segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Brevet dos Voluntários - Relato do Eduardo

Da esquerda pra direita: Marcos, Paulo, Edu, Edson. Maurício agachado e Daniel tirando a foto

Neste domingo foi realizado o Audax 300 dos voluntários. Os ciclistas que trabalharam no dia 9/8 na largada, PC1 e chegada puderam tentar obter o Brevet num repeteco idêntico do Audax 300 da semana passada, mas sem nenhum PC real. Dos 9 inscritos só 5 apareceram, além do Edson que não tinha Brevet 200, mas nos acompanhou. Abaixo meu relato do que passamos ontem.

Edu


Momentos 1

Perguntei ao meu companheiro de pedalada:

- Maurício, quantos anos você tem?

- 47 – diz ele, mas o barulho da estrada não me deixa ouvir direito.

- 37?

- Não! 47!

- Ah tá, mas você passa por 37.

- Obrigado. E você tem quantos anos?

- 33 – respondo eu.

E ele manda direto:

- Então eu passo por 37, fácil.

Dito isto, sai rindo alto e debochado, pedalando mais rápido...


Momentos 2

Uma e meia da manhã. O Marcos disparou na frente e o Daniel ficou bem pra trás justamente num trecho da estrada que fica longe de casas e fábricas, portanto com pouca luz artificial. Menos ainda porque poucos carros passavam nessa hora. Mesmo com os dois faróis ligados já dava pra perceber que a noite estava linda com zilhões de estrelas e uma lua minguante ‘recém-nascida’. O trecho onde eu estava era uma descida leve, longa e reta. Reduzi a velocidade, parei de pedalar e desliguei os faróis. Por alguns instantes deixei a bicicleta rolando e só olhei pro céu, vento no rosto, lua e estrelas se exibindo no máximo... Simplesmente fantástico e inesquecível.

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Relato completo


Saí de casa às 22 hs pra encontrar Daniel e Marcos num ponto de encontro que ficava mais longe da Praça XV (onde fica a estação das barcas) que a minha casa. Devaneio número 1. Nos atrasamos pouco, mas foi o suficiente pra nos colocar em ritmo acelerado pra Praça XV. Deu tempo e lá encontramos o Maurício e o Edson que faria o 300 só pra nos acompanhar, já que não tem o Brevet 200. Em Niterói encontramos o Paulo César. Éramos 6, curiosamente dois de MTB, dois de Speed e dois de reclinada. Esperamos 30 minutos e como mais nenhum dos 9 inscritos apareceu, partimos. De início, nos 5 km urbanos, pedalamos juntos, mas na estrada (BR 101) rapidamente dois grupos foram formados. Mais rápidos, Maurício, Edson, Paulo e Marcos seguiam na frente. Eu e Daniel ficamos pra trás. Ainda não fazia muito frio, mas preferi me aquecer lentamente. O vento era contra e forte.


Na altura do 15° km eu e Daniel encontramos o Marcos parado no acostamento: pneu traseiro furado. Empurramos 100 metros pra ficar sob um poste de luz e saímos do acostamento. A troca foi rápida, mas a noite era longa então partimos sem mais delongas. Logo o Daniel foi ficando pra trás. Seu ritmo era mais lento que o nosso. Paramos na altura de Manilha pra esperá-lo, mas logo nos distanciamos dele de novo. Chegamos ao PC 1 às 2:35 e pouco depois o Daniel nos liga. Ele estava com câimbras e parou num posto de gasolina pouco antes do PC 1. Ele comeu umas bananas e seguiu pra nos encontrar no PC 1 lá pelas 3:10. Nosso atraso era enorme e o Daniel já chegou dizendo que voltaria pra Niterói. Todos concordamos que seria melhor assim, mais prudente. Ele esperaria o dia amanhecer e retornaria Segui com o Marcos acreditando que o grupo da frente estava uns 10 kms na nossa frente. O vento continuava contra e forte.


