Neste domingo foi realizado o Audax 300 dos voluntários. Os ciclistas que trabalharam no dia 9/8 na largada, PC1 e chegada puderam tentar obter o Brevet num repeteco idêntico do Audax 300 da semana passada, mas sem nenhum PC real. Dos 9 inscritos só 5 apareceram, além do Edson que não tinha Brevet 200, mas nos acompanhou. Abaixo meu relato do que passamos ontem.
Edu
Momentos 1
Perguntei ao meu companheiro de pedalada:
- Maurício, quantos anos você tem?
- 47 – diz ele, mas o barulho da estrada não me deixa ouvir direito.
- 37?
- Não! 47!
- Ah tá, mas você passa por 37.
- Obrigado. E você tem quantos anos?
- 33 – respondo eu.
E ele manda direto:
- Então eu passo por 37, fácil.
Dito isto, sai rindo alto e debochado, pedalando mais rápido...
Momentos 2
Uma e meia da manhã. O Marcos disparou na frente e o Daniel ficou bem pra trás justamente num trecho da estrada que fica longe de casas e fábricas, portanto com pouca luz artificial. Menos ainda porque poucos carros passavam nessa hora. Mesmo com os dois faróis ligados já dava pra perceber que a noite estava linda com zilhões de estrelas e uma lua minguante ‘recém-nascida’. O trecho onde eu estava era uma descida leve, longa e reta. Reduzi a velocidade, parei de pedalar e desliguei os faróis. Por alguns instantes deixei a bicicleta rolando e só olhei pro céu, vento no rosto, lua e estrelas se exibindo no máximo... Simplesmente fantástico e inesquecível.
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Relato completo
Saí de casa às 22 hs pra encontrar Daniel e Marcos num ponto de encontro que ficava mais longe da Praça XV (onde fica a estação das barcas) que a minha casa. Devaneio número 1. Nos atrasamos pouco, mas foi o suficiente pra nos colocar em ritmo acelerado pra Praça XV. Deu tempo e lá encontramos o Maurício e o Edson que faria o 300 só pra nos acompanhar, já que não tem o Brevet 200. Em Niterói encontramos o Paulo César. Éramos 6, curiosamente dois de MTB, dois de Speed e dois de reclinada. Esperamos 30 minutos e como mais nenhum dos 9 inscritos apareceu, partimos. De início, nos 5 km urbanos, pedalamos juntos, mas na estrada (BR 101) rapidamente dois grupos foram formados. Mais rápidos, Maurício, Edson, Paulo e Marcos seguiam na frente. Eu e Daniel ficamos pra trás. Ainda não fazia muito frio, mas preferi me aquecer lentamente. O vento era contra e forte.
Na altura do 15° km eu e Daniel encontramos o Marcos parado no acostamento: pneu traseiro furado. Empurramos 100 metros pra ficar sob um poste de luz e saímos do acostamento. A troca foi rápida, mas a noite era longa então partimos sem mais delongas. Logo o Daniel foi ficando pra trás. Seu ritmo era mais lento que o nosso. Paramos na altura de Manilha pra esperá-lo, mas logo nos distanciamos dele de novo. Chegamos ao PC 1 às 2:35 e pouco depois o Daniel nos liga. Ele estava com câimbras e parou num posto de gasolina pouco antes do PC 1. Ele comeu umas bananas e seguiu pra nos encontrar no PC 1 lá pelas 3:10. Nosso atraso era enorme e o Daniel já chegou dizendo que voltaria pra Niterói. Todos concordamos que seria melhor assim, mais prudente. Ele esperaria o dia amanhecer e retornaria Segui com o Marcos acreditando que o grupo da frente estava uns 10 kms na nossa frente. O vento continuava contra e forte.
Em Rio Bonito (60° km) resolvemos parar rapidamente no posto que foi o PC 1 do Audax 200 de abril. Ao chegar avistei um ciclista de colete, depois outro e mais um. Eram eles! Mas ainda aqui? Eles nos contaram que a speed do Paulo teve dois pneus furados, uma vez o dianteiro e outra vez o traseiro, sendo que o pneu traseiro estava rasgado e tinha uma embalagem de barra de cereal fazendo as vezes de manchão. Seguimos juntos, mais lentos, pois o Paulo estava receoso de ter novo furo. Assim seguimos pela Via Lagos até o PC 2 no qual chegamos perto do tempo limite. As longas subidas com vento contra atrasavam o Marcos na reclinada e eu o acompanhava ficando um pouco mais à frente. Um pouco antes do pedágio encontramos o trio enchendo o pneu da speed do Paulo de novo. Ao chegar ao PC 2 às 5:55 ele anunciou que pegaria um ônibus pra Niterói ou Rio de Janeiro. Mais uma baixa.
