sábado, 25 de abril de 2009

Relato do Bruno Queiroz

Transcrevo abaixo o relato do Bruno Queiroz.
Para ver o relato original com fotos visite o BLOG dele clicando AQUI.
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Domingão, minha esposa Erika e eu acordamos bem cedo para fazer o Desafio 120. Aliás, achando que por nunca ter andado mais do que 70km, seria mais sensato tentar o desafio do que o Audax com os seus então longínquos 200km. Levantamos por volta das 4h da matina para tomar o café da manhã e se preparar a tempo e chegarmos com folga para pegarmos a barca das 6h para Niterói. Encontramos claro vários participantes do Audax nas estações das barcas, donde inclusive tivemos o briefing com a organização do evento, encabeçada pelo Eduardo.

Enfim, vamos à largada. Devido ao atraso de 5 minutos, adicionado aos tempos de abertura e fechamento dos PCs, iniciamos o percurso na praça das barcas em niterói às 6h35m. Descemos a Av. Visconde de Rio Branco, quando a massa ciclística toma o rumo errado! Ao invés de entrar na rua Marechal Deodoro, fomos pela Av. Feliciano Sodré, até chegarmos ao entroncamento que levaria para a Estrada do Contorno. Notando isso, peguei junto com o grupo que estava atras de mim, a saida para o Barreto, onde de novo o grupo em que estava, inclusive a Erika, se dividiu novamente. Uns indo além Carrefour, outros, como eu, entrando na agulha que dava na Manilha, junto à quadra da Viradouro. Neste momento me distanciei da Erika e resolvi manter o meu ritmo, algo já acordado previamente com ela e motivo de preocupação pra mim. Vim ultrapassando os participantes e as poucas curvas da estrada neste trecho mostrava o acostamento pincelado de ciclistas com suas cores berrantes e faixas reflexivas. Inclusive um deles não era ciclista. Estava é de patins!!! E fazendo o Audax 200km! E segundo consta, conseguiu concluir no tempo limite! Assombroso!
Por falar em ritmo, parecia que estava fugindo de alguém, pois imprimi um ritmo até de certa forma desnecessário para uma prova como esta. Falo isso porque o Audax e o Desafio são calculados para manterem uma média de velocidade entre 15km/h e 30km/h. Além disso não é uma competição! Na ida para Rio Bonito, empolgado com as ultrapassagens que estava fazendo, mantive uma média de 30km/h, aproveitando bem as descidas para embalar a 50km/h e encarar as poucas subidas de baixa inclinação a uns 25/27km/h. Um ritmo bom (pra minha condição física) até que no trevo de Manilha, ao ultrapassar a agulha perto do ponto de ônibus, minha bike dá uma bambeada e ao notar o pneu dianteiro, o bicho tava se arrastando no chão: Furou! Não achando isso novidade, pois já furei umas 2 vezes esse pneu, encosto na calçada para providenciar a troca da câmara. Nesse tempo, uns 15min, vejo toda a galera que havia passado anteriormente me dando tchau, quando o Duda Dj e Ricardo, pararam para me dar um apoio moral. Tudo instalado de volta, retomo com eles a viagem por alguns quilômetros até achar que estava tudo bem com o pneu dianteiro. É o momento em que me distancio deles e volto para o meu ritmo anterior. Eles deveriam estar poupando energia para completar o Audax de 200km.
Tirando o lance do pneu, tava indo tudo bem, tanto que nem percebi que já estava na metade do percuso para Rio Bonito. Tinha bebido poucas gotas da água que levava em 2 garrafas e nada de comida ainda. A estrada vai passando rápido, noto como é sujo o acostamento, cheio de pedriscos, lascas de párabrisas, parafusos. Não precisava de outro pneu furado... Outras coisas: a poluição sonora na estrada, que o sol tava de rachar e senti falta de usar óculos escuros (uso óculos de grau), a segurança ao trafegar pelo acostamento (muito mais tranquilo do que encarar uma Avenida Niemeyer). Consegui alcançar alguns ciclistas que haviam me ultrapassado, inclusive um de Caloi 10 clássica, sentindo cãimbras faltando uns 20km p/ PC1. Perguntei se ele precisava de ajuda, mas disse que estava bem, não iria parar e não precisava se preocupar.

Faltando uns 10km pro PC1, comecei a sentir o desgaste, talvez porque tive que abaixar um pouco a pressão do pneu da frente pra não ter risco de furar como tinha acontecido em Manilha. Dei uma paradinha pra comer a banana e a maçã que havia trazido e me comunicar com a Erika pra saber como ela estava se saindo. Neste momento ela tinha errado alguma coisa no percurso, mas tinha voltado para o rumo certo. Então retomei a estrada, reparando que o PC1 nunca chegava e como demorava aqueles parcos 5km para o Pit-Stop.