Em Rio Bonito (60° km) resolvemos parar rapidamente no posto que foi o PC 1 do Audax 200 de abril. Ao chegar avistei um ciclista de colete, depois outro e mais um. Eram eles! Mas ainda aqui? Eles nos contaram que a speed do Paulo teve dois pneus furados, uma vez o dianteiro e outra vez o traseiro, sendo que o pneu traseiro estava rasgado e tinha uma embalagem de barra de cereal fazendo as vezes de manchão. Seguimos juntos, mais lentos, pois o Paulo estava receoso de ter novo furo. Assim seguimos pela Via Lagos até o PC 2 no qual chegamos perto do tempo limite. As longas subidas com vento contra atrasavam o Marcos na reclinada e eu o acompanhava ficando um pouco mais à frente. Um pouco antes do pedágio encontramos o trio enchendo o pneu da speed do Paulo de novo. Ao chegar ao PC 2 às 5:55 ele anunciou que pegaria um ônibus pra Niterói ou Rio de Janeiro. Mais uma baixa.


O sol nasceu enquanto tomávamos café da manhã. Nos despedimos do Paulo e seguimos. A partir daqui os ritmos se definiram individualmente. Edson disparou na frente, eu e Maurício ‘nos encontramos’ e o Marcos ia mais atrás. O vento passou para neutro, mas o sol vinha chegando e anunciava que seria forte. Voltando pra BR 101 o vento voltou a ser contra e forte, mas chegamos ao PC 3 dentro da tolerância de tempo (8:44). Nossa média total subia, mas ainda estava abaixo de 15 km/h. Preocupante. O Marcos chegou ao PC 3 10 minutos depois de mim e anunciou que voltaria pra casa pedalando mais devagar. Mais um abandono em mais um PC. Naturalmente brincamos a respeito do PC 4. Quem abandonaria em Cachoeiras de Macacu? Hehehehe.


Ao sair do PC 3 o vento também era contra, mas logo virou a nosso favor. O calor, no entanto já era maior e o consumo de água e isotônico aumentou. Como praxe o Edson disparou na frente. Como pedala esse guri! Eu e Maurício seguimos juntos e o Marcos nos acompanhou mais, até que nos distanciamos dele. Fiz uma parada rápida pra comprar água com o Maurício e seguimos. O Marcos ligou e disse que teve outro pneu furado, mas iria fazer tudo com calma na sombra de um posto de gasolina. Entramos na RJ 116 e o vento contra voltou. Aí começou a tortura com sol forte, muitas subidas e muito vento forte. Nossas forças foram sendo minadas rapidamente e a 15 km de Cachoeiras de Macacu comecei a sentir muito calor, fraqueza e enjôo. Paramos num restaurante. Bebi água gelada e tomei dois longos banhos de uma deliciosa água fria na pia do banheiro. O Maurício aproveitou pra fazer um lanche. Na volta à estrada surgiram algumas sombras o que renovou o meu ânimo. O Edson tinha parado pra nos esperar e surgiu na nossa cola um pouco antes do portal da cidade. Chegando ao Posto de Gasolina do PC 4 às 14:15 o pneu dianteiro da bicicleta do Maurício furou. Trocamos e ele já remendou a câmara por precaução. Ninguém abandonou no PC 4 então concluímos que a maldição do PC tinha ido embora.


O sol já baixava, mas o calor ainda era forte. Pelo menos o vento estava em neutro ou a favor. Mais uma paradinha breve pra comprar água e ficar ainda mais longe do Edson. A partir daqui a vontade de voltar pra casa aumentava o ânimo e o ritmo aumentou muito, menos nas subidas. O Edson ligou e disse que esperaria por nós no PC 5, muito gentil. Chegamos às 16:56 e fizemos um lanche mais demorado, pois era senso comum que seria a última parada longa. Havíamos recuperado a média de velocidade, mas sem folgas. Do PC 5 ao PC 6 (chegada) seriam pouco mais de 40 km e à noite. Ainda bem que havia forte vento a favor e o sol se punha.