O sol nasceu enquanto tomávamos café da manhã. Nos despedimos do Paulo e seguimos. A partir daqui os ritmos se definiram individualmente. Edson disparou na frente, eu e Maurício ‘nos encontramos’ e o Marcos ia mais atrás. O vento passou para neutro, mas o sol vinha chegando e anunciava que seria forte. Voltando pra BR 101 o vento voltou a ser contra e forte, mas chegamos ao PC 3 dentro da tolerância de tempo (8:44). Nossa média total subia, mas ainda estava abaixo de 15 km/h. Preocupante. O Marcos chegou ao PC 3 10 minutos depois de mim e anunciou que voltaria pra casa pedalando mais devagar. Mais um abandono em mais um PC. Naturalmente brincamos a respeito do PC 4. Quem abandonaria em Cachoeiras de Macacu? Hehehehe.
Ao sair do PC 3 o vento também era contra, mas logo virou a nosso favor. O calor, no entanto já era maior e o consumo de água e isotônico aumentou. Como praxe o Edson disparou na frente. Como pedala esse guri! Eu e Maurício seguimos juntos e o Marcos nos acompanhou mais, até que nos distanciamos dele. Fiz uma parada rápida pra comprar água com o Maurício e seguimos. O Marcos ligou e disse que teve outro pneu furado, mas iria fazer tudo com calma na sombra de um posto de gasolina. Entramos na RJ 116 e o vento contra voltou. Aí começou a tortura com sol forte, muitas subidas e muito vento forte. Nossas forças foram sendo minadas rapidamente e a 15 km de Cachoeiras de Macacu comecei a sentir muito calor, fraqueza e enjôo. Paramos num restaurante. Bebi água gelada e tomei dois longos banhos de uma deliciosa água fria na pia do banheiro. O Maurício aproveitou pra fazer um lanche. Na volta à estrada surgiram algumas sombras o que renovou o meu ânimo. O Edson tinha parado pra nos esperar e surgiu na nossa cola um pouco antes do portal da cidade. Chegando ao Posto de Gasolina do PC 4 às 14:15 o pneu dianteiro da bicicleta do Maurício furou. Trocamos e ele já remendou a câmara por precaução. Ninguém abandonou no PC 4 então concluímos que a maldição do PC tinha ido embora.
O sol já baixava, mas o calor ainda era forte. Pelo menos o vento estava em neutro ou a favor. Mais uma paradinha breve pra comprar água e ficar ainda mais longe do Edson. A partir daqui a vontade de voltar pra casa aumentava o ânimo e o ritmo aumentou muito, menos nas subidas. O Edson ligou e disse que esperaria por nós no PC 5, muito gentil. Chegamos às 16:56 e fizemos um lanche mais demorado, pois era senso comum que seria a última parada longa. Havíamos recuperado a média de velocidade, mas sem folgas. Do PC 5 ao PC 6 (chegada) seriam pouco mais de 40 km e à noite. Ainda bem que havia forte vento a favor e o sol se punha.
Seguimos todos juntos num ritmo alucinante só interrompido por um acidente na estrada. Até a saída 318 da BR 101 nossa média ficou em 28 km/h e já tínhamos 250 km no hodômetro! Entramos em uma São Gonçalo com bastante trânsito de motoristas domingueiros e mal humorados, mas sobrevivemos a mais esse teste e chegamos à estação das Barcas às 19:20. Rapidamente entramos na estação pra voltar pra casa e o meu celular começa a fazer ligações pra informar do sucesso. Marcos e Daniel voltaram bem e já estavam em casa. Paulo César idem.
O dia foi desgastante, a noite foi linda e fez valer a pena pedalar na hora em que deveríamos estar dormindo. Foi uma experiência diferente, mais fascinante do que eu pensava e mais segura do que parece. A distância é realmente muito grande e acho que ainda não ‘caiu a ficha’ de que realmente completamos esse grande desafio.
Agradeço muito aos colegas de pedalada. Foram fundamentais para diminuir os momentos de desânimo e potencializar as (muitas) horas agradáveis. Agradeço também aos amigos que ligaram o dia todo pra acompanhar a jornada.
Eduardo Bernhardt

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