sábado, 25 de abril de 2009

Voando baixo no Audax


Ivan e Ashbel na chegada a Niterói.

Relato do Ivan Rolim
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Eu fiz o AUDAX 200km de Niterói junto com muitos conhecidos, porém nunca pensei que conseguiria completar da forma como o fiz. Largamos todos às 6:30 nas Barcas, e pegamos a avenida principal. Eu estava de Road Bike (na verdade, uma Mountain Bike, só o aro sendo 700), com pneus mistos 1.65, junto com três colegas. No km 60, houve dispersão, porém mantive uma média de 32km/h, até o primeiro posto de controle.

Muitos chegaram a 'zoar', achando que eu não conseguiria completar, devido a estar levando pochetes, pneu extra e até a bandeira do Brasil. Outros chegaram a me chamar de 'pato', devido à camisa mostrar uma águia, que é a equipe dos megariders. Não dava atenção, só queria mesmo completar.

Com vento contra, passei muito tempo só ouvindo as catracas, depois do primeiro posto de controle, sem ver ninguem à minha frente, ou atrás, aparentando estar perdido, mas mantive a fé e a média horária, sem parar de pedalar, até que entrei no entroncamento que passava pela Via Tanguá, que só depois eu via que nunca terminava. Estava cansado, e o sol aumentava de intensidade. Via speedys passando por mim, mas só no 2° Posto de Controle, observei que não estavam participando do AUDAX.

Quando cheguei lá, pouco depois de 11 da manhã, abismado fiquei ao constatar que só haviam 2 pessoas lá, e que o posto de controle mal tinha aberto. Eu, de fato, estava muito bem, e quis manter essa adrenalina. Tomando red bull e gatorades, fiquei em torno de 5 minutos, e segui viagem, com os 2 de speedy, pois ninguem mais chegava. O visual das serras antes de Nova Friburgo eram indescritíveis. Que vontade era de parar tudo e tomar um banho de cachoeira!

Bruno Bernardo e Marcus, meus companheiros, pedalaram muito, com suas Mountain Bikes. Ambos usavam suspensão. Ao dar o retorno de Cachoeira de Macacu, eu os avistei chegando no posto de controle. Acenei para eles, e pedi que acreditassem e tivessem fé. E não gastassem energias desnessárias.

A volta foi repleta de sol, vento contra e muita paisagem! O Rio Macacu era profundo, e resvalava ao longo de grandes árvores. O gado comia seu pasto, a quilometros dali, em reluzentes morros. Crianças sem camisa passavam pelos pequenos vilarejos com suas placas (e radares) do limite de 50km/h. Gente rindo, bebendo, e com a televisão ligada ao máximo, nos bares desses lugares... O acostamento, como sempre, com areia, 'tartarugas', palhas de árvores que já se dissolviam devido ao outono (apesar de quente ainda), e buracos...

Eu a tudo via e registrava, em fotos e vídeos. Os pneus mistos, quase biscoitos, de minha bike, giravam e giravam... teve momentos em que fechava os olhos, pois dava um sono, uma vontade de uma sesta rápida... tentava manter os 26km/h, ante aquela brisa abafada, e já não conseguia beber a água das garrafinhas, pois estavam quentes.... O pneu da frente esvaziou um pouco, o que me afligiu, ao achar ser um furo. A pressão deve ter caído dos 50 ao 38psi, mas mantive minha performance.

Via audaciosos do outro lado da pista, a perguntar se faltava muito para o posto de controle. 'Não, não faltava. Mantenham-se firmes, o oásis está proximo!'

Ashbel foi um grande companheiro, pois nos revezávamos e nos ajudamos quando perdemos o rumo, em Iraboraí. Paramos para perguntar aos transeuntes onde ficava o entroncamento da Manilha e o terceiro posto de controle. Acabamos passando o posto de controle por mais de 10km, sendo apenas possível a parada no posto BR para fazer uma compra e guardar a nota fiscal (mantendo os primórdios do AUDAX).
Ele estava com o celular a postos, e mantinha comunicação constante.

O sol estava matando, na Manilha. Eram 13 horas. Tomei um banho de mangueira no posto, aproveitando que Ashbel também tomava, e depois tomou um folheado. Preferi seguir viagem, com o mínimo de paradas. Arrisquei ficar exausto, porém mantive a fé de que poderia chegar em um bom tempo, em uma Road Bike. Pedi muito à Deus para que não tivesse câimbras, pois a situação já não estava controlável. Eu sabia que se eu parasse mais, eu ficaria 'frio' e as pernas travariam.

Cheguei ao último posto de controle às 14:18, com a média de 28.8km/h, em primeiro lugar.

Sempre repito que o AUDAX não é para ser encarado como competição, mas o nível de entusiasmo era tão grande, neste evento, impulsionado pelo lançamento de um balão (desses gigantescos), no meio do nada, em um grande campo aberto, na Via Tanguá, e pela velocidade de Ashbel, que consegui este feito.

Gostaria de informar que, de tudo que já vi, este audax foi o melhor pela garra dos ciclistas e pela paisagem do estado do Rio que mal conhecia. Um grande abraço a todos!"

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