se alguem usasse cerol e estivesse com a pipa atravessada pela pista?

Ao chegar no centro de niterói, uma alegria muito grande: sim, havia conseguido. 400,87km às 17:18.
Ao parar, na cabine da PM, em frente às barcas, Marcus, que havia chegado meia hora antes, descansava. Dois outros voluntários esperavam os outros audaciosos. Marcus havia completado seu primeiro audax de 300km, mesmo passando mal. Bruno havia chegado bem antes e já tinha ido embora. Parabenizei Marcus e fomos juntos para o Rio, pelas Barcas, um ajudando o outro a caminhar. A noite iniciava, agora, graças a Deus, sentado, jantando, rindo e comentando a longa viagem, nas ruas cariocas.
Parabéns a todos! Muito fico feliz ao poder ter essa oportunidade de pedalar com todos, saindo de nossas vidas repetitivas, rumo a um dia de muita adrenalina, com companheirismo e força de vontade.
E principalmente, um muito obrigado aos voluntários!"
____________________________________________
Ivan Rolim

Um comentário:

  1. Eu, Valtemir Carlos(Maguilla), já participei do Audax 200 e ja fiz varias viagens de cicloturismo, e esse Audax 300kms noturno, achei o maximo não tive nenhum problema comigo nem com a minha bike. completei o percurso dentro do tempo permitido,agradeço a todas as pessoas que se envolveram para realizar essa prova, e já estou programando uma viagem de bike agora para Setembro, para as seguintes Cidades . Rio / Cruzeiro(SP)/Caxambú(MG)/Juiz de Fora(MG)/Rio, já fiz esse roteiro anteriormente e pretendo fazer um pernoite em cada cidade, pretendo sair daqui numa Quarta-Feira e a volta Domingo, eu estarei de feiras nesse mes e vou aproveitar para fazer esse passeio, se alguem se candidata a entrar nessa me mande um e-mail para valtemircarlos@hotmail.com.
    um grade abraço
    Valtemir(Maguilla)

    ResponderExcluir

Por favor escreva seu nome ao inserir comentário.