quarta-feira, 22 de abril de 2009

Mais um relato do Audax 200


Transcrevo abaixo o relato do Gledson que completou o Audax 200.
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Audax 200 - Conseguimos!

A música “Domingo” dos Titãs diz: “É dia de descanso / Nem precisava tanto / É dia de descanso / Programa Sílvio Santos”.

Dia de descanso? Só para as pessoas “normais”, porque para um grupo de Audaxciosos, tivemos tudo, menos descanso!

O dia começa cedo, despartador toca as 04:30. Banho, café da manhã, últimos ajustes nas bicicletas, faróis, leds e tantos outros pirilampos. Enquanto prendiamos as bicicletas no carro, noctívagos chegavam das baladas. Dois grupos antagônicos se encontram. Uns que madrugam na farra e outros que madrugam para o esporte.

Cruzamos a ponte em direção a Niterói. A largada seria as 06:30. Chegamos, a poucos minutos. Nem nos preparamos direito e foi dada a partida.

Montamos um pelotão formado por mim, Renata e Lício Pam e partimos para os 200km que precisam ser pedalados ainda.

Seguimos a planilha pelas ruas de Niterói e alcançamos um grupo que se juntou ao nosso. Érica e Luana que fariam o Desafio 120. Fomos juntos procurando a orientação até pegarmos a BR101.

O interessante do Audax é justamente isso. Apesar de ser uma prova individual, todos se ajudam e se preocupam mutuamente pois não há vencedores, nem colocação. O importante é “apenas” completar a distância dentro do tempo limite.

Na BR101 mantivemos um ritmo confortável variando de 20 a 30km/h até o primeiro PC, localizado aproximadamente no km 60 da prova. Nesse trecho, o sol ainda estava ameno, sem maiores problemas. A não ser um pneu furado que o deixou para trás, vindo nos alcançar somente no PC1.

No PC1 fizemos duas descobertas. Renata era a única mulher participando do Audax 200. A responsabilidade de brevetar aumentou. A outra descoberta era que se já somos considerados anormais por fazer tal prova de bicicleta, tinha uma pessoa fazendo-a de patins (Márcio).

Hora de repôr liquidos, alimentos, descansar um pouco, fotos e então seguir em frente, afinal ainda tinha muito chão para ser pedalado.

Da BR101 pegamos a RJ116 que vai dar em Cachoeiras de Macacu. Estrada boa, com acostamento e sem buracos. Mas também sem sombra, pelo menos no sentido em que seguiamos. Para piorar, o sol estava a pino, pois era quase meio dia. Renata segui na frente deixando a mim e o Lício para trás. Tivemos que fazer uma pausa num posto de gasolina para refrescar o corpo.

Pedalamos um bom trecho da RJ116 até atingir os 122km da prova, onde encontrariamos o PC2 no portal da cidade. Portal este que nunca parecia chegar. Uma estrada sem fim.

Metade da prova concluída. Momento para uma pausa um pouco maior. Descansar as pernas, refrescar o corpo, comer e principalmente beber.

Agora não tinha mais jeito, éramos obrigados a completar os 200km, pois de qualquer maneira tinhamos que voltar. Então que seja dentro do tempo limite!

Retornamos pela RJ116. A volta foi mais tranquila pois o sol estava mais ameno e tinha sombra na volta. Mas a estrada continuava com uma sequência de sobes e desces. Parada num barzinho de beira de estrada para mais um pit stop a fim de recarregar o corpo.

Mais alguns kilômetros pedalados e finalmente estávamos de volta a BR101, porém faltavam pouco mais de 30 minutos para o PC3 fechar. Precisávamos acelerar um pouco, mas felizmente chegamos a tempo e com uma folga de 20 minutos, logo depois chegaram o Márcio e o Paulo, estávamos receosos que eles também não conseguissem. 165km feitos. Menos de 1/4 da prova para percorrer.

Desde o início da prova eu dizia que pedalar 150km seria tranquilo, a partir deria seria na garra. E não deu outra. Pura força de vontade do grupo para terminar.

Estava escurecendo e o tempo esgotando. Era só completar Niterói x Manilha, pedalar pelo Barreto e finalmente sair nas barcas.

Nos 20km finais, com reserva energética esgotada, a musculatura entra em pane. Cada giro é uma dor. Cansaço extremo. Mas o desejo de se superar é maior. Nesse momento me lembro de uma frase do Lance Armstrong que diz: “A dor é passageira, desistir dura para sempre!” Passa a ser meu mantra. Cada pedalada, uma repetição da frase.

Finalmente entramos na Av. Feliciano Sodré e depois na Av. Visconde de Rio Branco, 500m de onde o PC final (chegada). Todo cansaço, dor, sede e fome deixam de existir. Só resta a felicidade de cumprir a prova dentro do limite. De se superar como pessoas normais que um dia aceitam encarar um desafio.
Link: http://adenosina.wordpress.com/2009/04/22/audax-200-conseguimos/

Gledson Silva

2 comentários:

  1. O Audax, ou o Desafio deixam marcas e fantásticas lembranças pra todos nós. Eu, virei fã de vocês, Gledson e Renata!! Mais uma vez, PARABÉNS!!!
    Érica

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  2. O Audax ou Desafio, deixa lembranças definitivas na gente!
    Eu, virei fã de vocês, Gledson e Renata!!! Parabéns e mais uma vez muito obrigada pela força e companhia durante o Desafio!!

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