Cheguei ao PC1 lá pras 9h15min. Dei meu nome para o voluntário checador, reabasteci as garrafas com água e gatorade, comi o sanduba e de quebra ainda rolou um RedBull. Tirei o peso morto da minha bexiga no banheiro, alonguei um pouco e retomei a estrada. Uma parada de15 min. Alguns participantes do Desafio 120 já haviam partido do PC1, então imaginei que se mantivesse o ritmo que estava levando poderia alcançá-los na estrada. Outra informação importante dada pela organização é que haveria um posto de abastecimento em Itaboraí que abriria 12:15, portanto poderia ter que esperar o P.A. abrir caso resolvesse parar lá.
Na volta, alguns quilômetros após ter saído do PC1, encontro com a galera que estava chegando a Rio Bonito, do outro lado da estrada. É quando avisto a Erika, a caminho e no horário para chegar no PC. Fiquei muito orgulhoso da conquista dela, principalmente porque ela não estava levando muita fé no próprio desempenho e achava que desistiria cedo.
Concentrei no meu ritmo novamente. No computador dava já uns 70km percorridos. Nem lembrei de parar no P.A. de Itaboraí. Foi quando comecou as dores nas pernas. Aumentando mais ainda por volta dos 80km de percurso. Dei uma diminuída no ritmo, ainda mais que não consegui alcançar ninguém na estrada. Ou melhor, além de um grupo do Audax que estava pegando a agulha para Cachoeiro de Macacu, encontrei um ciclista na estrada, que estava num ritmo menor que o meu e como não o reconheci da galera que estava presente na largada, fui levando o meu ritmo e o deixei pra trás, imaginando que teria mais alguém na frente e por sorte ira alcançá-lo.

Sofrendo de dores e cãimbras em tudo que era parte do corpo, os km's foram passando até chegar no trevo da Manilha. A partir daqui era contagem regressiva para a chegada. Sofrendo pra descobri a saída correta para São Gonçalo, reconheci a Base da Marinha, desci para o Barreto e fui deslizando mais devagar. A média horária da volta caiu para 22km/h. Mesmo com tantas dores, conseguia rodar bem. Deu alívio quando cheguei perto do Carrefour do Barreto, dali até as barcas de Niterói faltava pouco. Foi o momento que a Erika me ligou. Estava preocupado com ela, achando que iria continuar o desafio. Que nada, resolveu desistir em Rio Bonito, voltando de Van para o Rio, ela e a bike.

Quando reconheci o acesso ao centro de Niterói, minhas pernas quase travaram de tanta cãimbras, mas ao avistar o Ponto de Chegada, as dores simplesmente sumiram. Não sei se era por causa do esforço praticado, mas não conseguia reconhecer ninguém na frente da Estação. das Barcas. Achava que teriam vários ciclistas no local, pois não tinha ultrapassado ninguém na estrada. Vazio, quando de repente, avisto uma pessoa me acenando, numa árvore próxima ao Sinal de Trânsito que marcara a largada. Era a voluntária do PC de chegada, perguntando se havia desistido. Falei que não, que estava fazendo o Desafio, quando ela me informa que tinha sido o primeiro a chegar, então! Não acreditei, mas por outro lado lembrei que não tinha parado no PA, que só iria abrir às 12h. Será que alguém resolveu esperar abrir? Cheguei em Niterói às 12:15, quase 6 horas depois da largada. Feliz. Mais ainda por saber que a Erika tinha conseguido alcançar o PC1 em Rio Bonito, 60km depois da largada. Ela desistiu lá, voltou de Van para o Rio, mas me deixou orgulhoso do seu feito. Te amo demais!

Chegamos em casa quebrados, doloridos, mas com uma felicidade que só o balde de endorfina que tomamos por causa dessa viagem explica. Parabenizo a Organização do Audax pela belíssima prova. Nunca tinha participado de algo semelhante e saí super bem impressionado deste. Muito 10 também a garra e a presteza dos voluntários. Agora é se preparar mais ainda pois mês que vêm tem mais um Audax. E desta vez vou tentar o 200km.

Agora para isso vou rever alguns itens em que mandei mal. Digamos que foram erros de marinheiro de primeira viagem:

* Esqueci de passar e levar o protetor solar. A sorte que uma participante (Valeu Luana!) me cedeu um pouquinho do dela.
* Cadenciar melhor o ritmo. Num audax o que importa é chegar a tempo, poupando o máximo o equipamento e o corpo. Não precisava ter "socado a bota" no início do percurso, talvez estaria mais inteiro na chegada. Precisarei levar isso em conta se quiser completar o 200km.
* Não alongar antes da largada. Saí apressado de casa e não fiz. Tava socializando na estação das barcas no Rio e dentro da mesma e não fiz. No PC1 fiz um pouquinho mas não o suficiente. No final tava todo travado e cheio de dores no pescoço, lombar e pernas. Só recuperei nos dois dias seguintes.
* Usar óculos escuros. Além da proteção da vista contra o excesso de iluminação, protege contra detrito, insetos, etc. Só não usei um porque uso óculos de grau e teria que usar lentes de contato.
* Usar um abafador de ruídos. Pode ser meio perigoso, talvez eu deva testar usar um fone de ouvido ou coisa semelhante, mas a verdade é: Depois de horas pedaladas na estrada, estava com um zumbido no ouvido de tanto ouvir carro passar ao lado de mim. Parecia que passei a noite do lado de uma caixa de som da Furacão 2000... :-)

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