Seguimos todos juntos num ritmo alucinante só interrompido por um acidente na estrada. Até a saída 318 da BR 101 nossa média ficou em 28 km/h e já tínhamos 250 km no hodômetro! Entramos em uma São Gonçalo com bastante trânsito de motoristas domingueiros e mal humorados, mas sobrevivemos a mais esse teste e chegamos à estação das Barcas às 19:20. Rapidamente entramos na estação pra voltar pra casa e o meu celular começa a fazer ligações pra informar do sucesso. Marcos e Daniel voltaram bem e já estavam em casa. Paulo César idem.


O dia foi desgastante, a noite foi linda e fez valer a pena pedalar na hora em que deveríamos estar dormindo. Foi uma experiência diferente, mais fascinante do que eu pensava e mais segura do que parece. A distância é realmente muito grande e acho que ainda não ‘caiu a ficha’ de que realmente completamos esse grande desafio.


Agradeço muito aos colegas de pedalada. Foram fundamentais para diminuir os momentos de desânimo e potencializar as (muitas) horas agradáveis. Agradeço também aos amigos que ligaram o dia todo pra acompanhar a jornada.

Eduardo Bernhardt

12 comentários:

  1. Parabéns amigos. Sensacional a sua narrativa Eduardo. Consegui imaginar as dificuldades que vcs passaram. Abs.

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  2. Filho.
    Parabéns pela pedalada e pelo teu relatório, muito bem humorado e escrito.
    Pai.

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  3. Edu, como o Marcus comentou... vc escreve tão bem, que parece que pedalei junto com vcs esses 300 kms! Muito legal, que apesar de todos os percalsos do Rio, quando falamos dos ciclistas, todos os problemas desaparecem!!!
    Parabéns pela tua coragem e principalmente pelo teu desprendimento!!!

    abraços, ninki

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  4. Fiz o erro de não treinar durante 2 semanas e carregar 11Kg a mais de peso (água, comida, pilhas, etc) só de pilha tinha 1Kg (Um Kilo).

    Nada descreve o prazer de estar as 4Hs da manhã na estrada escura só com a lua e estrelas, um segredo: torci muito para ver um OVNI (daqueles que só aparecem voando nas estradas escuras) mas não vi nada.

    Valeu a experiência e o apoio de todos.

    Nota 10 para o Eduardo e sua organização.
    Obrigado

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  5. MUITO BOM!!!

    na escala mastercard...
    pedalar com os amigos tendo uma conquista pessoal dessas: nao tem preço!

    isso é viver!

    parabens pelo feito!
    é oooobvio que vc nao desistiria

    bj

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  6. Parabéns sujeito!!!
    Abc

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  7. Galera, foi bom pedalar com vcs... melhor do que completar o Audax eh saber que mesmo prejudicando o tempo de vcs, estiveram ao meu lado o tempo todo, me incentivando e dando força.

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  8. Aos amigos dos desafios, dos duzentão e dos trezentão:

    Humildade gera na alma o prazer da conquista.

    Eu me orgulho de vocês. A maior conquista é tentar, tentar, tentar ......até alcançar.

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  9. Aê cunhado parabéns , emocionado digo que tenho muito orgulho de você ir atráz destas loucuras que são os seus objetivos , não temos nada a ver um com o outro mas isso temos em comum.
    Grande abraço
    Fernando.

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  10. É isto aí camarada! Se saiu de casa para fazer os 300, tudo, mas tudo mesmo, tem que ser feito para realizar o que foi programado. Parabéns para vocês, Sebastião Wilson.

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  11. Como já disseram anteriormente, voce descreveu tão bem que visualizei a jornada. Parabens pelo feito realizado.

    Luiz Carlos

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  12. Gde Edu;

    Parabéns pelo relato que descreve tão bem o que é completar o longo desafio.
    Só quem faz sabe o que significa.

    SUCESSO!

    Elias Paniago Pereira
    www.pikidatrilha.blogspot.com

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